quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Uma nova bofetada

Olá meu caro e minha cara sem-fronteira! Como vocês sabem, temos o imenso privilégio de sediarmos eleições a cada dois anos. E digo isso sem nenhuma ironia. Isso mostra que embora os problemas apareçam após as eleições, algo já de praxe, o Estado democrático está consolidado. Ok, realmente acredito que a peridiocidade e os cargos escolhidos em cada eleição deveriam ser diferentes, mas este não é o assunto. Aqueles que viveram nos anos da ditadura então, sabem o quão difícil foi conseguir estabelecer esses direitos.

Há porém, um problema imenso nesta época:

Via blog do Duke

A poluição que estas campanhas trazem, seja visual, sonora, ou o lixo acumulado nas esquinas é um problema em todas as cidades. Estas campanhas chegam trazendo os cartazes pregados sem nenhuma respeito à lei eleitoral em muros, grades, postes; os nojentos santinhos que entopem nossa caixa de correio e a boca-de-lobo; os muros pintados, muitos sem autorização naquelas letras garrafais e multicoloridas, o carro de som infernizando naquela gritaria e a nova modalidade, comum nos Estados Unidos: ligações. Hã?

Experiência própria meus caros: estava eu em casa, quando me ligam dizendo ser da campanha de um vereador. Estranhei, mas deixei que ela continuasse. Ela levantou os problemas do bairro de um fôlego só e disse: "Então, o Fulano de Tal pode contar com seu apoio?" Levei uma bofetada. Um tapa de luva, lembram-se? Como, de maneira tão agressiva uma pessoa me coloca contra a parede pedindo que eu declarasse meu apoio ao candidato? Senti meus direitos serem invadidos. Sentimento horrível. Mas não deixei barato e disse: "Como vou votar nele se não o conheço como político, tenho certeza que ele não conhece o bairro e muito menos os problemas". Rapidamente, a capacha disse: "Ok, vamos estar enviando (ahhhh!) alguns santinhos para o senhor conhecer melhor as propostas do Fulano." E ficamos nisso.

Depois pensei: ela sabe meu endereço? A resposta veio hoje. Ao abrir a caixa de correio, uma penca, na verdade duas dúzias exatas de santinhos. A conclusão: o candidato comprou aqueles banco de dados que empresas de telefonia fixa detêm. Complicado. Mas na verdade, não me preocupei com o que aconteceu comigo: meu maior receio, foi essa mulher que ainda vai ligar para pessoas simples, sem instrução e que no impulso, depois de serem colocados contra a parede vão dizer: "Éééé... apoio sim. Tá".

Meu maior receio, é que isso, aconteceu aqui em Belo Horizonte. Não quero nem imaginar o que acontece pelo Brasil afora.

7 comentários:

guilherne disse...

Nossa, post muito bom! De ótimo senso crítico.

Olha, esta questão da persuasão na hora de votar é prática comum. É de assustar que isso tenha acontecido em Beagá e via telefone. Cm vc disse, imagina o que se vê nesse país afora.

Márcio Daniel Ramos disse...

a poluição das campanas políticas é geral...
mais eu acho que a unica solução pra mudarmos os rumos de nosso pais é o envolvimento da juventude na política.
infelsmente a maioria do jovens prefere lavar as mãos com este assunto.

Carlos B. disse...

Fala meu caro.

Quando vc me disse que isso, fiquei meio assustado. Mostra como as campanhas hoje estão agressivas e no desespero total pelo voto.
Acho que se nos EUA é assim, com os cabos eleitorais ligando freneticamente para as cadas dos eleitores, não devíamos seguir esse modelo.
E outra coisa: por que não falou o nome do candidato? Ha, ha! Eu falaria!

Abraços!

www.manufaturanova.blogspot.com disse...

Crítica perfeita!!

Todo santo dia as avenidas q cortam a universidade onde estudo fazem um escarcéu de lixo de canditatos! o ó!¬¬"

Stanley Marques disse...

Ótimo texto! Bom, se isso acontece em BH, imagine só em outras regiões. Um verdadeiro absurdo o que você descreve no blog. Desconhecia a nova tática. Pelo menos esse é um que você não votará! Antes, gostaria de comentar algo que você aplaudiu: a consolidação de um Estado democrático de direito. Enquanto nações inteiras sobrevivem com a censura, temos a magnífica sensação de estar em situação oposta. Ainda que seja uma sensação, é algo indescritível e desejado por muitos.


http://www.antologiaracional.com/

Isabelle disse...

Estou com o usuário Carlos B. pela campanha: diga o nome do candidato.
Como também sou de BH, adoraria saber, he he he!

E como você disse, eleições municipais pelo Brasil deve ser um oásis de corrupção. Já imaginaram aqueles municípios no interior do estado? Pelo Brasil afora?

Wander Veroni disse...

Oi, Catta Prêta!

Concordo com o q escreveu, meu caro. Já trabalhei em campanha política e acontece disso aí para baixo, se é q vc me entende.

Não se surpreenda com o q vou te contar: curral eleitoral ainda existe, principalmente em BH. Pseudo-lideranças de bairro q se reunem para votar em fulano ou cicrano por determinada quantia em dinheiro.

Isso é sujo, nojento...e por isso decidi não trabalhar mais com político. Mas não deixei a política de lado. E agora, q estamos num ano de eleições para o nosso legislativo municipal eu divulgo para todo mundo: pesquisem seus candidatos. Cobrem, fiscalizem e reinvidiquem. O poder da revolução está no voto.

Grande abraço,

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

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