quinta-feira, 31 de julho de 2008

Destino: Pequim - Parte 2

A busca pelo ouro e, principalmente, pelo reconhecimento

Quem as vê jogar, encantar o mundo e convencê-lo de que podem ir muito além do que um bando de marmanjos cogita, não imagina que a sintonia da seleção feminina apresentada dentro de campo é algo praticamente “acidental”. A palavra “acidental” não foi para por aqui de maneira acidental. Não mesmo. O grupo é formado por meninas e mulheres que, esporadicamente, se encontram para jogarem suas partidas oficiais.

Num país não tão machista, mas que guarda resquícios desse mal nas pequenas coisas, as jogadoras brasileiras sofreram com a discriminação e com a falta de patrocínio. Venceram? Não. Têm vencido com fé, resignação e demonstração de seus potenciais.

Apesar das significantes conquistas da nossa seleção feminina de futebol, nossas guerreiras ainda sonham com o dia em que serão reconhecidas e, quem sabe, poderão jogar nos gramados de seu país em condições melhores ou - elas só pedem - iguais às dos homens.

Um campeonato brasileiro de futebol feminino impulsionaria a modalidade e aí tudo ficaria mais fácil: seja descobrir jovens e promissores talentos ou dar maior unidade à seleção.

Só para constar: no último domingo, há menos de duas semanas da estréia nas Olimpíadas de Pequim, as atuais campeãs pan-americanas e vice-campeãs olímpicas e mundiais golearam por 4 a 0 o time da nossa meia-atacante e estrela, Marta, em jogo amistoso de preparação para os Jogos Olímpicos.

Até hoje, elas não conseguiram nada fácil. E é isso que dá a elas a certeza de que é plenamente possível ostentar a medalha dourada no peito no dia 21 de agosto, dia da final. Por falar em final, assista a estréia da nossa seleção que acontecerá na próxima quarta-feira às 6h. Motivo?!? O Brasil encarará as atuais campeãs mundiais, as alemãs. Pode ser um aperitivo do que iremos assistir no dia da decisão.

Esqueça as últimas, vexatórias, apresentações da nossa seleção masculina de futebol. Agora é a vez dos meninos.

A boa apresentação diante da fraca seleção de Cingapura serviu, talvez, para reanimar nosso coração verde-amarelo acostumado a pulsar forte nas decisões.

Os jogadores brasileiros vão a Pequim com uma de suas maiores responsabilidades: trazer o único título que nos falta, o de campeões olímpicos.

O alvoroço e estardalhaço na recepção da seleção brasileira no aeroporto de Hanón, para o jogo amistoso contra a seleção daquele país amanhã (01), não diz muita coisa.

O desempenho da seleção brasileira ainda é uma incógnita. Temos jovens talentosos, Ronaldinho Gaúcho, a camisa - que, dizem pesar - e o respeito dos adversários. Mas, isso é o suficiente? Lembre-se de que a seleção pode não ser a mesma, mas o técnico é e é ele quem manda.

A seleção faz sua estréia em Pequim na próxima quinta-feira (07) contra os belgas. O grupo C, do qual faz parte o Brasil, é completado por China e Nova Zelândia. Uma chave que, teoricamente, não oferece grandes perigos.

Se faturar a medalha de ouro, Dunga conquistará mais que uma valiosa medalha e boas recomendações em seu currículo. Ele conseguirá se safar da possível demissão rogada à audível coro popular.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Carnaval + folião + urina = processo no STF

Vi um post do Blog do Josias publicado nesta quarta-feira que deu vontade de rir. E chorar ao mesmo tempo. Ok, mais de rir do que chorar, mas um choro de desespero.

Todos conhecem o STF – Supremo Tribunal Federal – que infelizmente ficou ‘na moda’ há algum tempo depois do presidente desta Corte ter dado dois hábeas corpus em 48 horas ao boa-praça e coordenador de facto da política Daniel Dantas. Pois bem, até tratamos sobre o assunto em um post aqui do blog, lembram-se? Bem, águas passadas.

O que o blog do Josias trouxe hoje é o caso de um folião que estava em Diamantina, Minas Gerais, no carnaval deste ano. Todos que conhecem um típico carnaval em cidade histórica, na verdade em qualquer lugar, já viu que muitos homens urinam nos ‘cantinhos’ da cidade. Não que esteja certo, e não vou posar de advogado do diabo, mas é no mínimo compreensível. No caso do nosso folião-personagem, aconteceu exatamente isso. No meio de 40 mil pessoas e sem banheiro público em número adequado, ele urinou em via pública e foi levado à delegacia local.

Porém, engana-se quem acha que tudo acabou num bate-papo entre o delegado responsável e o mijão. O indivíduo, que com certeza tomou trauma de carnavais, está com um processo no mesmo STF de Gilmar Mendes. A defesa dele pediu o cancelamento do processo há dez dias. Ganha um doce quem pensou que nada aconteceu.

Óbvio. O pobre mijão tem lá algum advogado que tenha o privilégio de tocar a campainha do ministro Gilmar Mendes altas horas da noite?

Como disse Josias de Souza, o STF tem que decidir agora até sobre urina de foliões, como se já não bastassem os 110 mil processos que os 11 juízes têm anualmente e um sistema absolutamente lento, que sabe não conseguir suprir a demanda.

E faço coro com o blogueiro da Folha: “para o sistema judicial do Brasil ficar bom, é preciso fazer outro.”

terça-feira, 29 de julho de 2008

Comunicado

Caro internauta,

Infelizmente o editor de Economia do SF, Lucas Fernandes, não poderá postar na noite de hoje. Seu computador foi invadido por um vírus e isso o impossibilita de levar até você - leitor que nos prestigia - a economia com uma abordagem leve e diferenciada.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Destino: Pequim - Parte 1

Itália que nada...

As vitórias sobre o Brasil na final da Copa América de 2006 em Porto Alegre e anteontem (26) pelas semifinais da Liga Mundial de Vôlei no Maracanãzinho, só confirmam que a verdadeira pedra no sapato da seleção brasileira é o grupo norte-americano. Ontem (27), na disputa pela medalha de bronze contra os russos, os brasileiros adentraram a quadra, carregados e apáticos. Algo totalmente compreensível para um grupo que acostumou-se com as glórias presentes no mais alto lugar dos pódios. Apesar da recente decepção, o Brasil chega a Pequim favorito assim como os EUA... e isso, preocupa.

Favoritas? Talvez

A seleção feminina de vôlei foi feliz na etapa final do Grand Prix. Ao derrotar a seleção de Cuba, as brasileiras garantiram a medalha de ouro com uma rodada de antecipação. Em Pequim, as principais ameaças serão as donas da casa e as cubanas que, com caras e bocas, conseguem fazer com que nossas meninas beirem um ataque de nervos. Por isso, antes de sorte, tranqüilidade à nossa seleção: “ingredientes” fundamentais para que elas tragam a medalha que por muitas vezes esteve tão próxima.

Que surra!

As australianas foram impiedosas. Atropelaram a seleção feminina de basquete na manhã de hoje, em jogo amistoso - preparação para os Jogos Olímpicos - na cidade australiana de Wollongong. As atuais campeãs mundiais aplicaram um amargo e elástico placar de 99 a 62. O Brasil entrou em quadra desfalcado sem a ala Michaela, a pivô Érica e Iziane, que faz uma falta... Que dirá Paulo Bassul, técnico da equipe brasileira. A seleção vai pra Pequim sem muita força. Possivelmente brigará, no máximo, pela medalha de bronze. É claro que surpresas acontecem! No mais, é esperar o dia 9 de agosto, quando a seleção enfrentará seu primeiro desafio, a Coréia do Sul.

A ideologia chinesa norteia nossos judocas: a intensa busca pela perfeição

Quimono, tatame, koka, yuko, wazari, ippon, shido (...) Vá se acostumando com as palavras que dialogam com o esporte que pode nos render muitas medalhas, das mais diversas cores. A preparação dos judocas brasileiros continua intensa. No Japão, os atletas treinam e estudam seus adversários de maneira exaustiva até o momento de entrar no tatame e brigar pelas tão sonhadas medalhas olímpicas. Tiago Camilo, João Derly, Leandro Guilheiro, Luciano Corrêa e Edinanci Silva. Guarde esses nomes. É bem provável que eles façam a bandeira verde e amarela tremular, imponente, em Pequim.

Nada melhor que um post institucional

Os grandes veículos de comunicação divulgam mudanças e novidades aos seus leitores por meio de notas oficiais. Nós da Equipe Sem Fronteiras utilizamos de um recurso peculiar – a postagem institucional. Encontrada em todas as editorias, os textos de caráter institucional trarão anúncios importantes ao internauta que nos acompanha.

Sem mais delongas, informamos que o blogmaster Ricardo Lima, o Laranja, responsável pelo layout inicial do Sem Fronteiras, não mais ocupa o posto de blogmaster. Anunciado como editor de Ilustrada, Ricardo Lima, não pôde cumprir suas funções por problemas particulares e por isso, passa a ser nosso colaborador, a quem, desde já, agradecemos pelo empenho em colocar este blog no AR, em tempo hábil.

Com essa baixa no corpo editorial, algumas pequenas mudanças poderão ocorrer. Nada que altere significativamente o padrão Sem Fronteiras, quiçá os horários e dias de postagem, respeitados para o melhor cumprimento das funções. Falando em padrão de qualidade, vale citarmos a I Cartilha Sem Fronteiras. Desenvolvido há pouco mais de duas semanas, esse documento guarda diretrizes para a produção e publicação, dirimindo seus integrantes. O objetivo é conferir um padrão ainda mais elevado de qualidade às postagens e consolidar a identidade do blog em questão.

Qualidade, uma palavra que, de certo, combina com este blog. Afinal, ganhamos dez selos em menos de duas semanas. Um sinal de carinho e reconhecimento por parte de amigos blogueiros. Por isso, aqui vão nossos sinceros agradecimentos à jornalista especializada em idiomas, Letícia Castro, do blog Babel.com e ao jornalista Wander Veroni, do blog Café com Notícias. A Equipe do blog Grupo Saber Viver, aos parceiros Stanley Marques e Breno Maia, do Antologia Racional e ao blog da Thamires Sousa. Ao blogueiro Khaos, do Master Silence e ao jornalista Michell Niero e colaboradores do blog Descobri a Pólvora, da Revista “O Patifúndio”.

Sendo assim, indicamos o selo Gentileza Gera Gentileza e Blog Massa ao Café com Notícias e ao Babel.com, parceiros de jornada e merecedores desses “mimos”. Ao Master Silence, ao blog da Thmaires e ao Antologia Racional, indicamos o selo Esse blog dá um banho. Já ao Grupo Saber Viver, retribuímos como o selo Seja Consciente. Por fim, ao Descobri a Pólvora, blog lusófono, presenteamos como os selos Um blog da melhor qualidade e Prêmio Dardos. Aos outros amigos (veja blogs indicados, na coluna ao lado), indicamos o selo Esse blog é Mara.

A última notícia dessa postagem, a terceira de caráter institucional, deixaremos no ar. Aguardem o dia 07 de agosto, dia em que completaremos dois meses de projeto. E claro, conheçam o Prêmio SFW de qualidade – Superando as Fronteiras da Informação. Veja um dos selos abaixo e aguarde mais informações.

Sem Fronteiras – A informação nos leva ao mundo, nós levamos a informação até você

domingo, 27 de julho de 2008

Adoção: uma troca leal

O jornalista e blogmaster do Café com Notícias, Wander Veroni, nos indicou um meme na última semana, com a seguinte proposta: divulgar um assunto que consideramos digno de ser repassado ao maior número de pessoas, ou seja, algo que abracemos ou indicamos sem pestanejar. O meme se chama: Algo que faço propaganda até de graça.

Nós, da equipe SF, achamos a iniciativa interessante. Congratulações a quem promoveu essa teia que envolve dicas, informações valiosas e, em alguns casos, promoção da solidariedade - como o que faremos. Então, vamos ao que interessa!!!

A perda de um filho é sempre uma experiência traumática e, obviamente, indesejada. Para os pequenos, que tão cedo, tiveram de se acostumar com o triste traçar do destino - morte dos pais ou lidar com abandono, por exemplo - é golpe que fere e dói mais do que possamos imaginar.

O abandono é uma das mais cruéis formas que alguns “pais” encontram para abster-se da responsabilidade que cabe a eles. Se não acompanhada, a criança desamparada tem grandes probabilidades de apresentar sérios problemas psíquicos e comportamentais durante toda a vida.

As feridas da alma, ocasionadas pelas perdas, quase sempre têm um único remédio: o amor. Remédio incondicional a todo ser humano e que faz com que a cor, religião, sexo, ideologia de vida, sangue dos envolvidos na troca, se tornem apenas detalhes irrisórios e insignificantes diante de uma relação que pode se tornar duradoura e prazerosa para ambas às partes: tanto para quem recebe, quando para quem fornece.

Segundo a legislação brasileira adotar uma criança significa mais que acolhê-la e ampará-la. Hoje, quem opta por adotar faz uma escolha que se assemelha em quase todos os aspectos à decisão de ter um filho biológico. Os pais, naturais ou adotivos, possuem o compromisso de suprir à todas as necessidades da criança para o seu perfeito desenvolvimento. Ao assinar a papelada que legaliza uma adoção, os pais adotivos criam laços que jamais poderão se romper. A criança adotada passa a ser como um filho de sangue.

A adoção é uma prova de amor. É uma maneira de se permitir à felicidade e de fazer felizes, crianças que se esqueceram, ou sequer sabem, o que é manter uma relação pautada no amor, no aconchego e suporte de uma família se não por meio desse recurso.

Aos interessados

O primeiro passo para adotar uma criança é ir até o fórum de sua região, com o R.G. e um comprovante de residência. A Vara agendará uma entrevista para a data que o setor técnico do Fórum tiver disponível. Neste momento você receberá a lista dos documentos necessários para dar continuidade ao processo.

Bem, continuando essa “brincadeira” saudável, o Sem Fronteiras repassa o meme, Algo que faço propaganda até de graça, aos seguintes blogs:

Asa da Palavra - de Kátia Brito
Repercutiu - de Daniel Leite

sábado, 26 de julho de 2008

Quem manda no Rio?

Com certeza não é Sérgio Cabral, governador. César Maia, o prefeito? Coitado. O comando do tráfico, nos morros? Como dizia Senor Abravanel, “certa a resposta!”.

Ok, ok, não sejamos tão exagerados: Sérgio Cabral e César Maia, o que chamaríamos do Estado político instituído (sic), controlam lá algumas partes da Cidade Maravilhosa (sic). O resto fica com os lordes do tráfico. E é um resto bem grande, geograficamente e em população.

Nesta semana, a polícia carioca fez mais uma incursão em uma favela da cidade, naquela de sempre: buscando drogas, armas, munição, enfim, enfim. Mas o que foi encontrado transcende a imaginação do mais pessimista sobre o que é o Rio de Janeiro. O que foi encontrado? Um documento. Um documento feito por traficantes expondo a verdadeira Lei da favela: qual candidato pode e qual não pode subir o morro. Não precisa ser muito inteligente para deduzir que só sobe quem o tráfico deixa. Ou seja, quem concorre à algum cargo na Câmara Municipal, e quer verdadeiramente ver a situação mudar, não consegue. Fica de mãos e boca atada. Pedir ajuda da PM para subir? Nada disso. Ninguém ousa tal coisa. E assim, aqueles que são governados pelo tráfico ficam na mesma, inertes, sem poderem ver sua situação mudar.

Pronto. A prova cabal de que o Rio de Janeiro está fora de controle. A prova cabal de que em certos locais do Rio, o poder público simplesmente não entra. E quando digo poder público, não é somente nenhuma força de segurança, como a polícia, mas aparatos do Estado que não conseguem penetrar por imposição do tráfico como agentes de saúde, a limpeza urbana e vai lá se saber quem mais está proibido.

Agora, não vejo motivo para muita surpresa sobre este documento, porque já era sacramentado que o Estado não tem controle sobre vastas áreas. Só acabamos de descobrir que até em época de eleição, o tráfico dita as regras nos morros.

Perdeu-se o controle da Justiça, e no Rio, há muito tempo. O que é concreto mesmo é a justiça do traficante: sumária, cruel, que com uma bala decidi a vida de alguém. Que ‘mané’ investigação, processo judicial, audiência que nada. É culpado? Mata. Não é? Deixa vivo.

Nisso, o Estado democrático se desintegra e o que se consolida cada vez mais forte é este coronelismo urbano. O coronelismo do morro. Essa prática repugnante, que ainda não acabou nos rincões do país e que José ‘Brasileiros e Brasileiras’ Sarney pratica em sua capitania hereditária. No Rio, a segunda cidade em importância do país, em alguns aspectos uma metrópole global, tem disso.

Inimaginável? Não, não é o caso. As políticas públicas se tornaram banais, ineficientes, inalcançáveis e inatingíveis em vários lugares. Agora, alguém consegue explicar o falso moralismo de querer ajudar aqueles que sofrem da tirania de governos autoritários na África, na Ásia?

Parece que muitos se esquecem que há dezenas de milhares de pessoas, reclusas, sofrendo da tirania de um Estado paralelo bem aqui, no nosso país.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O monstro sérvio

Olá sem-fronteira! Obrigado pelos votos de recuperação que recebi. Estou melhorando - só falta diminuir a intensidade da dor de cabeça.

Nesta semana, foi preso Radovan Karadzic, um ex líder sérvio da década passada. Radovan é aquele estereótipo de ditador que ainda assombra e assusta uma Europa pós-guerras, que quer se ver livre deste perfil de homem que assolou a fragilizada alma dos moradores do Velho Continente.

A seguir, uma série de Q&A (Questions & Answers) sobre o caso Karadzic, via BBC Brasil.

Karadzic, de 63 anos, é acusado de liderar o massacre de milhares de muçulmanos bósnios e de croatas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e foi indiciado duas vezes pelo Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia.

Ele foi encontrado trabalhando em uma clínica médica, usando um nome falso e com uma longa barba que o tornou bastante diferente do que era no tempo da guerra. Karadzic tinha sido visto em público pela última vez na Bósnia em 1996.

O que vai acontecer com Karadzic agora que ele foi preso?

A expectativa é de que ele seja transferido para o Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia, que funciona em Haia, na Holanda, onde deve ser julgado.

A transferência já foi determinada por um tribunal sérvio, mas o advogado de Karadzic já anunciou que apresentará uma apelação, o que pode atrasar o processo. Uma vez na Holanda, a expectativa é de que Karadzic enfrente um longo julgamento, como aconteceu com o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu em 2006, em Haia, antes da conclusão do processo.


Quais são as acusações contra Karadzic?

Karadzic responde a 11 acusações, entre elas genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.Ele é acusado de ter responsabilidade pela morte de cerca de 12 mil civis durante o cerco de Sarajevo e de ter organizado o massacre de até 8 mil bósnios na cidade de Srebrenica. Esse foi um dos mais sangrentos episódios da Guerra da Bósnia.

Além disso, Karadzic também teria deportado civis por causa de suas identidades étnicas e religiosas e é acusado de destruir casas, estabelecimentos comerciais e locais sagrados dos bósnios e de ter usado soldados da força de paz da ONU como escudos humanos durante o conflito.

No passado, o ex-líder sérvio bósnio negou as acusações contra ele e se recusou a reconhecer a legitimidade do tribunal de Haia. "Se (o tribunal de) Haia fosse um órgão jurídico real, eu estaria disposto a ir lá e testemunhar ou fazer isso pela televisão, mas é um órgão político que foi criado para culpar os sérvios", disse o líder sérvio foragido ao jornal britânico The Times em fevereiro de 1996.

Quanto tempo deve demorar o julgamento?

É difícil saber, mas pode durar anos. A promotoria tentará evitar que o julgamento demore tanto quanto o de Slobodan Milosevic, que morreu antes de ouvir o veredicto. Durante os quatro anos de julgamento de Milosevic, a promotoria convocou quase 300 testemunhas.

A duração do julgamento vai depender das acusações que a promotoria decidir apresentar contra Karadzic e de quem representar o ex-líder sérvio bósnio no processo.

Outro fator que pode encurtar ou estender o julgamento são os juízes, que podem optar por organizar o processo de uma forma mais ágil.

O que significa, em termos políticos, a prisão de Karadzic?

A prisão era uma precondição para que a Sérvia pudesse avançar nas negociações para fazer parte da União Européia, um objetivo declarado do atual governo. Mas muitos sérvios consideram Karadzic um herói, não um criminoso. Na visão de alguns, especialmente de sérvios bósnios, Karadzic defendeu os sérvios de seus inimigos ancestrais. Acredita-se que ele tenha permanecido foragido por 13 anos graças à conivência de alguns sérvios, que teriam ajudado a mantê-lo escondido.

Segundo o correspondente da BBC Nick Thorpe, a pressão sobre a Sérvia de vários países europeus, liderados mais recentemente pela Holanda, parece ter tido o efeito desejado e levado à prisão do fugitivo.

Thorpe também diz que, desde a formação do novo governo após a reeleição do presidente sérvio, Boris Tadic, em fevereiro de 2008, uma "nova atmosfera" passou a ser sentida em Belgrado em relação aos fugitivos.

O que isso pode ter significado, na prática, é que os membros dos serviços de segurança sérvios que sabiam do paradeiro de Karadzic decidiram revelar a informação às autoridades ou simplesmente passaram a permitir que agentes pudessem prendê-lo, afirma o correspondente.

Qual pode ser o veredicto?

O Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia opera seguindo algumas regras específicas. Ele julga apenas indivíduos responsabilizados por crimes de guerra cometidos no território da antiga Iugoslávia a partir de 1991 e não pode submetê-los a processo à revelia.

Em termos de sentença, o máxima que pode impor é a prisão perpétua. O tribunal não pode impor pena de morte. Até agora, o tribunal já concluiu processos contra 115 indivíduos, entre os quais apenas dez foram inocentados e 56 foram condenados. Entre as maiores sentenças já emitidas pelo tribunal está a recebida pelo sérvio bósnio Milomir Stakic, ex-prefeito da cidade de Prijedor, no norte da Bósnia – prisão perpétua, que, depois de apelação, foi transforma em 40 anos de detenção.


Ainda existem acusados de crimes na guerra na Bósnia que estão foragidos?

Apenas dois acusados pelo Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia ainda estão sendo procurados. Um é Ratko Mladic, comandante militar sérvio bósnio durante o conflito, acusado juntamente com Karadzic de genocídio no cerco de Sarajevo e de realizar o massacre em Srebrenica. O outro é Goran Hadzic, acusado de crimes contra croatas na cidade de Vukovar.

Tesouro ameaçado


Uma dúvida atroz apossou de minha mente há dias e persistiu até hoje: como falar da cultura de um país milenar como é o caso da China, - com seus mais de 5.000 anos de história - com apenas 3.000 caracteres (recomendações da cartilha do SF: pequeno manual de regras que castiga os mais prolixos, como eu... Rs)?

Refleti dias e dias e cheguei à seguinte conclusão: deveria explorar a maneira como a China atual, que vive seu período de esplendor diante do intenso processo de desenvolvimento - é claro, sem esquecer dos seus inumeráveis problemas ambientais, sociais e políticos - cuida de seu maior patrimônio: sua história, sua cultura.

Pequim passou por profundas transformações desde que foi escolhida cidade sede da 29ª edição dos Jogos Olímpicos. São incontáveis os canteiros de obras em meio a bairros decadentes, com casas que chegam a ter a idade do nosso jovem Brasil. Construções de 500 anos fadadas à destruição, para dar espaço aos arranha-céus que surgem numa proporção surpreendente e vertiginosa na capital chinesa.

Assim como acontece em qualquer país em desenvolvimento, em Pequim - onde quase tudo se desenrolou num período de 25 anos - o progresso assume caráter ambíguo, ao mesmo tempo que é uma graça - para um povo que foi oprimido; viu períodos de sua história serem escritos com tinta escarlate: sangue; e teve suas vidas marcadas pela miséria e fome, diante das estratégias mal sucedidas do comunismo chinês - é um mal que não se pode contabilizar.

Sob os escombros das velhas construções, o solo de Pequim guarda preciosidades de dinastias que remontam ao passado da China imperial. Os arqueólogos quase sempre perdem esses bens culturais diante da “força destrutiva” das construtoras, que tem pressa: precisam erguer uma cidade modelo até às oito horas, oito minutos e oito segundos do dia oito do mês oito de 2008. A arqueologia adquiriu cabal importância para os chineses quando tornou-se evidente a necessidade de proteger o já grandioso, mas até o momento, oculto e incontável patrimônio cultural chinês.

Quando as perdas não se dão por meio das construtoras, os roubos - freqüentes em Pequim - são o que preocupa. Quando não acham o que querem (peças que transformam em iuans - moeda chinesa - no mercado negro do país) os salteadores são impiedosos e acabam de destruir a tudo o que os tratores reviraram, como se as relíquias das dinastias chinesas - muito bem preservadas pela terra, mas fragilizadas pelo tempo - não tivesse valor algum para a cultura nacional.

A preservação do patrimônio histórico é um dos princípios a serem seguidos para que a cultura de uma nação sobreviva diante das transformações que acontecem tão repentinamente no mundo atual. É uma das lições primordiais que a China precisa aprender. No país das lendas e que nelas se encontra, espera-se que a história, tal como é, não se desvaneça diante do vento impetuoso da renovação e do progresso.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Lar doce lar - Parte 3


De olho na Copa de 2014, os clubes gaúchos lançam suas cartas

Pelas vastas campinas gaúchas ecoa a histórica e retumbante rivalidade entre Grêmio e Internacional. Os times mais tradicionais do estado do Rio Grande do Sul acabam de entrar com força total num duelo cujo vencedor será indicado num futuro não muito distante: quando será decidido qual o estádio gaúcho comporá a lista dos gramados que receberão jogos pela Copa de 2014.

O Internacional planeja uma revitalização para o gigante Beira-Rio. O estádio, que começara a ser construído em 1959, foi um verdadeiro desafio para a diretoria e torcida colorada. O terreno que era encharcado e a falta de verba (a ponto dos torcedores do interior do estado ajudarem com materiais de construção) fizeram com que sonho da casa própria fosse realizado somente 60 anos após a fundação do clube e levasse aproximadamente dez anos para ser erguido.

A diretoria do Internacional declarou que o Beira-Rio passará por um processo de otimização e modernização de seu complexo esportivo. A obra terá início com a construção de uma cobertura de estrutura metálica. Considerado um dos principais e mais bem estruturados estádios brasileiros, a casa do Inter tem – com a reforma – condições de chamar a atenção da CBF e bater de frente com o ousado projeto do Grêmio.

O tricolor gaúcho tem causado inveja a inúmeros clubes brasileiros desde que a diretoria gremista cogitou a possibilidade de construção de uma nova casa para o Grêmio. Por enquanto o tricolor pensa na substituição, inúmeros clubes brasileiros idealizam e sonham – alguns se perdem em devaneios – com a construção de seus estádios.

A administração o time porto alegrense tem dado um show de planejamento e estratégia. A arena do Grêmio, sonho que caminha para a consolidação, é um projeto de 300 milhões de reais, que não custará nada aos cofres do tricolor gaúcho. Todos os gastos serão cobertos por duas empresas portuguesas. Estas dividirão os lucros com o clube durante um período de vinte anos (65% para o Grêmio e 35% para os parceiros). A receita anual do clube indica que esse é, sem dúvidas, um lucrativo negócio para o Grêmio que ganhará uma nova casa e contará com uma estrutura que impressiona pela tanto pela magnitude quanto pela beleza.

O sonho tricolor

No Rio de Janeiro, o projeto do o tricolor carioca era o que chamava a atenção até o início do ano passado, quando a diretoria do Fluminense anunciou que tinha projeto pronto. A obra que teria porte de estádios europeus seria financiada por uma empresa portuguesa – assim como é o caso da Arena do Cruzeiro e a Arena do Grêmio –, porém assim como acontece em Minas, o governo do estado do Rio de Janeiro respaldado pelo desejo do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, espera que dois times, Fluminense e Flamengo, administrem o Maracanã até a Copa de 2014. O que dá a sensação, aos torcedores tricolores, de que o misto de espera e expectativa persistirá por mais alguns anos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Já pensou se Márcio Lacerda perde?


Eu não! Na verdade, até já pensei nisso sim, e automaticamente um esgar de surpresa e um sorriso apareceram no meu rosto. O que não consigo imaginar é na ira de Aécio Neves, no desapontamento de Fernando Pimentel e quais sábias gírias o presidente Lula vai usar. Também não consegui vislumbrar a comemoração de Patrus Ananias, Luiz Dulci e companhia bela.

Ainda não escolhi meu candidato, e claro que quando o fizer, não vou falar, mas tem hora que no meu íntimo, fico desejando que Márcio Lacerda perca só para ver a cara do time dos sonhos Pimentel-Neves. Mas enfim, ainda há muito tempo pela frente e se tem alguma coisa que não podemos negar é na capacidade de Pimentel e mais ainda na de Aécio Neves em virar resultados a favor deles.

Caro sem-fronteira, por motivo de saúde, uma gripe acompanhada de febre, um post super pequeno hoje. Espero me reabilitar até sábado para continuarmos a discutir este assunto, eleições, que vai ser a tônica da política até o fim de 2008. Isso se não aparecerem mais Danieis Dantas por aí...

Neste meio tempo, o SF quer saber como estão as eleições para prefeito aí da sua cidade. Alguma coisa singular e singela como aqui na capital de Minas? Ok, singular e singelo igual em Belo Horizonte é impossível...

Um abraço e até mais!
Charge via blog do genial Duke.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Em tempos de Lei Seca, governo apóia consumo de álcool!


Os produtores agrícolas brasileiros quase tiveram um infarto ao ouvirem boatos sobre uma tal Lei Seca. Ora, ora! Antes que você, internauta fiel ao Sem Fronteiras, pense que eles enxugaram não o copo, mas a testa, pelo fato da cerveja e da cachaça serem objetos de vislumbre para os motoristas, digo que a assombração atende por outro nome: automóveis! É! Os mesmos que fizeram milhares de homens lembrarem de suas namoradas ao irem passear com os amigos. Veja: estes consumidores inveterados de álcool, os veículos automotivos, representam a fatia mais robusta dos lucros dos usineiros.

O etanol, razão de cobiça e discussões, é um biocombustível geralmente produzido por meio da cana-de-açúcar e do milho. No Japão, o etanol é proveniente da celulose. A sua utilização em massa deu-se a partir de 1975, com a criação do Pró-Álcool, medida do governo militar brasileiro que surgiu como alternativa frente ao avanço do preço do petróleo. Apontado como alternativa viável ao combate do aquecimento global e da alta do barril de petróleo, o etanol ganhou status e inimigos: a população pobre, que sofre com os elevados preços dos alimentos, principalmente dos cereais.

O pãozinho salgado, o milho cada vez mais raro e a soja subindo na velocidade da luz são reflexos da produção de biocombustíveis. Cerca de 100 milhões de toneladas de cereais saíram do mercado comum em detrimento da produção de energia ecologicamente correta. Preserva-se a atmosfera e limpa-se o bolso do trabalhador! Os alimentos sobem, já que investidores adquirem sacas ainda nem plantadas, o que gera especulação financeira e eleva o preço desses produtos primários. Prova da rentabilidade do negócio é que três quartos da produção de milho nos EUA é voltada à produção de etanol.

Pressionados pela caótica situação ambiental, os países desenvolvidos subsidiam a produção, prejudicando ainda mais as nações pobres e emergentes. Os Estados Unidos, por exemplo, gastam US$ 20 milhões financiando o setor agrícola. Bush, rei das promessas ambientais, comprometeu que o governo estadunidense reduzirá nos próximos anos esse valor há US$ 15 milhões. Aguardem os capítulos dessa novela (claro, com o novo presidente)! Além disso, eles tributam o produto brasileiro de maneira a dificultar sua entrada lá, o que força o trabalhador a ganhar menos e labutar mais. Deplorável. Bem, de certo, apenas a alta acumulada de 60% dos gêneros alimentícios este ano. É, desse jeito, o humilde trabalhador entrará em dieta e comerá com os olhos!

O vídeo acima, da Agência Brasil, deixa evidente os planos de expansão dos biocombustíveis. Embora outras informações sejam importantes. Cinco milhões de hectares foram destinados em 2007 à produção de girassol e colza para biocombustíveis. O etanol de cana-de-açúcar se mostra cinco vezes mais energético que o do milho, além de produzir o dobro de litros por hectare, oito, em comparação com o mesmo produto. O álcool de cana também é mais barato: R$ 0,42 contra R$ 0,54. Muitas vantagens, não? Então, porque milho e soja? Não haveria alternativa viável quanto ao combate de uma crise alimentícia mundial?

A ONU e o Banco Mundial apontaram que dois bilhões de pessoas são afetadas pela produção de biocombustíveis e 100 milhões viverão abaixo da linha da miséria. Soluções parecem surgir, como é o caso do etanol proveniente do lixo orgânico e de combustíveis vindos de vegetais como o pinhão-mansão. Mas, até que se ligue o sinal de alerta para uma provável escassez de alimentos (incluo o doce e branquinho açúcar), esqueça o mansão e reflita. Você não beberá, mas há alguém/ algo beberá pelo caro internauta. E no frigir dos ovos, quem pagará a conta é você, que sairá de bolso e consciência limpa! Parabéns.
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segunda-feira, 21 de julho de 2008

O verde e amarelo colore de magia, quadras e pistas

O mais patriota dos torcedores, certamente não esperava um completo espetáculo brasileiro, com direto a dobradinha na F1, uma partida irretocável na Liga Mundial de Vôlei e uma goleada tranqüila no futebol de areia. O verde das matas e das florestas tropicais ganhou status junto ao amarelo das minas que aqui restaram. Tanta beleza e desenvoltura brindaram até o mais relapso cidadão, que se emocionou como eu, ao ver a bandeira nacional tremular vibrante em terras européias e no coração do país.

Em meio ao cerrado, a bola subiu no Goiânia Arena. Categórica, a seleção masculina de vôlei (veja a foto ao lado - da Agência Estadão)comandada pelo técnico Bernardinho, venceu por três sets a zero a Venezuela, com parciais de 25 – 19, 25 – 20 e 25 – 17. Um placar construído com jogadas magistrais, bloqueios duplos quase imbatíveis, ataques do fundo de quadra e com o brilho no olhar dos 11.500 torcedores goianos que saíram do ginásio em estado de êxtase.

O único fato a lamentar ficou por conta do incidente que deixou quatro feridos, na sexta-feira (18). A grade de proteção não suportou o peso dos torcedores que se aglomeravam frente à saída dos jogadores brasileiros. Felizmente, ninguém sofreu ferimentos graves. Incidentes à parte, a seleção classificou-se para as finais da Liga Mundial e no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, a equipe enfrentará a poderosa Rússia.

De Hockenheim, rincão distante, situado em solo alemão, ouviu-se o nome Piquet soar novamente, ontem (20), após 30 anos da estréia de Nelson Piquet. O filho do tricampeão da F1 conseguiu o segundo lugar de maneira ousada, abortando o direito de dois pits-stops. Com uma parada simples para reabastecimento, Nelsinho Piquet chegou até a liderar o Grande Prêmio da Alemanha, mas sucumbiu diante da estável McLaren do inglês Lewis Hamilton. O pódio foi completado pelo também brasileiro Felipe Massa, terceiro. A dobradinha tupiniquim não ocorria desde 1991 (veja a foto ao lado do pódio - de Rafael Lopes, da Globo.com).

No país vizinho, a França, o domingo foi de FIFA Beach Soccer World CUP, ou seja, da Copa do Mundo de Futebol de Areia (veja a foto ao lado - divulgação da FIFA). A segunda rodada dessa competição, que tem o Brasil como seu maior vencedor com cinco títulos, assistiu além do passeio português frente a Ilhas Salomão pelo elástico placar de 13 vs 4, a ginga e ao talento brasileiro nas praias da bela Marselha. A vitória fácil por 8 vs 1 sobre o Japão, coloca o selecionado verde-amarelo na liderança da chave. Destaque da goleada, Junior Negrão, de 46 anos, aposentará após o Mundial.

domingo, 20 de julho de 2008

Nem tudo são flores no imenso canteiro de obras chamado: China


Temos uma dica para você, que nos acompanha! Confira o álbum China sem fronteiras, da editoria Ilustrada.

Seis imagens e legendas que retratam a Gigante Nação Vermelha do ex-timoneiro Mao Tsé-Tung, reconstituindo além de momentos, realidades, do país-sede das Olimpíadas 2008. Fatos que comprovam o quanto é enigmática a República Popular da China, capaz de entrelaçar o arcaico e o moderno, abrigando em suas vastas terras, desigualdades alarmantes.

Para visualizar o álbum, basta clicar AQUI.

A série, iniciada dia 08 de junho, continuará ao longo desta semana por meio das editorias Cultura e Esportes.

sábado, 19 de julho de 2008

Caminhos da integração

Em maio de 2004, na cidade peruana de Cusco, surgiu a Casa - Comunidade Sul-americana de Nações. Por sonoridade, ou outro motivo qualquer, a Casa mudou de endereço no ano passado, lá na terra de Hugo 'El Supremo' Chávez e passou a se chamar Unasul - União das Nações Sul-americanas. O objetivo porém, era, ou melhor ainda é o mesmo: fortalecer esse subcontinente.

E de fato, está mais do que na hora. As idéias pelo menos, já são boas. Tudo ainda está no campo teórico, mas a teoria é sempre o começo da prática. Os principais objetivos são a coordenação política, econômica e social da região. Além disso, espera-se avançar na integração física, energética, de telecomunicações e ainda nas áreas de ciência e de educação, além da adoção de mecanismos financeiros conjuntos. Há também uma ambiciosa idéia: um Parlamento comum aos países integrantes, aos moldes da União Européia. Para que isso se concretize, os objetivos anteriores tem já que estar solidificados, o que significa: trabalho árduo à vista.

Já não bastasse as burocracias inerentes à vontade dos países, vários fatores podem complicar a Unasul a funcionar corretamente: a instabilidade do trio maravilha Chávez-Morales-Côrrea, respectivamente da Venezuela, Bolívia e Equador, disputas territorias entre Chile e Peru e algo impossível de mudar - a disparidade entre os países. Exemplo: a população brasileira está na casa de 180 milhões, enquanto a uruguaia chega a apenas 3 milhões.

Ou seja: será necessário pensar em alternativas que equilibrem o poder dos países, para que não aconteça problemas semelhantes aos que acometeram os países da União Européia.

Porém, caso os passos corretos forem dados, o potencial dessa nova organização será imenso: PIB de U$ 2,5 trilhões, 360 milhões de habitantes e uma região que abriga imensas reservas minerais e ambientais, que são cobiçadissímas no exterior.

Além de fatores econômicos, é fato no contexto global atual, com o mundo cada vez mais globalizado, onde a tendência é que as fronteiras entre os países deixem de existir, a união multilateral é o melhor caminho. Juntos, os países sul-americanos podem fazer um contra-ponto aos Estados Unidos, por exemplo, e ter suas reivindicações levadas mais a sério.

Acredito que seja impossível o pleno funcionamento da Unasul num futuro próximo, mas os passos estão sendo dados e devemos sim nos espelhar na União Européia, que embora não esteja em seu momento mais feliz é de longe o melhor exemplo de integração e o que melhor deu certo. Se formos nos espelhar neles, não nos esqueçamos que os trâmites do Tratado de Roma até o que conhecemos hoje foi longo, por isso, Chávez e companhia bela: calma, muita calma!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Novo Batman ajudará Cacciola? Aposto que sim!

Ahá! Se você caro internauta achou que o Batman do título da postagem se referia ao novo filme do homem-morcego, permita-me corrigi-lo! O Batman ao qual me refiro, vêm de Brasília, e é o mesmo que ajudou o Coronel Daniel Dantas, aparente chefão de facto da política nacional.

Veja o exato momento que o Batman de Brasília foi visto em ação:

Via sítio do Correio Popular

Dizem que esse Batman também atende pela alcunha de Gilmar Mendes. De fato, há uma leve semelhança, mas enfim... Dizem que esse novo Batman, pode ajudar o sorridente e simpático Salvatore Cacciola. Confesso que simpatizei pelo bom-humor do ítalo-brasileiro. Afinal de contas, somente uma pessoa com tamanha candura, simplicidade e fé no Supremo (não o Supremo, Divino Criador, claro!), poderia sorrir no momento de sua prisão. Virei fã dele!

Cacciola, em dado momento de sua breve entrevista na PF do Rio disse: "“Confio na Justiça”. Olha só, que beleza!

Mais alguém aí ou só eu que também acho que a Justiça que Cacciola confia, é diferente daquela que nos atende e a mesma que veio socorrer Daniel Dantas?

Mais uma vez: isso é Brasil!

[A editoria de POLÍTICA está sendo publicada excepcionalmente nesta sexta-feira. A editoria de INTERNACIONAL será publicada amanhã]

A Turma do Maurício


Maurício de Sousa: gênio criador da Turma da Mônica. Não era dessa forma que Sousa era lembrado em 1954, quando o, hoje, ilustre desenhista paulistano, ingressava na carreira de repórter policial na Folha da Manhã. Apaixonado pela arte de desenhar, a ocupação de repórter policial, não era, nem de longe, o que ele procurava, mas era a vaga disponível no jornal. E mais. O emprego significava a momentânea alternativa para o seu sustento, desde que abandonara Mogi das Cruzes, cidade onde viveu durante a infância; e se dirigira para São Paulo à procura de reconhecimento.

A "aventura" com os quadrinhos começou no último ano da década de 50. O primeiro personagem criado foi Bidu, cachorro azul que ganhou notoriedade através das tirinhas que Maurício fez para mostrar à diretoria da Folha o seu real talento e, assim, angariar a oportunidade que sempre quis ter: desenhar. Deu certo. A diretoria da Folha deu o aval e Maurício pôde começar a intensa produção de personagens que figurariam em suas histórias em quadrinhos e divertiriam crianças e adultos em todo o mundo.

Amigos e parentes serviram de inspiração para a criação de seus mais de 250 personagens. Sete dos dez filhos de Maúrício figurariam em diversas histórias como os seguintes personagens: "Marcelinho, o certinho", Dudu, Do Contra, Nimbus, Marina, Mônica - inspirada na filha dentuça e invocada, sempre acompanhada por seu coelho de pelúcia de nome Sansão - e Magali, filha que tinha como fruta predileta, a melancia.

Chico Bento - que fora inspirado em um tio residente no interior de São Paulo - é o principal personagem da Turma da Roça. Através das mãos de Maurício, o interior e muitas de suas tradições, são apresentadas de forma muito bem humorada à inúmeras crianças que, na correria das grandes cidades, muitas vezes perdem o referencial ou nem mesmo conhecem a rica cultura interiorana que compõe a nossa identidade cultural. A questão ambiental, tema privilegiado em muitas tirinhas e histórias por Maurício, é retratada através de alguns simpáticos animais que compõe a Turma da Mata e que cultivam uma relação de amizade e companheirismo num ambiente harmônico: a floresta, intocada pela ação destrutiva do homem.

A Amazônia é lembrada através da tribo do indiozinho Papa-Capim. Os roteiristas podem, então, explorar a questão da cultura indígena: suas lendas e costumes; e, assim, nos reaproximar e nos fazer entender a cultura de um dos povos que constitui nossa diversidade étnica e cultural.

Confira uns dos mais recentes trabalhos de Maurício de Sousa: Ronaldinho Gaúcho, em "Bem-vindo à Itália Ronaldinho"

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lar doce lar - Parte 2

Quando um gigante fica pequeno demais para dois eternos rivais


Seguindo o exemplo do Palmeiras, como foi abordado no post de quinta passada, Cruzeiro e Atlético começam a “mexer seus pauzinhos” para a construção de seus estádios e assim, se livrarem da difícil tarefa de dividir o Mineirão.

Após muitas promessas e poucas atitudes, os atleticanos resolveram agir e tomar frente do projeto de construção da Arena do Galo, obra que seria financiada - 75% dela - pela própria torcida alvinegra.

O projeto, que teria gastos estimados em 222 milhões de reais, seria responsabilidade de cerca de 30 mil atleticanos apaixonados que colaborariam com mensalidades que variariam de R$ 35 a R$ 1.000 durante um período de quatro a seis anos. Talvez, o principal fator que inviabiliza esse sonho é o longo período de contribuição.

No início do ano, Ziza Valadares, presidente do Atlético Mineiro, declarou que o clube tem um projeto pronto, inclusive com parceiros para a construção de um estádio próximo à Cidade do Galo, em Vespasiano. Hoje, a diretoria alvinegra pouco fala a respeito construção da Arena, o motivo pode ser o fato do Governo de Minas Gerais demonstrar interesse em reformar o Mineirão e esperar que Atlético e Cruzeiro administrem, juntos, o estádio até a Copa de 2014.

A raposa, esperta, só pensa na casa própria. A verdade é que o Cruzeiro está com tudo muito bem encaminhado para o anúncio oficial da construção da Arena Multiuso do Cruzeiro que será construída em um dos terrenos já visitados pela diretoria celeste e grupo de investidores, no sul da cidade de Belo Horizonte. A construção seria paralela às reformas no estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão.

A obra, que custará cerca de 120 milhões de reais, contará com o apoio financeiro de três empresas portuguesas. Segundo o Portal Uai, o estádio cruzeirense será rodeado por torres modernas que abrigará centros comerciais, salas convenções, hotéis restaurantes e estacionamentos subterrâneos, um novo ponto comercial na Região Metropolitana de BH. Alvimar Perrela, presidente do clube celeste, acha plenamente possível que, com a construção da Arena Multiuso do Cruzeiro, Belo Horizonte tenha dois estádios em condições de receber jogos da Copa de 2014.

Alguns torcedores já esboçam indiferença para com o gigante da Pampulha. Cuspindo no prato em que, ainda comem, e, queira Deus, não comerão por um bom tempo. As gavetas estão abertas, esperando projetos que queiram repousar em paz.

Cores e rivalidades à parte, cruzeirenses e atleticanos são, em sua grande maioria, mineiros; e convenhamos: para o povo mineiro, prudência nunca é demais.

Na próxima semana, o último post da série “Lar doce lar” com os projetos dos clubes cariocas e gaúchos.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vergonha de ser honesto

Quem escolheu fazer uma faculdade de jornalismo, com certeza ouvia diferentes impressões, porém todas convergindo em um mesmo eixo: há aqueles amigos e parentes mais moderados que simplesmente diziam, “a mídia influencia a população” e por isso, queriam dizer basicamente nos hábitos de consumo, comportamento e coisas banais da vida cotidiana. Com certeza, havia também aquele tio e aquele amigo maniqueísta, que viam a imprensa como “um diabo, uma poder que manipula os desmiolados” e por isso, diziam que “somos quase que ordenados a escolher candidato tal”, “aprovar ou rejeitar determinado Governo”, enfim, tudo da esfera não-cotidiana. Mas claro que havia o amigo ponderado que se limitava a dizer: “A mídia é o reflexo da sociedade na qual está inserida”.

Depois de passar enfadonhos anos ouvindo parentes e amigos, divididos especificamente nessas subclasses, adentramos o “mundo perfeito de Bobby” da faculdade e pensamos: “Pessoas novas, com idéias diferentes e personalidades distintas! Agora sim minha percepção do que é o jornalismo vai mudar”. Que nada! É a mesmíssima coisa, (chata por sinal), porém, encorpada em diferentes cabeças. As discussões são praticamente as mesmas, daqueles que se dividem em no mínimo amenizar os poderes do efeito midiático, aqueles maniqueístas, que insistem na repulsiva teoria de que a mídia é um “Grande Satã”, vestido de diferentes modos: numa página de jornal, na imagem de uma TV, nas ondas do rádio etc. e no ponderado colega ou professor, que não está lá, nem cá. Vem então a triste constatação: até mesmo no já desmoronado “castelinho de areia de Bobby”, há a divisão nas três subclasses.

Porém, todos estão errados. A mídia na verdade, são esses vários instrumentos que adentram nossa casa, às vezes sem até mesmo querermos e que nos dão um delicado, mas ardido tapa com luva de seda. Esse tapa, nos faz chacoalhar a cabeça e cairmos na realidade. Faz-nos percebermos o mundo no qual estamos. E eu, depois de levar alguns tapas finalmente “caí na real” e consegui abstrair a mensagem! Entendi o mundo que estavam querendo mostrar! Deus... e era tão simples! Minha conclusão é a seguinte: não podemos mais ser honestos! Claro como um cristal.

Para começar a explicar o raciocínio: hoje, vemos sendo deflagrados esquemas e mais esquemas de picaretagem, malandragem, sendo descobertos a torto e a direita, onde os personagens desviam dinheiro, descumprem o Código Jurídico quase que por completo, ludibriam o (Des)Governo. Exemplos? Muitos: Pasárgada, Toque de Midas, Navalha, João-de-barro, Satiagraha, Hígia, Afrodite, Caipora, Xeque-Mate... A semelhança entre todos? Davam-se, ou melhor, se dão bem na vida. Afinal de contas, ingenuidade e tolice pensar que por melhores que foram todas as operações, que elas se desmantelaram por completo. Que nada! Sempre há mais um.

Pior ainda do que terceiros enganando o governo, o Estado, é quando gente do governo, da política em geral aplica golpes naquilo que os emprega e naqueles que os elegeram. Exemplos? Os desvios de verbas públicas, as licitações erradas, o nepotismo, as sonegações... E em todos os âmbitos: municipal, estadual e federal. Não há ninguém que se safe.

E agora, a prova mais cabal, não de que não podemos ser honestos, mas como a mídia está nos mostrando a maior inversão pela qual estamos passando: quando o Estado, torna-se nosso inimigo. Quer mais exemplos? A Polícia carioca que mata civis, mesmo que fossem bandidos, e diz que agiu corretamente, os bebês que são encontrados mortos em armários de hospitais públicos, a professora que é agredida em sala de aula, o aluno que não tem um caderno...

A mídia está aí no seu papel, seja ele qual for, mostrando tudo o que está acontecendo e a conclusão, apocalíptica, concordo, é essa. O que nós, cidadãos guiados pela ética, pelos bons-costumes estamos ganhando? Nada. Somos a cada nova notícia, postos contra a parede, e sendo perguntados: “Por quê eu não posso isso?” e sendo na mesma proporção questionados: “Isso é certo?” Não existe mais isso! Tudo é certo, tudo é possível! Sendo assim, vou me corrigir: a questão não é ser “honesto” ou não, devemos “ser”... simplesmente isso. Mas ser o quê? Essa pergunta, hoje, não cabe mais: você escolhe.

Se você ainda não percebeu isso tudo, não se preocupe! Você ainda vai levar um tapa.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A economia cresce, o povo padece

Via blog do Clovatto

Um montante cada vez maior de livros de História chega todos os anos às livrarias. Não mera coincidência, a maioria dos autores se utiliza da categórica frase do ex-ministro da economia Delfim Neto, que nos tempos de ditadura, lançou mão da “tese” de que “precisamos primeiro fazer o bolo crescer para depois dividí-lo”. O amigo internauta, que prestigia o trabalho deste editor, certamente liga o pólo positivo com o negativo e põe sua cuca a questionar. E cadê o bolo? Aí, descobre que a vaca atolou, o bolo sumiu e o dragão inflacionário voltou. E o temível vilão da história são os alimentos!

Bem, você que trabalha horas afinco e passa rotineiramente pelo calvário das compras em mercados, empórios, padarias, sacolões e açougues, deve ter arrancado os cabelos da cabeça. Se não os tem mais, menos mal! Afinal, o desenvolvimento econômico global, sobretudo nos países emergentes, impulsionou as exportações, resultando em um desequilíbrio entre a oferta e a demanda. A adesão de economias “nanicas” ao mercado, o elevado crescimento demográfico em continentes como Ásia e África e a crise estadunidense, contribuíram para a formação do quadro atual.

A seca em grandes produtores, a exemplo do Brasil, interrompeu a safra do primeiro semestre. A alta do petróleo, já citada semanas atrás, faz com que os fertilizantes, os combustíveis e óleo diesel encareçam. Ruim para agricultura, péssimo para os transportes e para as indústrias, que dependem do diesel para movimentar máquinas. O crescente investimento em produtos primários nas bolsas, aliado a queda do dólar, força uma alta nas commodities agropecuárias, já que os investidores buscam recuperar os prejuízos com a moeda, através dos alimentos.

A carne e o leite acompanham a alta, devido à utilização de produtos agrícolas na nutrição do gado. Ainda tem mais, caro leitor! Países como a Argentina (grande produtora de trigo) e a Índia (de arroz), reteram seus estoques, visando melhores preços no mercado. E em tempos de lei seca, o álcool fecha a festa dos preços galopantes! O milho e a cana vêm sendo destinados à produção de biocombustíveis, que serão abordados semana que vêm.

Uma vez valorizado na Bolsa de Chicago, principal destino das cotações alimentícias, o preço dos produtos chega reajustado, assim como nos tributos, através de índices como o Esalq (da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Só para não perder o costume: os investidores encomendam o bolo, o Delfim divulga e quem paga a conta? Ó céus, ó vida!

Em Brasília, a cúpula “lulista”, rejeita o palácio do Planalto e se reúne na Granja do Torto. E em questão de horas, entorta os gráficos da taxa de juros, fazendo aquela curva crescente, que estamos habituados a ver. A taxa sobe para conter a queda nos investimentos, atraindo novamente o aplicador. Em contrapartida, a agricultura cultiva as expectativas de mais uma safra recorde. Incoerências de um mundo globalizado!

Agora pergunto a você internauta: a redução de subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos, seria uma saída, não? Espera-se que essas vitórias contra as grandes nações sejam conquistados na OMC (Organização Mundial do Comércio). Até lá, não salgues o arroz, pois a inflação anda fazendo ronda! E assim continua a ciranda: o povo padece, a danada aparece.


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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Rodada de clássicos dá início a outro Brasileirão

A 11ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A reservou quatro clássicos regionais, todos determinantes para a tabela. Estiveram em jogo nesse domingo, não só a rivalidade comum aos certames locais. Os tão aguardados derbies traçaram um perfil das equipes, bem como as aspirações de cada uma para o prosseguimento da disputa. Todavia, o grande entrave permanece: a janela para o mercado europeu.

A supremacia azul se mantém nas Gerais

A Raposa confirmou a vice-liderança com a vitória de 2 x 1 sobre seu maior rival, confirmada aos 47 min do segundo tempo. No ano de seu centenário, o Atlético, comandado por Alexandre Gallo, vem em queda livre na tabela e a diretoria já anuncia a provável saída do xodó da torcida: o meia-atacante Danilinho, para o Jaguares – MÉX.

Distante do rival, a equipe celeste se mantém na cola do líder. No entanto, as saídas de atletas para times postulantes ao título e a ameaça do mercado europeu levar Ramires, sondado pelo Espanyol por US$ 6 milhões, além de Wagner, Guilherme ou Charles, preocupam o cruzeirense, que sonha com a conquista nacional. Outro impasse são às alterações do técnico Adílson Batista, que vão contra os anseios do torcedor e da crônica local.

O tricolor paulista segue vivo na disputa

Após a vitória de 2 x 1 sobre o alviverde paulista, o São Paulo segue ainda forte rumo ao G4. A equipe comandada por Muricy Ramalho visa o tri-campeonato. Para isso, busca manter o volante Hernanes, sondado pelo Barcelona por US$ 12 milhões, além do meia Richarlyson e dos zagueiros Miranda e Alex Silva.

O Palmeiras sai do clássico ainda candidato ao título, mas certo de que só alcançará o triunfo, caso acerte seu setor defensivo. A negociação do zagueiro Henrique para o Barcelona agrava mais a situação. Gladstone e Jeci chegaram. Menos um volante marcador. Afinal, Valdívia & Cia. devem ter liberdade para bailar, não?

Nos Aflitos, a aflição da torcida do Timbu

O Leão triunfa sobre o Timbu no Estádio dos Aflitos. A vitória do Sport por 2 x 0 traz questionamentos quanto ao poder de fogo do Náutico no campeonato. Atual sexta colocada, a equipe do ex-treinador Leandro Machado não rende aquilo que jogava com Roberto Fernandes no comando. Restaram dúvidas quanto ao técnico e principalmente, quanto ao grupo de jogadores.

Já o Sport mostra o porquê conquistou a Copa do Brasil e sobe para a 12ª posição. Mesmo sem Romerito, o rubro-negro pernambucano dá sinais de recuperação. Mas, nos últimos dias, rumores deram conta da saída do goleiro Magrão, para o Rayo Vallecano - ESP.

Turbulências não abalam líder do Brasileirão

O Flamengo, após a vitória sobre o rival Vasco da Gama, por 3 x1, foca na manutenção da liderança, nas eventuais saídas e nas confusões. Com 26 pontos, cinco à frente do Cruzeiro, vice, o rubro-negro carioca pode perder Marcinho, artilheiro do campeonato com sete gols e protagonista dos últimos boletins policiais, no Rio de Janeiro e em Ribeirão das Neves, em Minas, para o futebol do Qatar. Além dele, o clube negociou há dias, o meia Renato Augusto, ao Bayer Leverkusen - ALE.

Já o Vasco, agora sob a presidência de Roberto Dinamite, busca o zagueiro Roque Júnior, que assinou recentemente com o futebol dos Emirados Árabes Unidos. O problema é a grande dívida vascaína, que coloca em xeque a permanência de jogadores com Morais e inviabiliza contratações.

domingo, 13 de julho de 2008

Microblogs: ferramenta da revolução web 2.0

De Lucas Ribeiro - estudante do 3º período de jornalismo do Uni-BH e webmaster dos sítios FINPE, Projeto Argumentum e do Bloco de Notas do Lucas Ribeiro

Os blogs já estão há um bom tempo na rede, sejam eles pessoais, jornalísticos ou até mesmo corporativos. Porém, um fenômeno está surgindo dentro dessa área, que é o dos microblogs. Quem já não ouviu falar do Twitter, do Pownce, Plurk, Gozub, Telog e até dos estranhíssimos Jaiku e Adocu - estranhíssimos por causa dos seus respectivos nomes.

Pra começo de conversa, o microblogging nada mais é do que publicar posts curtos, geralmente com menos de 200 caracteres. A vantagem é que o usuário tem uma variedade de plataformas de publicação, como o SMS (mensagens de texto via celular), comunicadores instantâneos - como o Windows Live Messenger e o GTalk - e internet móvel.

O Twitter, precursor dos microblogs, é o mais usado na atualidade. Criado por Evan Williams - um dos fundadores do Blogger - e Biz Stone, o serviço é marcado por uma pergunta: What are you doing? (O que você está fazendo?). Segundo um dos últimos relatórios de tráfego web do site, o Brasil é o quarto país a navegar através dos seus microblogs, com 7% dos acessos, perdendo só para a Inglaterra, Espanha e o Japão.

Porém, o serviço de Evan e Biz, nos últimos meses, tem sofrido com várias instabilidades em seus servidores, o que está fazendo muitos de seus usuários migrarem para outras redes. Um dos serviços mais procurados é o Jaiku, que foi recentemente comprado pela Google. O site criado na Finlândia aceita novos participantes apenas por convites, além de contar com uma integração com comunicadores instantâneos.

Existe também o Pownce, que não é apenas um microblog, mas também um sistema de compartilhamento de arquivos. Já o Plurk, outra ferramenta do gênero, tem como diferencial a disposição das postagens através de uma linha do tempo, sem a necessidade de ficar navegando por páginas e páginas. O Adocu, por sua vez, é um microblog ao extremo: serve para publicar o que se está sentindo no momento com apenas uma palavra.

O Brasil também tem os seus similares: entram no jogo os serviços Gozub e Telog. Helder Santos, criador do Gozub, diz que em relação ao Twitter ambos possuem funcionalidades bastante parecidas. “Porém o foco que estamos querendo dar ao Gozub é do mesmo ser uma ferramenta a mais de comunicação em Grupo, agregado a sua função de micro-blogging”, afirma.

Microblogar já está fazendo parte do cotidiano até de gente famosa: Rosana Hermann, apresentadora do Atualíssima, na Band, Marcelo Tas e Oscar Filho, do CQC, já têm os seus microblogs. Agências de notícias como a BBC, Reuters, O Globo e Estadão também publicam suas notícias no Twitter, fazendo com que a ferramenta tenha uma grande utilidade não apenas para publicação do que se faz no momento, mas também do que acontece. A pergunta que fica é: até onde vai esse item de interatividade em tempo real? Só o tempo dirá.

Faça o seu microblog
Conheça os principais serviços do gênero:
Twitter http://www.twitter.com/
Jaikuhttp://www.jaiku.com/
Powncehttp://www.pownce.com/
Plurkhttp://www.plurk.com/
Adocuhttp://www.adocu.com/
Gozub (Brasileiro)http://www.gozub.com/
Teloghttp://www.telog.com.br/

Participe aos domingos no Sem Fronteiras. Nos ajude a levar a informação, enviando seu texto através do e-mail: semfronteirasnaweb@gmail.com

sábado, 12 de julho de 2008

Zé Brasileiro da Silva e Daniel Dantas

Estou até com certo receio de escrever a postagem de hoje caros leitores: é porque o assunto é ‘Daniel Dantas’. Estou até com certa idéia do que escrever, mas e o medo de entrar na homepage do UOL e me deparar com: “Daniel Dantas é preso pela terceira vez”? Caso isso aconteça, vou ter que repensar a postagem. Vejamos... Ufa, que alívio, (ainda) não tem nada! Corri e entrei também na home do G1 e também nada sobre uma re-re-prisão.

Parece exagero, mas não é. O que aconteceu essa semana com Daniel Dantas foi singular. Curioso e com uma pitada de engraçado. Mas aquele engraçado do estilo José Simão, bem “escrachado”. Ao longo da postagem, as quatro capas do jornal Folha de São Paulo, de quatro dias seguidos, dando como destaque a prisão e a soltura do banqueiro Daniel Dantas.

Por trás disso tudo, uma guerra de egos: ficou evidente que o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, sentiu sua autoridade ser questionada pelo juiz de primeira estância de São Paulo, que mandou Dantas as duas vezes para a cadeia. Quando foi preso pela segunda vez, o juiz Fausto de Sanctis disse ter provas suficientes de que Daniel Dantas estava diretamente ligado à tentativa de suborno de um juiz que investigava o caso.


O ministro, não pensou da mesma maneira e concedeu novo hábeas corpus ao banqueiro, revoltando assim a Polícia Federal, que é evidente ter sentido de alguma forma seu trabalho desprestigiado depois de conduzir com tamanha maestria uma operação do porte de ‘Satiagraha’. Revoltou também, adivinha quem? Isso! A população brasileira. Conhecem aquela frase, que acabou virando mantra aqui na Terra da Piada Pronta: “A polícia prende e a justiça solta”. E tem outro também: “Rico no Brasil não fica preso”. Quero me ater ao último: depois dessa, o Judiciário vai falar que isso é o quê? Mentira? Só se for deles. Mais uma prova cabal de que o sistema judiciário brasileiro, que é ultrapassado, obsoleto, beneficia os ricos, os poderosos.

Se o senhor Zé Brasileiro da Silva fosse preso numa sexta-feira, acusado por roubar uma margarina de R$ 2,50 o infeliz e seu defensor público (se conseguisse algum) teriam que no mínimo esperar até segunda-feira para solicitar um hábeas corpus em algum Tribunal lotado, porém, o senhor Daniel Dantas na pessoa de advogados caríssimos, tem o privilégio de bater na porta do Supremo altas horas da noite, procurar pelo juiz de plantão e conseguir assim, o recurso, na hora que bem quiser.

E nessa guerra patética de egos, o STF, que a última vez que nos orgulhou foi no relatório do ministro Joaquim Barbosa sobre os “mensaleiros”, perde o prestígio perante a opinião pública com essas retóricas burocráticas e o que é pior, atrapalha o bom andamento das investigações, o que no caso de Satiagraha envolve as mais altas esferas do poder: empresários, deputados, senadores, investidores e sabem-se quem mais.

E como aqui no Brasil, piada pouca é sempre bobagem, a maravilhosa charge de Maurício Ricardo sobre Daniel Dantas, que esqueci de comentar, é um sujeito da melhor índole.


sexta-feira, 11 de julho de 2008

Monges e uma ilha: os calcanhares-de-Aquiles do Dragão


Analisar a China em qualquer aspecto, como disse em minha última postagem, é sempre interessante. E hoje, continuando a série China sem Fronteiras, vamos mostrar como esse gigante asiático se relaciona com duas regiões bastante problemáticas para eles.

O que sem sombra de dúvidas se destaca quando falamos em “relações internacionais chinesas” é a questão do Tibet: grupos de direitos humanos acusam Beijing da sistemática destruição da cultura budista tibetana e a forte perseguição aos seguidores e do próprio Dalai Lama, o líder espiritual exilado que faz campanha para a autonomia da região.

Hoje, para a China, é uma região autônoma incorporada ao país. Organizações de direitos humanos ainda acusam a China de privar os tibetanos, por exemplo de se movimentar dentro ou fora da região, autonomia em decisões locais como saúde e educação. Portanto, se formos pensarmos bem, o termo “região autônoma” é bastante questionável visto a situação prática.

Além disso, há relatos de prisões no Tibet com índices bem altos de assassinatos daqueles que vão contra as ordens de Beijing. Porém, sem ser o advogado do diabo, ou no caso, do dragão, a situação antes da invasão chinesa não era lá tão boa não.

O que muita gente não sabe, é que o Tibet era uma teocracia. Um status de governo que historicamente nunca deu certo, e para agravar a situação, a do Tibet era extremamente corrupta. Os monges de hoje, que clamam por liberdade, soberania, talvez não saibam, ou fingem não saber, que seus antepassados eram tão ou mais opressores que os chineses e a população vivia na mais absoluta e extrema miséria. Sim, de fato, até hoje a situação não mudou muito, porém, caso se consiga um dia uma autonomia no real significado da palavra, uma forma praticável e democrática de governo tem de ser pensada, pois voltar ao que era antes não é a melhor alternativa.

Outro impasse que Beijing enfrenta é sobre uma ilha, perto da parte continental do país. O nome dessa ilha, Taiwan. Ou quem sabe República da China. Há uma certa confusão até nos nomes. O nome oficial é República da China. Taiwan, é usado muitas vezes como sinônimo, pois é o nome, se podemos chamar assim, dos pequenos arquipélagos de ilhas que compreendem a República da China. Taiwan, é considerada uma província rebelde para os chineses, que não reconhecem seu governo, que é um sistema semipresidencial, ou seja, um presidente e um primeiro-ministro dividem o Poder Executivo. Taiwan quer que sua independência seja reconhecida de forma ampla e irrestrita. Isso talvez ainda demore a se concretizar, porém, nos últimos meses o diálogo da República Popular da China e da República da China aumentaram significativamente depois que seus respectivos líderes iniciaram um processo de reaproximação.

Há pouco tempo, foram permitidos novamente vôos diretos da China para Taiwan, o que estava proibido desde que Taiwan declarou unilateralmente a independência. Simbólico, mas um avanço e importante principalmente para aqueles que não podiam visitar suas famílias no continente ou na ilha.

Parece pouco avanço, mas qualquer ganho diplomático com Beijing, que é sempre “dura na queda”, é um feito para ser comemorado.

Chega de saudade


Anos dourados. O Brasil nunca vivera um período tão feliz em sua história. Juscelino Kubitschek assumia a presidência da nação e lançava um ousado plano de desenvolvimento. A economia crescia a olhos vistos. As mulheres se atreviam a escapar das rédeas da sociedade machista. A literatura brasileira se consagrava com o lançamento de obras extraordinárias. A seleção conquistava a Copa de 58 na Suécia. Mais tarde, em 63, o cinema adquiriria força e se aqueceria com a indicação de “O Pagador de Promessas”, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar.

As músicas modernas, que, até então, eram do tipo dor de cotovelo, passariam a ser vistas com outros olhos diante dos toques fortes e do som cristalino do violão de João Gilberto, dos arranjos e das palavras que jorravam da alma de Tom Jobim e do lirismo inconfundível de Vinícius de Moraes. A Bossa Nova começava a se consolidar numa cidade maravilhosa, vigiada e abençoada pelo Cristo.

Era preciso reinventar. Cantar as coisas belas da vida. Cantar os sonhos; as belezas cariocas, suas praias, sua gente, suas ruas e avenidas; as coisas simples, bobas, mas de maneira poética, com verdade e sentimento.

Os recentes amantes daquele som envolvente que começava a tomar corpo se reuniam em bares, boates e - impossível não mencionar - na casa da eterna musa da Bossa Nova, Nara Leão. A capixaba que, bem nova, se mudara para o Rio de Janeiro tinha apenas 14 anos quando a bossa entrou na sua vida. A pouca idade era apenas um detalhe. Nara tinha uma bela voz e uma habilidade surpreendente com o violão.

Nas horas vagas - quando não estavam produzindo - os jovens músicos e poetas davam espaço para o amor e as paixões. Roberto Menescal chegou a cortejar a Nara Leão, mas ela viria a namorar e noivar com amigo, Ronaldo Bôscoli. Em pouco tempo tudo acabaria. Maysa atrairia os olhares do jovem rapaz comprometido. Vinicius de Morais conheceria um dos tantos amores que passaram por sua vida: Lilá Bôscoli. Tom Jobim - muito bem casado com sua primeira esposa, Teresa Hermany - entrava na maior saia justa quando a estonteante francesa Milene Demongeout o fazia propostas indecorosas. Prezando pelo casamento, ele fugia, como diz o ditado, “como o diabo foge da cruz”.

Em agosto, a Bossa Nova completa seus 50 anos. As principais letras foram compostas no fim da década de 50 e ao longo dos anos 60. A maioria dos autores delas já não se encontram entre nós. Ao escutar as canções que abordam desde o saudosismo de velhos amores a um barquinho que veleja no macio do mar, os verdadeiros apreciadores da Bossa sentem uma, inevitável, pontada nostálgica no peito.

A Bossa Nova nunca perderá seu espaço na história da música brasileira. É impossível nos esquecer de seus geniais representantes que realizaram um trabalho primoroso: traduziram emoção e poesia em forma de versos e melodias.

Dica cultural

Hoje, disponibilizamos a você, caro leitor do SF, algumas das belas canções da Bossa Nova. Excelente distração para uma noite de sexta-feira. Uma boa noite e até a próxima semana.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Lar doce lar - Parte 1

Sonhando a construção ou construção do sonho?

Quartos, sala, copa, cozinha, banheiros (...). Grandes ou pequenas, casebres ou palácios (afinal, não pagamos pra sonhar, não é mesmo?). A tão almejada casa própria ainda é o maior sonho de grande parte da população brasileira. A situação não difere no mundo futebolístico. A maioria dos clubes do futebol brasileiro também está à procura de um lugar pra chamar de seu.

A questão é que esses projetos, quase sempre, não passam de um montante de papéis perdidos, esquecidos nas gavetas dos clubes. O sonho resiste ao tempo, assim como a esperança do torcedor, seja quais forem as cores defendidas por ele vorazmente.

A confirmação do Brasil como sede da Copa de 2014 foi o estopim para que explodisse os rumores de obra aqui, obra acolá. Planejamento, construções, capacidade, milhões, arrecadação: palavras que se espalham pelo território nacional como praga pelos campos.

Doutor eu não me engano


A história do estádio corinthiano virou deboche na boca dos demais times paulistas. Desde os anos 50, foram pelo menos sete, as especulações a respeito da construção do estádio alvinegro, tudo apresentado pela diretoria corinthiana. Parece conto da carochinha? Tire suas conclusões.

Em uma das campanhas pela construção do estádio, até Ernesto Geisel, presidente do Brasil na época, saiu em partido do time paulistano, bateu o pé e intercedeu para que o projeto não fosse engavetado. Novas promessas e mais decepções (como esta – VEJA). Pior é ler os comentários carregados de malícia de são-paulinos, palmeirenses, santistas & Cia Ltda.

Muitas foram as propostas: utilização do Parque São Jorge, modernização do Pacaembu, que poderia ser adquirido pela diretoria do Timão ou até mesmo construir em um terreno próximo a Itaquera.

Andrés Sanchez, presidente do clube, voltou a tocar no assunto no início deste ano, chegando a declarar que o estádio “estava mais próximo do que a torcida podia imaginar”. Estádio? Detalhe. Motivos para comemorar o Corinthians tem! A equipe está invicta no Brasileirão Série B, realiza uma campanha magistral. Espetáculo regido pela imensa nação alvinegra que dá um show a cada apresentação do time.

Arena Palestra saindo do papel

O sonho alviverde parece estar se tornando realidade. A Arena Palestra, para 45.000 lugares, é um audacioso projeto de, pasmem, 270 milhões de reais. A obra terá um belo e arrojado design e será construída em um período de três anos, substituindo o emblemático Estádio Palestra Itália, com capacidade para 28.000 espectadores.

As pretensões palmeirenses são as maiores possíveis. A diretoria do Verdão espera que o local seja utilizado no Mundial de 2014, ano do centenário do clube paulista. A arena – ainda na maquete - obviamente não consta na lista dos estádios candidatos a ser palco dos confrontos da Copa do Mundo, evento que retorna ao Brasil depois de 64 anos.

A diretoria palmeirense crê que a nova arena sai na frente na disputa pela sede, pois o Morumbi sofre com problemas de estacionamento, cobertura do estádio, além de não apresentar o conforto exigido pela FIFA.

Por hoje é só. Na semana que vem falaremos um pouco a respeito dos projetos de Cruzeiro e Atlético. Até lá!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A terra de (todos) os superlativos


Faltando exatos 30 dias para os Jogos Olímpicos de Beijing, o Sem Fronteiras começou ontem um raio-x dos anfitriões – a China.

O eterno país de Mao Tsé-Tung é destaque por ser o lugar dos superlativos, todos os possíveis.

Com essas olimpíadas os chineses estão tentando vender ao mundo uma nova idéia de seu país, mostrando todo seu vigor e grandeza. Porém, jamais poderão esconder, dentre seus superlativos, um não tão bom: o forte controle do Estado em todos os setores do país – cultura; religião, ou sua falta; economia, e um bastante interessante: a política.

Tudo bem, até podem pensar que estou ‘puxando sardinha pra minha editoria’, o que de fato pode até ser verdade, porém, a política interna da China é no mínimo, peculiar.

Na China, até as conquistas econômicas (citadas ontem aqui no SF) que não foram poucas, são controladas pelo governo. Por governo, entenda-se pelo Partido Comunista chinês. Uma economia de mercado, um capitalismo selvagem que é o deles, controlado por mãos comunistas. Mais peculiar que isso, somente as gírias futebolísticas do nosso presidente!

Embora o país tenha passado por profundas mudanças nos últimos 30 anos, depois da morte de um Mao, o Zedong em 1976 a China, começou a reformar seu socialismo, que já dava sinais de esgotamento. De lá para cá, muita coisa mudou, menos a hegemonia do chamado PCC. Por favor, não confunda com a hegemonia de outro PCC. Mal de sigla, creio.

A face mais cruel do PC chinês veio à tona em 1989, numa manifestação estudantil pró-democracia. A manifestação foi reprimida por tanques e fuzis. Na China, o PC proíbe muitas vezes ainda pelo uso de força bruta manifestações de qualquer natureza. Nenhuma delas, porém, proveniente de sindicatos, ou oriundas de greve: ambos são proibidos.

Se tudo é proibido então, uma eleição para um novo governo pode mudar isso, certo? Errado, é claro! Embora a constituição diga que o poder da República Popular (sic) da China seja do povo, até as eleições são passíveis de desconfiança. Lá existe o chamado Congresso Nacional do Povo, aonde foram eleitos os que seriam nossos deputados em cada um dos cantões (estados). Esses deputados, reunidos, discutem a agenda nacional e internacional chinesa e são os responsáveis pela escolha do presidente, que se dá a cada cinco anos.

Coincidência ou não, todos escolhem sempre o indicado do PCC, que desde sua fundação ocupa o posto de Chefe de Estado. Oposição? Sim, na teoria existe. Mas todos esses partidos, com cadeiras no Congresso existem para endossar as políticas do governo, muitas delas conhecidas: pela política de planejamento familiar, que visa estabilizar o crescimento populacional, há denúncias de abortos e esterilizações forçados.

Outra área que sofre intenso controle estatal é a mídia. Beijing limita o acesso às notícias dadas por veículos estrangeiros restringindo o uso de satélites receptores. Sendo assim, a China vê o mundo sob a ótica do PCC. Até mesmo o gigante Google teve que se adequar a regulamentação e ao controle das autoridades e restringir seus conteúdos de busca disponíveis. Se tiver o privilégio de ir aos jogos em agosto, tente digitar “Tibet” em algum computador. Não conseguirá absolutamente nada.

E é sobre o Tibet e a conturbada política externa chinesa que iremos discutir na sexta-feira. Até lá!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Olhos puxados para enxergar melhor

A genética do lucro “made in china” e seus ares socialistas

Brasileiro é assim. Vê alguém com o olhar puxado passar pelas nossas ruas, e, sem pestanejar manda: “É japonês!”. Ora, ora, ora! Esqueçamos estereótipos e miremos no oriente. Mas, não olhe o nascer do sol caro internauta, afinal, trato de economia. Também não falo da “Terra do Sol Nascente”. Há exato um mês para os Jogos Olímpicos, abrimos a série – China sem fronteiras – Os caminhos de Beijing 2008. Série válida a todas editorias.

As estórias infantis bem que contribuem com a fama chinesa. Em uma adaptação recente, o mundo conversa com a China. De repente, aquele indaga – Que olhos puxados você tem! – e da nação vermelha vem à resposta – É pra enxergar melhor! Brincadeiras à parte, os chineses viram a partir de 1978, na economia socialista de mercado, a saída para o crescimento médio superior a 10% por ano. Aliaram isso, a espetacular produção agrícola, com destaque para o arroz, à abundante matéria-prima energética e mineral, a exemplo do carvão. Assim, em 2007, o PIB chinês alcançou US$ 3,47 trilhões de dólares, aumentando 11,4% em relação a 2006.

Peço ao leitor que não entre em parafuso ainda! Afinal, a emergente China mostrou ao mundo sua receita para aliar lucro e socialismo em um só país. Com o interior dominado pela agricultura, fixada na porção oeste da república por meio de comunas, além de florestas, o presidente pós-revolução, Deng Xiaoping, começou a implantar métodos capitalistas na economia chinesa, através de reformas sociais e das ZEE (Zonas Econômicas Especiais), áreas abertas ao capital exterior e que oferecem incentivos fiscais e alfandegários.

O resultado da política do PC Chinês pôde ser vista por todos: US$ 1 trilhão em investimentos diretos estrangeiros; uma inflação média de 4,8% (em 2007); uma participação de 13% na economia do planeta; o posto de terceiro PIB mundial e graves disparidades regionais e sociais, como a média salarial do trabalhador chinês: US$ 50 a US$ 70/ mês. A massa de 300 milhões de operários, concentrada na porção leste, não conta com sindicatos independentes e ainda sofre com a concorrência da mão-de-obra advinda do Sudeste Asiático, ainda mais barata.

Um número chama mais atenção: 10% dos mais ricos detêm 45% da riqueza nacional, contra 10% dos mais pobres que têm somente 1,4%. Estatísticas que revelam o outro lado desta “República Popular”. Com 60% da população no campo, o país surpreende a todos pela quantidade de empresas estatais: mais 150 mil, o que faz o governo encorajar a privatização delas. Haja salários e dívidas para arcar! Depois falam do Brasil! Conhecer a um pouco da China, te animou, caro leitor?

Para que pensava que o país produzia apenas objetos piratas “made in China” e bilhões de habitantes a consumir o ar do planeta, eis a lição que eles deram ao mundo – como se faz uma verdadeira Olimpíada. Com as obras concluídas antes dos Jogos, o orçamento de US$ 2,1 bilhões das instalações não-estourado, com US$ 300 milhões investidos em segurança (500% mais barato que em Atenas) e 100 mil policiais nas ruas, junto a 60 mil voluntários e 300 mil câmeras, o país promete segurança, economia, espetáculo e lucro. É! Houve um crescimento de 0,8% a cada ano em decorrência dos Jogos Olímpicos de Pequim.

E na genética do lucro, palmas aos chineses! “Povo marcado, ê, povo feliz”.


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