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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O álcool na boca do povo

O companheiro entende de química? Não! Mas de álcool entende... - Imagem: Newscomex

O título sugere discussões como a Lei Seca, que entrara em vigor no dia 20 de junho do ano anterior, ou até mesmo os embates sobre a proibição ou não de bebidas em estádios de futebol, como o Mineirão. Contudo, não é preciso ser ingerido para estar na boca do povo, afinal o etanol brasileiro, mesmo após as descobertas de petróleo nas camadas de pré-sal, continua a figurar como um grande “pop star” das pastas de Minas e Energia e Economia, além de despertar a atenção e preocupação estrangeira.

Em resultado divulgado ao final de janeiro passado pelo Ministério de Minas e Energia, o álcool combustível bateu recorde de exportação, com a marca de 5,16 bilhões de litros, mais que o dobro de exportações de gasolina, realizadas pela Petrobrás, informa a assessoria do ministério. O preço do produto também subiu, 16%, sendo cotado a US$ 0,47. O total exportado em 2008, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA), foi 47% superior ao volume de 2007. Bons números, certo? Digamos que o álcool está na boca do povo. Mas permanecerá por muito tempo?

O crescimento das exportações nacionais deve-se a uma junção de fatores, dentre eles o aumento do barril de petróleo, que permaneceu por algum tempo cotado acima de US$ 100, a utilização do etanol com insumo industrial e a quebra da safra de milho do Meio-Oeste dos Estados Unidos, em decorrência de enchentes. Todos ajudaram a alavancar o produto no mercado. Na bolsa de Chicago, especializada em commodities, produtos de origem primária cotados nas bolsas de valores, o milho atingiu preço recorde. O resultado disso foi a importação por parte dos Estados Unidos, de 1,52 bilhões de litros, 30% do total exportado pelo Brasil.

Agora pensemos em 2009 e na crise econômica mundial. O presidente estadunidense eleito, Barack Obama, já anunciou cortes no setor econômico, e assim como o também democrata Franklin Delano Rosselvelt, eleito por quatro vezes presidente, entre 1932 a 1945 (quando faleceu antes de terminar seu mandato), Obama também pretende seguir a receita de Maynard Keynes e agir de forma protecionista, colocando o Estado para controlar as ações do mercado. Bom para a debilitada economia dos Estados Unidos, péssimo para o Brasil, que sofrerá com altas taxas alfandegárias que tendem a encarecer o etanol nacional frente ao etanol de milho deles. Caso a União Européia também assuma essa postura ante a crise, o álcool combustível perderá seus dias de glória e o doce sabor de 2008.

Se o contexto parece desanimador, eis um alento. O consumo interno de combustíveis também bateu recorde ano passado, com 105,9 bilhões de litros consumidos. O resultado apresentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revela outro ponto: o etanol assumiu a ponta dentre as matrizes energéticas consumidas por automóveis no país em 2008, a exemplo da gasolina e do gás natural veicular (GNV). Um fato que deveu-se a grande oferta dos carros total flex (que rodam a álcool ou gasolina) e pela adição de 3% de biodiesel ao diesel convencional, postando os biocombustíveis com 18,2% do mercado, de acordo com números da agência.

Se o preço do barril de petróleo e a política intervencionista de Obama entrarem em vigor, a tendência é que o preço do álcool possa cair mais e o produto de origem brasileira talvez ganhe definitivamente espaço e caia no gosto dos ainda receosos quanto ao custo-benefício deste combustível “limpo”, que é popular nos veículos e sob outro aspecto, nas mesas e bares de todo o país. Mas essa, já é outra história...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Contradizer para vencer

Qual caminho a tomar? - Imagem: Primeira Linha

Não só com velhas receitas se recupera a economia

Dos campos tupiniquins para as redações econômicas, é inegável o legado do filósofo das quatro linhas, bancos de reserva e das relações estressantes com torcedores e dirigentes - o senhor dos “baralhos”, Vanderlei Luxemburgo. “O medo de perder, inibe a vontade de vencer”, uma reflexão profunda, resultado de sua filosofia de trabalho, quiçá consequência de uma visita ao alfaiate, quando o rico treinador lança mão de uma quantia razoável de dólares para vestir seus ternos e camisas, detalhadamente engomados e absolutamente caros.

O luxo do treinador custa caro, os dirigentes cortam na folha tudo e mais um pouco para mantê-lo e inebriados pela máxima luxemburguesa, torram o último centavo para vencer, mesmo que roam as unhas com medo de perder. No hemisfério Norte, onde a posse de um novo presidente parou o planeta, a crise caiu de sola, e assola quem teme vê-la. Barack, leitor do best-seller de “Vandeco” (denominação usada pelo meu caro amigo, Daniel), promete enfrentar a crise como quem luta contra assombração - nada enxerga, mas tudo sente - e consciente da responsabilidade, recorre à velha receita keynesiana: a intervenção econômica, o contra-senso à política estadunidense.

Economistas e curiosos por meses a fio, decorreram sobre a crise, propuseram saídas, todavia, nem Obama, muito menos os homens dos jargões e dialeto criptografado - o economês, língua de burguês, que assusta o assalariado - disseram uma linha sobre um novo modelo político-gestor, que venha substituir o capitalismo, marujo cansado de velejar e naufragar. Voltemos no pós-1929. O bonde da modernidade retomou seu curso, somente após dez a doze anos, período marcado pelas ações de cunho social, que mesclaram corporativismo e social-democracia.

A Alemanha nazista seguiu uma receita similar para se reerguer, adicionando doses de ufanismo, xenofobia e anti-(socialismo e capitalismo). Claro que o Império de Hitler não é exemplo de conduta. Então, passemos a reflexão. Até quando os Estados liberarão quantias vultosas para salvar o mercado financeiro? Quantas vezes será preciso relembrar o prognóstico marxista, de crises de reconversão de trinta em trinta anos? Por que excluir, se precisamos acumular para sucumbir diante a crise? Não tente responder, é a lógica do mundo: CAPITALISTA. Queira mudá-lo!

Intervir fortemente na economia; lançar pacotes sociais que incluam programas assistencialistas, como o seguro-desemprego não contributivo; injetar dinheiro na melhoria da infra-estrutura do país, recaindo principalmente sobre a construção civil; utilizar mão-de-obra de alto custeio aos cofres públicos, como presidiários, em reformas, edificação de hospitais, escolas, túneis, pontes; e enxugar a máquina administrativa, são algumas das medidas propostas por Maynard Keynes, para contornar a grande crise em 1929. Velhas, talvez. Úteis, com certeza. Solução, parcial.

Pode soar utopia aos mais adeptos ao mundo dos cartões de crédito, bolhas financeiras e status social. Todavia, a saída para a crise está no espírito heróico e humano do desbravar. Grandes navegações, Homestead Act e o Imperialismo, por exemplo, impulsionaram a expansão, mas excluíram povos nativos, submetendo-os à força. Hoje, essas etnias marcadas pela escravidão, submissão e abandono surgem como a melhor saída para um novo tempo, em que mercados recentes e carinho podem colocar excluídos na rota do consumo, conferindo um novo gás à economia.

De energia renovada, esta poderia, quem sabe, recorrer ao baralho de Luxemburgo e retirar a carta da ousadia, assimilando o verdadeiro significado da globalização: relativo ou pertencente ao globo. Agora pergunto a você, trabalhador. Teu salário te permite dizer que vives em um mundo globalizado? A resposta é simples: sim, afinal, alguém tem que pagar o pato.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Um “tô nem aí” para a crise


Em meio à crise mundial, desencadeada pelo crédito subprime, que afugenta os principais mercados e instituições financeiras do planeta, um setor ignora a densa névoa vinda do Atlântico Norte e já prevê crescimento na ordem de 40% este ano. Ora, caro internauta sem fronteiras, falo do microcrédito, uma modalidade em fase embrionária, que desde a segunda metade da década de 80 no Brasil, vem sendo aplicada através da iniciativa das comunidades e com o apoio do poder público.

O volume de crédito ofertado em 2008 cresceu em todos os meses do ano e pretende aumentar ainda em 2009, é o que afirma o superintendente de microfinanças do Banco do Nordeste (BNB), Stélio Gama Lyra Júnior. “Estamos trabalhando com a meta de crescer 40% em 2009. Para o setor informal, não trabalhamos com cenário de crise”. A instituição detém maior fatia do mercado, atingindo 30% de aumento em relação a 2007, o que representa um empréstimo de quase R$ 1,1 bilhão.

Para Maria de Fátima Rodrigues, do bairro Serrinha, periferia de Fortaleza, a crise não existe. “Aqui não mudou nada. Só tem crise para quem tem dinheiro, muito dinheiro”, afirma. A senhora adquiriu um empréstimo de R$1 mil no Banco do Nordeste, em novembro, época em que os bancos informaram perdas milionárias. O mundo parecia reviver os rumores de um “tsunami”, mas no Brasil, com disse há pouco o presidente, chegava a marolinha (ele só não mencionou que seria para parte da população).

Saiba mais sobre o microcrédito

O microcrédito - o prefixo já denuncia o ultraje - é uma variedade de empréstimo, que no país, destina-se às camadas mais baixas da sociedade, que porventura, não tem acesso as formas convencionais de crédito. Uma política de microfinanças que, no governo Lula, ganhou força e notoriedade, junto aos incentivos ao médio-produtor.

Todavia, como o internauta deve ter percebido, o problema dos “micro”, é justamente a limitação financeira desta modalidade. O Banco Central (BC) limita a R$ 500 o desembolso para pessoas físicas e R$ 1 mil para pessoas jurídicas. Alguns consideram os créditos uma esmola do poder público. Não é o que diz a Fundação Getúlio Vargas. Em pesquisa realizada com 175 empresários de Heliópolis, São Paulo (capital), em 2007, a FGV revela crescimento de 60% dos nos negócios avaliados.

Este seguimento, antes dominado por agiotas, pode até ter conquistado uma fatia importante, mas não é segurança de crescimento e resolução dos problemas da população mais carente. A demanda do “micro”, cada vez mais popular entre àqueles recebedores do “mínimo”, ajuda a aquecer a economia de uma classe à margem até pouco tempo. Mas também gera problemas (ora, como diria meu amigo, adepto a ditados, “rapadura é doce, mas não é mole não”!).

Sem o devido auxílio e instrução, o desembolso ajuda, em muitos casos, a alimentar projetos inviáveis, gerando dívidas e mais desespero em sertanejos, comerciais das periferias de grandes centros urbanos, desempregados e demais cidadãos, que sonham em integrar a classe média, transformando-se em consumidores em potencial – de abrir a carteira, sacar o cartão e viver inundado de contas e privilégios que o operariado tem. Enquanto isso não chega, o microcrédito enche de esperança os lares menos favorecidos deste país de constrates.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

De reajustes a gastos

Novidades à vista no BC e a velha rotina do Planalto Central

Da terra dos candangos, a capital federal e dos homens de paletó que freqüentemente adotam a prática doméstica de lavagem (de exorbitantes quantias de dinheiro público), emergem grandes expectativas e decisões corriqueiras, que tanto calejam nossas retinas, tão fatigadas, como diria o poeta Drummond.

O último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central em 29 de dezembro de 2008, e que prevê o futuro das 100 maiores instituições financeiras do país, trouxe uma panorama animador para a economia brasileira, no que tange o ano de 2009: uma queda na ordem de 1,75% na taxa de juros, que hoje é de 13,75%.

A expectativa é que o índice Selic (taxa básica de juros brasileira) termine o ano que se inicia em 12%. Um reflexo da melhora do quadro nacional, que parece ter reagido bem às turbulências externas (algo que apontávamos desde o ápice da crise neste blog), elevando a previsão de crescimento do PIB de 2,4% para 2,44% e indicando para uma suave desvalorização do dólar, na ordem de R$ 0,10 em relação a US$ 1.

Assim como o saldo da balança comercial reagiu, frente ao relatório, a inflação, que no Brasil, é medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) da Fundação Getúlio Vargas, teve sua expectativa reduzida de 5,04% para 5,01%, pouco acima da expectativa traçada para 2008, em 4,5%, que ficou abaixo do teto da meta (intervalo de tolerância), dois pontos acima, que valem também para 2009.

Os números parecem pouco significativos? Então mudemos para o outro lado do Planalto Central, onde “mensalões” e “mensalinhos” começam em reboliço e terminam em pizza.

Ano novo, velhas rotinas

Insatisfeitos com suas residências em Brasília, os deputados federais, que recebem atualmente R$ 3 mil de “Auxílio Moradia” por mês, resolveram reformar 120 dos 432 apartamentos funcionais reservados ao uso dos parlamentares, inclusive os eleitos no Distrito Federal. A obra, orçada em APENAS R$ 44,4 milhões (em plena crise econômica mundial), prevê alguns mimos como banheiras de hidromassagem, porcelanato e indispensáveis triturados de alimentos. Aposto que o leitor tem um desses em sua residência, não? (veja o estado dos apartamentos na foto ao lado - G1)

Já pelos lados do Judiciário, o STF adquiriu 55 telefones criptografados, protegidos contra grampos, através da codificação de diálogos e mensagens. A ONG Contas Abertas informou que R$ 380 mil foram gastos na compra de 20 celulares e 35 telefones fixos. Cada unidade custou aos cofres públicos R$ 5 mil e R$ 8 mil, respectivamente.

A assessoria de imprensa do Supremo alega que o departamento de informática da instituição estudava o acesso de ministros e secretários a serviços on-line. Contudo, somente os celulares criptografados realizam operações pela página na web do STF e rede Intranet (interna).

Os aparelhos funcionam somente entre àqueles de mesmo sistema, o que não garante a segurança dos ministros. Gilmar Mendes, presidente do Supremo, e o senador Demóstenes, tiveram uma ligação interceptada ano passado, quando Mendes correu risco de impeachment após dois habeas corpus cedidos ao banqueiro Daniel Dantas, durante a Operação Satiagraha.



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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Com todo o gás?


Medo acerca da formação de um cartel inflama exportadores de gás e cria temor nos EUA e UE

Da gélida e emergente Rússia surgem as primeiras faíscas de uma grande fogueira, apelidada “carinhosamente” de a “OPEP do gás”, cartel que controlaria a produção e a exportação dessa fonte de energia no planeta, monopolizando preços, tal como faz há anos e após algumas crises, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A convocação de uma cúpula de formação ontem (dia 23), em Moscou, foi o cálice de vodka a circular nas veias da Gazprom, monopolista do gás russo.

Países como a Venezuela, comandada pelo general-presidente Hugo Chávez, a Bolívia do "grande amigo ianque" Evo Morales e o Irã, do não menos polêmico Mahmoud Ahmadinejad, fazem parte do possível grupo de 14 exportadores, que ainda contará com Argélia, Líbia, Indonésia, Catar e será encabeçado pela cabeça mais fria do grupo: a Rússia (que se leve em conta o fator clima e experiência com guerra).

A reunião dos 14 ministros de Energia dos países envolvidos deixou “todo mundo em pânico”. Brincadeiras à parte, EUA e EU já demonstram insatisfação e temor quanto a possível união. A Gazprom ressalta que não é possível seguir o modelo de cotas, no qual a OPEP se apóia, uma vez que os contratos de gás funcionam a longo prazo e o acordo entre fornecedor e cliente é que define o patamar financeiro, bem como as obrigações, ressalta o vice-presidente da estatal gasífera russa, Alexander Medvedev.

Àqueles que crêem em uma conspiração anti-estadunidense, fica a informação de que antes mesmo de assinar o estatuto nesta terça-feira, os países envolvidos já haviam se reunido em 2001, só que informalmente. Rússia, Irã e Catar detêm cerca de 50% das reservas mundiais, e por isso, coordenaram as ações para criação da organização (e não cartel, será?), que visa coordenar a política de gás, trocar informações entre membros e estabelecer ações de marketing. Após ler este trecho, lembre-se: eles não têm a intenção de tornarem-se um cartel!

O fato do transporte do gás ser praticamente realizado via tubulações, devido ao alto custo do congelamento do gás, obriga um acordo de países, mas, diferentemente do que os dirigentes russos apontam, não inibe a padronização de preços no mercado mundial, com sua cotação baseada em moeda padrão – o dólar – se esta conseguir manter sua hegemonia.

A razão das discussões encontra-se na dependência criada entre o bloco europeu e dos Estados Unidos quanto ao gás russo. Ambos procuram alternativas viáveis, como os biocombustíveis, contudo esbarram na necessidade da indústria, que utiliza do gás para a produção. As raposas treinadas na Sibéria tramam um mecanismo de controle da produção mundial, mantendo sua hegemonia e os "gasodólares", pagamento pelo líquido e volátil gás natural.

E a cada dia que passa, reafirmo minha teoria anti-naturalista estadunidense. A dieta deles não é natural, eles têm aversão aos efeitos da natureza e se não bastassem os Katrina’s da vida, há um gás NATURAL a consumir a artificial reserva financeira do país, que entra em recessão e volta aos céus, obra da natureza, para clamar por piedade. Lamentavelmente, os céus não têm ouvidos. Só nuvens e gotículas de água, naturais, tão naturais!


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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nada de esconder a poeira debaixo do tapete


As densas névoas advindas do Oriente Médio aproximaram-se dos Estados Unidos, deixando o tempo nublado, com possibilidade de temporais e “tufões econômicos”. O governo republicano de George W. Bush, não crente no sucesso das previsões do tempo e seduzido pelo petróleo e pela vingança, entrou em uma guerra de armas e final tramado: vitória pelos ares, destruição por terra. O cidadão estadunidense acostumado com as cenas de “bang bang” assistiu de camarote ao espetáculo em sua casa própria, maior bem para a classe média deste país. Só se esqueceram de um porém: a ficção é doce, mas dura pouco.

O insucesso ante os ex-aliados Osama e Saddam, culminou junto ao problema do crédito subprime, insuflado pelo governo como forma de contornar a queda das Torres Gêmeas e a destruição de parte do Pentágono, causas da fuga de investidores, domada pela queda na taxa de juros e pela segunda hipoteca, que levaram ao consumo, a classe média dos Estados Unidos, aquecendo novamente a economia. O balde de água fria viria em seqüência, com a demasiada oferta ante a procura escassa por imóveis. Resultado: o carro ianque ao pisar no freio, viu-se desgovernado (neste trecho é admissível dupla interpretação, caro amigo).

Declarações de “tô nem aí” surgiram aos quatro cantos. Bush simplesmente ignorou as fortes correntes de ar que apagavam as já fracas chamas financeiras estadunidenses. McCain considerou o momento com “um ataque de histeria de economistas e do povo”. Lula qualificou o provável tsunami como simples “marolinha” aqui no Brasil. Sarkozy não se preocupou com a queda do PIB francês no segundo trimestre deste ano. Declarações passadas. Afinal, o tempo fechou e as línguas “soltas” de tais políticos ficaram guardadas em seu devido lugar (sem ofensas!).

A decisão do bloco europeu, tomada domingo (12), sobre a estatização ou compra de uma parcela significativa de ações das grandes instituições financeiras européias, animou o mercado, que se recuperou parcialmente das perdas da semana anterior, fora acertada e necessária. Entretanto, a garantia dos empréstimos entre bancos até 2010, o empréstimo de dólares, como sinal positivo ante a crise, e os US$ 2 trilhões, distribuídos entre 13 países da zona do euro, junto à Inglaterra e Rússia, não fecharão as feridas abertas com a crise. Uma regulação dos investimentos em nível mundial e alterações na taxa básica de juros fazem-se necessárias ao momento.

Bush, a fim de “evitar a fadiga”, também seguiu a linha européia e destinou US$ 250 bilhões à compra de ações desvalorizadas das instituições financeiras dos Estados Unidos, além de garantir novos empréstimos bancários por três anos e saldar as dívidas atuais. Eis que a grande potência capitalista vê-se contradizer seus princípios, nacionalizando parcialmente os bancos. Mesmo assim, sob forte pressão, o mercado não reagiu com se esperava e voltou a retrair, após altas de 14% na Bovespa (dia 13) e em Tóquio (dia 14), por exemplo.

O mundo está em pânico. E, provavelmente, não mais assistirá aos filmes de cowboys, loucos a traçar batalhas insanas. Pagaremos um alto preço durante pelo menos dois anos, graças às peripécias de um governo incapaz de voltar-se para si e preocupar-se com sua nação tão somente. O mundo não precisa de generais de guerra. Precisamos de administradores e políticos capazes de enxergar que a crise só será contornada com colaboração dos estados centrais, daqueles em estágio de desenvolvimento e com o incentivo à emergência de novos mercados consumidores, que poderão dar um fôlego a este corredor cansado e ultrapassado: o capitalismo.

Por isso, nada de esconder a poeira debaixo do tapete!


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terça-feira, 7 de outubro de 2008

O lado bom da crise


Entre abalos e ganhos, Brasil pode atingir uma posição confortável ante a crise

Eis que a crise germinada no setor imobiliário expandiu-se rapidamente pelo mercado financeiro. O rastro de pólvora lançado aos ares, por Osama Bin Laden, com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, consumiu-se, acendendo a chama cálida da clemência. Ora, ora! Deixemos o tom formal de lado e passemos direto ao que interessa – espero que a você, caro internauta, a quem dedico algumas horas todas as terças. Das cinzas e estilhaços da crise, poderá emergir um novo Brasil, um país apto a enfrentá-la com força e acima de tudo, com competência (não é piada, amigo sem fronteira!) e sorte.

Os países-baleia ou Bric’s, jargões econômicos representativos das quatro grandes nações emergentes – Brasil, Rússia, China e Índia – chegaram a ser apontados como portadores da “síndrome do crescimento” e, por isso, não seriam acometidos pela crise iniciada nos Estados Unidos, fato inverídico, uma vez que os países centrais (ou desenvolvidos) respondem por, aproximadamente, 52% da economia global. Os primeiros impactos já são sentidos, contudo a economia brasileira apresenta indicadores de estabilidade, mesmo projetando-lhe frente a uma crise de ordem mundial.

O “crescimento tartaruga”, sinal de anos de políticas internas em constante mudança, começou a mudar no final da primeira administração Lula, com a queda da taxa de juros e superávits do PIB nacional. Só os novos tempos tardaram em relação aos outros emergentes, levando o Brasil a uma menor proporção das exportações no PIB. Hoje, talvez, poderemos comemorar tal sorte, ou azar. É que a menor dependência das exportações na economia, permitirá ao país, uma sobrevida maior que a de muitas nações emergentes e desenvolvidas.

O peso das exportações no PIB é da ordem de 14%, contra a média 40% para os demais emergentes. Os números demonstram o caráter ainda fechado da economia nacional, que pode ser um fator positivo ante a crise, minimizando as perdas. Outro fator importante são a solvência (capacidade de responder por seus compromissos com recursos próprios – seu patrimônio e/ou ativos) e liquidez (capacidade de transformar fundos, ativos, patrimônios em dinheiro rapidamente) dos bancos tupiniquins. Quem diria! Após uma história marcada por inflação, recessão e dívidas crescentes, temos agora, o que comemorar!

As labaredas do dragão da carestia carecem por visibilidade. É claro que a inflação preocupa, ainda mais em tempos difíceis, mas a cautela adotada pelo Banco Central, aliado ao fato do real não estar extremamente sobrevalorizado ante ao dólar, pode criar novamente, um clima favorável ao país, que terá o dólar próximo de um patamar aceitável (se as expectativas se confirmarem), na casa de R$ 2,50, ruim para as importações, mas facilitador para exportações.

As commodities, produtos de origem primária, serão a grande preocupação nacional, uma vez que representam 50% da pauta de exportações nacionais. Contudo, a dependência mundial em relação ao petróleo, junto a necessidade crescente de grãos para a produção de biocombustíveis e alimentação animal, permite-nos dizer que você, que trabalha horas afinco e, mesmo cansado, exausto e preocupado, prestigia o trabalho aqui realizado, pode respirar mais aliviado. Por hoje! Afinal a economia surpreende e até que se prove o contrário, está é apenas uma versão otimista acerca da forte crise que bate na porta e não pede, sequer, licença para adentrar os lares mundo afora.

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terça-feira, 30 de setembro de 2008

De Lulu para Lula

A maré ainda está para peixe, presidente? - Via blog Leituras e Opiniões, de Luis Favre

“Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”. É do cancioneiro popular, Lulu Santos, uma das mais adequadas explicações acerca do momento econômico mundial, que resgata cenas arrepiantes, como a quebra (crack) da Bolsa de Nova Iorque, em 1929. O amigo internauta, que há algum tempo acompanha este editor, lembrará das postagens anteriores sobre a crise estadunidense. Explicações, dados, citações e pensadores foram levados até você e agora, vale a pergunta: o que NÓS BRASILEIROS temos haver com as oscilações do mercado ianque? Resposta: leia abaixo.

A crise deu seus primeiros indícios há cerca de um ano, quando os títulos subprime ocasionaram problemas quanto ao não pagamento das hipotecas. Eles facilitaram a compra de imóveis à classe média, mas inundaram o mercado de oferta. Sem compradores, inúmeros bancos apresentaram sinais de instabilidade, relativo às dívidas realizadas por seus clientes. Alguns faliram, como é o caso do Lehman Brothers, já citado por esta editoria.

A questão estadunidense provoca um efeito em cadeia. A Europa, o Japão e o Canadá, por exemplo, tem entre seus papéis, o famigerado subprime. O Brasil felizmente não conta com tal “bomba-relógio”. Contudo, as perdas de instituições bancárias, tidas como sólidas, fizeram com que o mercado perdesse confiança, contraindo o crédito. Assim, o dinheiro tira férias sem poder viajar. Em casa, parado, ele esfria a economia, permitindo ao banqueiro emprestar tais “raridades” a juros exorbitantes. É algo semelhante ao chumbo, encolhido, mínimo, mas de grande peso para quem o alcança.

A conseqüência do congelamento do crédito é a contração do crédito, que prejudica a pessoa física e jurídica e leva os BC’s dos países a criarem linhas de crédito especiais ou a leiloarem suas moedas, o que pode desestabilizar de uma só vez a economia, suscetível a solavancos. Sem dinheiro disponível no exterior, o Brasil transforma-se em mais um refém da crise, o que fará a renda e a taxa de emprego cair no país. Mesmo assim, nosso amável presidente, que vê a bolsa cair, o crédito sumir, as ações despencarem e que após todos esses problemas, cresce em popularidade (haja carisma), manteve seu discurso de solidez nacional frente à crise. Uma pausa: manteve?

Ora, Lula, o profeta dos sertões, cidades e do planalto central, sabe que sem crédito, as exportações perderão fôlego e o PIB continuará caindo, uma vez que o crescimento do consumo e da produção (permitida através do investimento empresarial) sustenta os bons números da economia na gestão Mantega. “De volta ao planeta Terra”, o presidente já cogita a volta da inflação e, na pior das hipóteses, recessão. O Banco Central já age através dos depósitos compulsórios, que retêm parte dos lucros dos bancos no órgão federal. Que essa compulsão não retenha também, o dinheiro necessário para o sustento das classes menos abonadas! Nunca é demais relembrar.

A desvalorização das bolsas, um dos efeitos da crise, faz o capital especulativo migrar para investimentos mais seguros, deixando as zonas de perigo, Na fuga do rebaixamento financeiro, acionistas retiram volumes grandes de dinheiro da Ibovespa e de outras bolsas, fazendo o dólar, moeda forte, prevalecer, reduzindo o poder de compra, maior com o dinheiro estadunidense em queda. A desilusão mercadológica prova quão verdadeiras e enfáticas foram os versos de Lulu, afinal "nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia". A Lula resta driblar a "onda no mar", ou de fato, tomá-la, junto a inúmeras economias mundo afora. Todas despreparadas para as desventuras de um mundo mais que globalizado.


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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Medo de montanha-russa?


Interligado à natureza humana, o medo nasce de aversões que nosso cérebro cria, a fim de se distanciar de elementos que lhe causam estranheza. Visitas aos parques de diversão são momentos em que as angústias se afloram. Onde a criança, desde cedo, passa a cultivar as reações ante ao perigo de vivenciar alguns momentos e, depois, a atordoa-se ao relembrá-los. A montanha-russa, brinquedo banal a uns e temível a outros, não mais assusta crianças e jovens, que liberam a adrenalina e curtem loucamente o sobe e desce frenético. Pais, mães e assalariados, eis que vocês são vítimas! Não reprimam seus medos. Permaneçam e leiam atentamente a postagem.

O vendaval de nome subprime arrasa economias pelo planeta. As mais vulneráveis às oscilações, ou seja, as frágeis e dependentes do mercado externo, tendem a sofrer mais que as outras nações com a força das rajadas de vento, causa pela instabilidade do setor imobiliário estadunidense. Esta fez com que os consumidores não pudessem vender seus imóveis e assim, perdessem poder aquisitivo, esfriando a economia ianque. O cada vez mais escasso dinheiro em circulação levou alguns bancos à falência, pela enormidade de dívidas. No Brasil, brisas já podem ser percebidas! Afinal, sempre estamos em todas: as crises.

O caro amigo terá, agora, a resposta para seus medos! A montanha-russa gerada pela crise imobiliária, responsável direta pela queda vertiginosa do dólar no primeiro semestre de 2008, aliada ao período de eleições nos Estados Unidos, fez com que as bolsas de valores desse país oscilam-se e deixassem o mundo em pânico. O sobe e desce levou ao mal-estar de Ban-Ki moon, secretário geral da ONU, que pediu aos membros participantes, uma liderança em caráter mundial, que consiga articular países em torno de uma mobilização econômica ante uma possível crise mundial.

O novo capítulo do sobe e desce desenfreado ocorreu hoje (23). A resistência congressista em aprovar o pacote anti-crise, proposto por George W. Bush, arrastou as bolsas mundiais para baixo, fazendo com que a Bovespa acompanhasse a queda. Para o fundo do poço foram as ações da Petrobrás, líder dentre as ações da Bolsa de Valores de São Paulo. A fuga de capital acontece, devido aos fantasmas do mercado internacional, que fez das ações da petrolífera nacional e da Companhia Vale do Rio Doce, papéis de expectativa futura.

O fundo estadunidense pretende injetar mais de US$ 700 bilhões na economia, para que seus mecanismos voltem a girar através do consumo, 70% do que é arrecadado no país. Contudo, detalhes como a viabilidade do plano, não foram analisados. Os rombos nos cofres públicos preocupam ainda mais, uma vez que o alarme tomou proporções mundiais, e valores passam a ser mero fator de estímulo ao consumo, e, não mais, solução para o combate à crise. Reestréia “O Pânico”. As fábricas fecham às portas e os ricos também choram! Eis um final mexicano com tempero americano!

A recessão nos Estados Unidos, período de queda na produção econômica de um país, dá seus primeiros suspiros ofegantes. A UTI – Unidade de Tratamento Imersível – das potências aguardava ansiosa à espera de seu paciente mais ilustre, avesso às profundezas da submissão. Resta saber quantos SAMU’s serão necessários para mover os pacientes restantes, vítimas de uma montanha que há tempos deixou de ser russa ou estadunidense, e passou a ser brasileira, britânica, japonesa, alemã, sul-coreana, chinesa, sul-africana...
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terça-feira, 16 de setembro de 2008

As fragilidades de um gigante aborrecido

Crise estadunidense coloca mundo e candidatos à presidência em estado de alerta

Talvez o presidente Lula desconheça, o que não vem a ser uma novidade, contudo a crise do setor imobiliário nos Estados Unidos começa a atingir seus limites mais extremos. O panorama traçado por analistas confirmou-se após o pedido de concordata do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos estadunidense. Se o caro internauta questionou-se sobre o Quico, saiba que, indiretamente, poderá haver abalos no seu bolso, referentes à quebra dessa instituição que emprestava dinheiro a financeiras mundo afora. O Goldman Saches, maior banco ianque do setor, sofreu perda 70% e também preocupa o mercado.

Diante do quadro de vertigem sócio-econômica, os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, lançam suas diretrizes governamentais, demonstrando suas visões discrepantes acerca do tema. O republicano afirmou ontem (segunda-feira, 15) que as bases econômicas são sólidas e que o necessário é focar no elemento primordial: o trabalhador. Já o democrata rebate, colocando contra a parede o governo Bush e atribuindo-lhe a culpa pela situação atual.

Sob o ponto de vista tributário, McCain defende a redução de impostos sobre o benefício das empresas, de 35% para 25%, congelamento de gastos não-militares para contenção do déficit público e ainda, prega a diminuição da carga tributária às famílias de classes média alta e alta. Quanto à crise, o republicano pretende trabalhar com uma rede regulatória, que traga ainda mais transparência financeira, reafirmando o espírito liberalista republicano.

Obama propõe a anulação dessas taxas, aumento do imposto sobre lucros de capital (dinheiro destinado a investimentos), que incide principalmente sobre as empresas, propõe investimentos na ordem de US$ 200 bilhões em infra-estrutura (ação voltada ao combate do déficit federal) e por fim, defende a diminuição de impostos sobre as camadas mais baixas, com isenção deles para idosos que recebam menos de US$ 50 mil anuais. Em relação ao panorama atual, Obama, mais intervencionista, propõe um fundo para reestruturação econômica e outro, a fim de amenizar os juros sobre hipotecas imobiliárias.

No âmbito das relações internacionais, o democrata, senador pelo Estado de Illinois, explicou a France Presse, que há necessidade de se revisar acordos comerciais, como o Nafta, engendrados para proteger o cidadão estadunidense. Já McCain apóia a ampliação das relações comerciais, exceto com países do “Eixo do Mal” ou ligados a eles, com os quais pretende traçar planos militares de ação antiterrorista,

Eis que o gigante aborrecido pede compreensão, após anos de hegemonia mundial, consolidada em 1989, com a queda do Muro de Berlim e com as sabidas fragilidades do eixo socialista soviético. O sinal amarelo fora acionado. Essa potência treme; se projeta na condição de enferma, mas sequer cogita a hipótese de dar o braço a torcer a fim de pedir socorro, ligando assim, a sirene vermelha do pânico, temida por todo o planeta. E em resposta ao Quico, digo-lhe: entre Obama e McCain, que venha o mais preparado! O mundo aguardará ansiosamente por novos capítulos desse vôo turbulento sobre o planeta.

Caro amigo sem-fronteira, uma catástrofe estadunidense será mais que um evento isolado. Será uma depressão de ordem mundial. E assim, o gigante se aborrece, mas não se esquecerá jamais de suas fragilidades. É o que esperamos.

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

De Evo ao desespero


Um país, o gás e o medo de jaz

Amantes de Coca e militantes de esquerda, uma união aparentemente improvável. Por ora, aliar consumo e desapego a bens materiais soa estranhamente ao leitor, que talvez ligue estas pontas da corda aos anos 60 e 70, quando vários jovens aderiram idéias socialistas, sem desvincular-se do prazer de consumir uma coca gelada. Em 2005, a Bolívia, país cocaleiro, conheceu o indígena que levaria o país a se destacar nos noticiários latino-americanos e até internacionais: o senhor Evo Morales.

Eleito com a ajuda do influente e não menos populista, Hugo Chávez, Evo assumiu o país com ideais nacionalistas e com o pensamento de mostrar uma nova Bolívia aos parceiros e vizinhos. Uma república popular, que além da coca, produz minério na região de Santa Cruz de la Sierra e Potosí, e o não menos importante, gás natural. Aliás, fora este produto advindo dos campos de exploração bolivianos que gerou a primeira grande polêmica do governo Morales.

Saindo do campo político para o econômico, o presidente boliviano pôs em prática, um dos seus planos de gestão: a nacionalização do gás natural. Desta forma, todas as empresas privadas do ramo, inclusive a Petrobrás, a maior e mais influente na Bolívia, foram entregues às Jazidas Petrolíferas Fiscais Bolivianas (YPFB). A quem tenha “rodado a baiana” com o momento “Lula paz e amor”. Se a autoridade maior da nação, declaradamente, nada vê e ouve, esse editor enxergou a ferida se abrir ao vento e sagrar.

A dependência nacional criada acerca do gás boliviano tornou-se nítida aos olhares do mais leigo dos brasileiros. Hoje, pagamos a duras penas, o pato pelos governos passados terem perdido o bonde da história, não investindo no gás natural. A compra de gás da Venezuela e as pesquisas e produção na Bacia de Campos minimizaram o problema, entretanto na curaram a chaga. Se neste momento, o caro amigo internauta, lê este texto imaginando no que poderá a vir de pior por trás desses erros, respire fundo e tome uma água.

A Bolívia garantiu que cumprirá com o fornecimento de gás ao Brasil e a Argentina. A questão é a necessidade que o país tem em garantir reservas prováveis do combustível, algo em torno de 498 bilhões de m3 até 2031, para os contratos em vigor com os países citados. E mais 519 bilhões de m3 para novos acordos. A estatal boliviana crê em 617 bilhões de m3 prováveis, mas o governo deve investir quase três vezes menos que os analistas recomendam para que a república atinja suas metas.

Se o caro internauta possui um veículo movido a gás natural, não se desespere por enquanto. O fornecimento está controlado e as perspectivas negativas são futuras, podendo ou não ser confirmadas. No entanto, vale o alerta e a atenção acerca dos atos da pasta de Minas e Energia, que durante anos se voltara ao investimento hidroelétrico e que somente agora, destinara valores significativos na descoberta e ampliação de outras fontes, como o gás natural, o petróleo de águas profundas e as energias renováveis, como os biocombustíveis.

Enquanto isso, a Bolívia, em pé de guerra, em meio às velhas discussões políticas entre mineradores e cocaleiros, perde o gás e se pergunta: o que mais?


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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pré-sal: o retorno

O campo de Jubarte, no litoral do Espírito Santo, presenciou hoje (terça-feira, dia 02) o pontapé inicial para aquele que, segundo Lula, será o principal mecanismo de combate à pobreza: o pré-sal. A você, caro internauta sem-fronteira, digo: pode parecer total ausência de criatividade ou desleixo meu, retomar tal tema, com tantos outros em pauta, a exemplo da economia estadunidense com Obama e McCain, com a provável elevação da carga tributária e outras cositas más. Entretanto, haverá tempo para que esses assuntos venham à tona. Por isso, sem mais delongas!

O presidente Luís "Pré-sal" Lula da Silva afirmou hoje suas reais intenções com a descoberta da Petrobras. O autoridade maior do Estado brasileiro crê que daqui a um ano, o país possa gerar barris em grande escala, alterando significativamente o curso da economia nacional. Ainda em entrevista concedida nesta manhã a veículos de imprensa nacionais e locais, ele qualificou como "inusitada" a polêmica acerca da nova gestora do petróleo advindo do pré-sal, afirmando que a Petrobras é a mãe da industrialização nacional. Uai, será que o Lula se esqueceu que ele gerou a "Petrosal"? Pelo menos uma coisa parece certa: suas intenções pós-parto são as de aproveitar o dinheiro acumulado como o rebento para repartir com seus irmãos mais necessitados.

O presidente finalizou a rápida declaração à imprensa, elucidando o outro objetivo a ser atingido com as novas reservas. Investir na educação, que segundo ele fora esquecida e despreza século passado. É amigos, as idéias do senador Cristóvam Buarque (PDT) pegaram carona para Brasília, depois de saírem de lá anos atrás.

Ao internauta-leitor do Sem Fronteiras encerro os trabalhos desta terça-feira (dia 02). Mas antes, confira a charge animada produzida pela Equipe do Anima Tunes, Mike Mattos e Baltazar Paprocki, "Quem sabe improvisa ao vivo...".



Saudades do bom e velho Lula?

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Robalos, roubados e o pré-sal nacional


Campos tupiniquins, dança da chuva e o faz-de-conta que o petróleo será nosso

Generosa e imprevisível. Fora assim a “Dança da chuva” na Petrobrás, empresa brasileira criada na Era Vargas e que hoje é a quinta maior do mundo em capital. Ao som de tambores, evocações governistas e aos olhares atentos de especialistas, crentes no milagre petrolífero nacional, desenvolveu-se a técnica de exploração em águas profundas. Resultado de inúmeras pesquisas, o novo método de exploração permitiria que o petróleo fosse retirado a mais de 6000 metros de profundidade, em um território denominado pelos geólogos como pré-sal, a menina dos olhos de ouro de investidores nacionais e internacionais.

Se o amigo internauta se espantou com o nível tecnológico criado por especialistas brasileiros, saiba que nesse país, além de corruptos, “políticos que não sabem de nada e se quer vêem alguma coisa” e candidatos excêntricos, há também pessoas sérias, que porventura, não deixaram o país em busca do paraíso dos dólares, euros e do reconhecimento. Ainda! Vale ressaltar. Bem, entre campos e suas variáveis indígenas e interplanetárias, como é o caso de Tupi e Júpiter, prefiro as denominações aquáticas, tais como Roncador e Namorado, que poderiam dar vez aos Roubados. Perdão! Robalos da vida.

Peixes à parte, foram inúmeras reservas de pré-sal descobertas pela Petrobrás, somente esse ano, o que gerou cobiça e polêmica. Por isso, preste atenção daqui em diante (se é que já não estava), afinal o tema é de interesse nacional. Em uma atitude típica dos tempos de líder sindical e esquerdista convicto, Lula revelou o desejo de criar uma estatal para gerenciar o óleo e o gás advindos do pré-sal. E segundo conversa do presidente com o jornalista Kennedy Alencar, os recursos seriam destinados ao combate da miséria, aplicados na educação e em benefício da população. Lembraram do povo? Muita calma nessa hora!

Essa é a vontade do presidente e dos legisladores. Ao que tudo indica, estes não criarão impasse algum para que a nova companhia petrolífera, voltada ao pré-sal, seja aprovada. Estima que somente o Campo de Tupi tenha a capacidade de produzir mais de 8 bilhões de barris, mais de 50% da produção atual da Petrobrás. O faturamento gerado com a exploração do pré-sal é ainda mais espantoso: R$ 4 trilhões, uma quantia inimaginável pelo amigo leitor, não?

Anos atrás, lotes de ações da Petrobrás foram colocados à venda na Ibovespa por valores abaixo dos atuais. Esses investidores ajudam a empresa a ser tornar a principal instituição nacional, com 17% do montante de ações que circulam pela Bolsa de Valores de São Paulo. A empresa que eles são acionistas investiu e descobriu campos e a técnica necessária ao pré-sal. E agora os lucros vindos desse petróleo não serão deles? Fica a dúvida.

Quanto à população, uma pergunta ficará no ar. Se a Petrobrás é nacional, não seria justo e correto que todos fossem beneficiados com os recursos da menina dos olhos de ouro, melhor dos “óleos” de ouro? Parece que as ambições de Lula e do povo brasileiro podem terminar em pizza! Mais uma dúvida paira no ar e na cabeça do trabalhador, que reza, mas não se livra da urucubaca e das assombrações que aparecem, seja em Júpiter ou Brasil. Agora me diga: quem será roubado nessa história?


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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sem choro, nem vela

A insurreição da falecida, digo da CPMF, não foi necessária para que o governo federal atingisse uma marca histórica ao longo dos sete primeiros meses de 2008. Os impostos e contribuições arrecadados flertaram a casa dos R$ 400 bilhões. Desde que namoro dos comandados de Lula com o imposto sob o cheque terminou, em dezembro de 2007, quando a oposição vetou a Medida Provisória que prorrogaria a referida contribuição até 2010, a cúpula petista que se encontra no poder nacional estuda qual seria a melhor substituta. A solução foi adotar a “poligamia tributária”.

A você, amigo(a) internauta, responsável direto pelo sucesso dessa editoria, que superou a marca de 100 comentários, mesmo com postagens semanais, devo-lhe uma explicação quanto à festa governista relatada acima. A perda da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) deixou nos cofres públicos um desfalque da ordem de R$ 40 bilhões/ ano. Para minimizar a situação, vieram direto do Palácio do Planalto, ordens explícitas para que as então, contribuições em segundo plano, se tornassem esposas de papel passado. Resultado: elevação da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Contudo, a CSLL, cobrada das empresas, e o IOF foram apenas a cereja no farto e recheado bolo tributário, que contou, sobretudo, com o crescimento da economia, puxada por setores como a mineração, os combustíveis, a metalurgia, os veículos automotivos e a construção predial. Essa conclusão é da Receita Federal, mas poderia ser de qualquer um trabalhador. Afinal quem paga o grosso dos impostos são as classes mais baixas. Veja por exemplo o IR (Imposto de Renda), que arrecadou mais de R$ 115 bilhões, no acumulado de janeiro a julho deste ano.

Ainda sobre o IR, percebe-se que as garras do leão avançaram de maneira mais intensa sobre o trabalhador. Calma amigo! Não chores! O dia é de luto pela queda dos selecionados de Dunga, mas também de alegria, afinal os comandados de Lula passaram uma borracha sobre a falecida. Que Deus a tenha. Bem longe de nós, é claro! Voltando ao Imposto de Renda, vê-se que R$ 60,63 bilhões estouraram sobre a pessoa física, contra R$ 54,5 bilhões sobre a pessoa jurídica. Ganhamos de barbada!

Antes que me despeça do caro amigo(a) internauta, gostaria de propor-lhe um exercício de memória (logo eu, que admito ter uma péssima!). Nada de informar os preços da lista de compras ou fazer um esforço hercúleo para lembrar em que candidato você votou nas eleições passadas. Não, trata-se de uma irmã da CPMF, aprovada em junho desde ano. Esqueceu, então clique AQUI. Agora que lembras, fecharei meu post como há 63 dias, para ser mais exato, no dia 17 de junho de 2007. Pois que avisa, amigo é!

“Será necessária a criação de mais um tributo? Bem, se pensas que sim e queres imposto, ai que desgosto! Nada melhor do algo ‘Contra Seu Salário’! E assim segue a economia, mia, mia! Queres um lenço para melhor chorar?”. E não adianta nem choro, nem vela.


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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Haja coração, amigo!

Uma esmolinha pra virar burguês! - do blog Palavra Literária

Bem, amigos do Sem Fronteiras – A informação nos leva ao mundo, nós levamos a informação até você – estamos de volta para que esse editor, não obstante, abra seu artigo com algo marcante, trazendo-lhe fatos da economia com bom humor. O caro internauta provavelmente matará a charada, mas certamente não saberá o teor da piada. Ainda! Afinal, muita água há de rolar e para tratarmos dos solavancos do mercado de ações, nada melhor que a emblemática frase do jornalista Galvão Bueno: “Haja coração, amigo!”.

A edição de domingo (10) do Jornal Hoje em Dia, um dos grandes veículos impressos da capital mineira trouxe aos seus leitores, um panorama acerca da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Segundo a reportagem, desde agosto de 2007 até julho de 2008, os títulos de maior liquidez, ou seja, papéis que o investidor consegue se desfazer com maior rapidez, os da PETROBRÁS e da Vale, sofreram queda de 34% e 37%, respectivamente. Números preocupantes, uma vez que a fuga de capital acarreta em investimentos de menor porte, como a poupança.

A perda de rentabilidade dos dois principais títulos da Bovespa fez com que o índice do mercado de ações, o Ibovespa, representação da movimentação financeira das 63 principais empresas da Bolsa, acumulasse perda de 13% ao ano. Essa queda foi puxada por questões já discutidas no Sem Fronteiras, como a oscilação no preço das commodities, dentre elas o petróleo e metais como o níquel, que sofreu com a forte desvalorização. Além disso, há novamente a questão da crise estadunidense, que abalou os alicerces da economia mundial.

Preste atenção e comece a esfregar as mãos e, por que não, a sonhar! A queda na Bolsa está ligada à venda dos títulos de liquidez, como o PETROBRÁS e o Vale. Com o mercado inseguro, os investidores recorrem a economias emergentes com taxas altas, como a brasileira, para negociar seus papéis e evitar grandes perdas. E com o declínio no valor dessas tão cobiçadas ações, o trabalhador que liga a televisão, ouve que a Bolsa caiu e brinca de une-dune-tê para saber se o fato é bom ou ruim para sua vida, terá sua chance, talvez ÚNICA, de adquirir ações.

A incerteza do mercado passará a médio prazo e com as descobertas de novos campos de petróleo, aliada a necessidade de metais, cada dia mais escassos, a tendência é que esses títulos se valorizem. Mas como o que o pobre operário brasileiro ganha mal dá para encher a mesa, pensar em ações chega a ser utopia. Daí não esquente a cabeça, penses que tudo lido tem utilidade, afinal, Chico Buarque já dizia: “Amanhã, vai ser outro dia”. Contudo, enquanto esse dia não chega, não aposente a caneta, o papel e o jargão do outro Chico, o Anysio, já que são grandes as emoções e “O salário ooó!”.
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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Duas crianças a brincar de gangorra


As férias forçadas a que me submeti serviram para que se apossasse desse editor, um sentimento nostálgico, movido pela pureza e inocência das brincadeiras infantis. Lembrei-me dos passeios pelos parques e praças, aonde gangorreava e perdia através do meu olhar fugaz, a noção do tempo. Essas minhas "retinas tão fatigadas", virão nos últimos meses, dois moleques a desafiar o tempo e gangorrear em um sobe e desce alucinante: eis que lhes apresento os juros e a inflação (O caro internauta sente o coração palpitar? Respire fundo e siga em frente, afinal somos brasileiros e o final da frase o amigo conhece)!

A inflação, queda do poder de compra do dinheiro ou do valor de mercado, retirou do guarda-roupa sua farda e voltou a rondar os mercados mundo a fora. A notícia que se espalhou como rastro de pólvora, fez com que o explosivo citado viesse cair sobre as mãos da população carente. Daí a antiga alcunha carestia, usada nos tempos do ministro Rui Barbosa, para a dita-cuja inflação. Os governantes apavorados com o gosto amargo dos petiscos recheados pela ira popular, não hesitam em convocar os juros para a mais uma missão: o controle da dita-cuja, que retorna sem marcar hora. Creio, que para sua absoluta revolta.

No dia 23 de julho, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13%. Em prantos limpos (apenas uma figura de linguagem e porque não, conseqüência da inflação), o aumento do consumo, elevou a demanda por produtos e serviços, que perderam valor de aquisição. Bem, os ventos favoráveis e os empréstimos de 2003 a 2007 parecem ter pegado suas malas e partido, deixando o mercado consumidor recente não a espera de milagre, mas de produtos que se escassearam devido a crises alimentícia e produtiva de commodities.

Com a indústria em baixa, a gigante adormecida acordou e mostrou suas garras. E o antídoto lulista para conter o acumulado inflacionário de 6% foi recorrer aos juros novamente, algo que não vinha acontecendo há tempos, devido às seguidas quedas em 2005 e 2007. Ora, a alta não conterá o consumo, entretanto atrairá investidores e capitais voláteis, aqueles que rapidamente podem ser transferidos de uma bolsa à outra. Em período de reconversão, crise passageira pós-consumo desenfreado, toda acautela é pouca. E manter os investidores torna-se um desafio.

O caro internauta, que leu atentamente a este breve panorama, possivelmente chegará ao final dessa postagem com indagações semelhantes as minhas. Não seria sensato investir no aumento da produção, uma vez que o país crescia 6% ao ano? E por que não reduzir os gastos públicos? Resposta óbvia: Vivemos no Brasil! Tudo bem que a médio prazo, o consumo será contido pelos preços galopantes, mas por que sempre somos aquele parceiro largado só no restaurante, a arcar com todas as despesas?

A gangorra não pára, assim como o tempo, descrito por Cazuza. E no dia em vossas retinas se cansarem com tal movimento, não diga ao Banco Central, "Vais me pagar". Saiba que ele nada lhe pagará, apenas lhe afagará com o final deste cancioneiro popular: "Pode chorar, pode chorar".

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Em tempos de Lei Seca, governo apóia consumo de álcool!


Os produtores agrícolas brasileiros quase tiveram um infarto ao ouvirem boatos sobre uma tal Lei Seca. Ora, ora! Antes que você, internauta fiel ao Sem Fronteiras, pense que eles enxugaram não o copo, mas a testa, pelo fato da cerveja e da cachaça serem objetos de vislumbre para os motoristas, digo que a assombração atende por outro nome: automóveis! É! Os mesmos que fizeram milhares de homens lembrarem de suas namoradas ao irem passear com os amigos. Veja: estes consumidores inveterados de álcool, os veículos automotivos, representam a fatia mais robusta dos lucros dos usineiros.

O etanol, razão de cobiça e discussões, é um biocombustível geralmente produzido por meio da cana-de-açúcar e do milho. No Japão, o etanol é proveniente da celulose. A sua utilização em massa deu-se a partir de 1975, com a criação do Pró-Álcool, medida do governo militar brasileiro que surgiu como alternativa frente ao avanço do preço do petróleo. Apontado como alternativa viável ao combate do aquecimento global e da alta do barril de petróleo, o etanol ganhou status e inimigos: a população pobre, que sofre com os elevados preços dos alimentos, principalmente dos cereais.

O pãozinho salgado, o milho cada vez mais raro e a soja subindo na velocidade da luz são reflexos da produção de biocombustíveis. Cerca de 100 milhões de toneladas de cereais saíram do mercado comum em detrimento da produção de energia ecologicamente correta. Preserva-se a atmosfera e limpa-se o bolso do trabalhador! Os alimentos sobem, já que investidores adquirem sacas ainda nem plantadas, o que gera especulação financeira e eleva o preço desses produtos primários. Prova da rentabilidade do negócio é que três quartos da produção de milho nos EUA é voltada à produção de etanol.

Pressionados pela caótica situação ambiental, os países desenvolvidos subsidiam a produção, prejudicando ainda mais as nações pobres e emergentes. Os Estados Unidos, por exemplo, gastam US$ 20 milhões financiando o setor agrícola. Bush, rei das promessas ambientais, comprometeu que o governo estadunidense reduzirá nos próximos anos esse valor há US$ 15 milhões. Aguardem os capítulos dessa novela (claro, com o novo presidente)! Além disso, eles tributam o produto brasileiro de maneira a dificultar sua entrada lá, o que força o trabalhador a ganhar menos e labutar mais. Deplorável. Bem, de certo, apenas a alta acumulada de 60% dos gêneros alimentícios este ano. É, desse jeito, o humilde trabalhador entrará em dieta e comerá com os olhos!

O vídeo acima, da Agência Brasil, deixa evidente os planos de expansão dos biocombustíveis. Embora outras informações sejam importantes. Cinco milhões de hectares foram destinados em 2007 à produção de girassol e colza para biocombustíveis. O etanol de cana-de-açúcar se mostra cinco vezes mais energético que o do milho, além de produzir o dobro de litros por hectare, oito, em comparação com o mesmo produto. O álcool de cana também é mais barato: R$ 0,42 contra R$ 0,54. Muitas vantagens, não? Então, porque milho e soja? Não haveria alternativa viável quanto ao combate de uma crise alimentícia mundial?

A ONU e o Banco Mundial apontaram que dois bilhões de pessoas são afetadas pela produção de biocombustíveis e 100 milhões viverão abaixo da linha da miséria. Soluções parecem surgir, como é o caso do etanol proveniente do lixo orgânico e de combustíveis vindos de vegetais como o pinhão-mansão. Mas, até que se ligue o sinal de alerta para uma provável escassez de alimentos (incluo o doce e branquinho açúcar), esqueça o mansão e reflita. Você não beberá, mas há alguém/ algo beberá pelo caro internauta. E no frigir dos ovos, quem pagará a conta é você, que sairá de bolso e consciência limpa! Parabéns.
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terça-feira, 15 de julho de 2008

A economia cresce, o povo padece

Via blog do Clovatto

Um montante cada vez maior de livros de História chega todos os anos às livrarias. Não mera coincidência, a maioria dos autores se utiliza da categórica frase do ex-ministro da economia Delfim Neto, que nos tempos de ditadura, lançou mão da “tese” de que “precisamos primeiro fazer o bolo crescer para depois dividí-lo”. O amigo internauta, que prestigia o trabalho deste editor, certamente liga o pólo positivo com o negativo e põe sua cuca a questionar. E cadê o bolo? Aí, descobre que a vaca atolou, o bolo sumiu e o dragão inflacionário voltou. E o temível vilão da história são os alimentos!

Bem, você que trabalha horas afinco e passa rotineiramente pelo calvário das compras em mercados, empórios, padarias, sacolões e açougues, deve ter arrancado os cabelos da cabeça. Se não os tem mais, menos mal! Afinal, o desenvolvimento econômico global, sobretudo nos países emergentes, impulsionou as exportações, resultando em um desequilíbrio entre a oferta e a demanda. A adesão de economias “nanicas” ao mercado, o elevado crescimento demográfico em continentes como Ásia e África e a crise estadunidense, contribuíram para a formação do quadro atual.

A seca em grandes produtores, a exemplo do Brasil, interrompeu a safra do primeiro semestre. A alta do petróleo, já citada semanas atrás, faz com que os fertilizantes, os combustíveis e óleo diesel encareçam. Ruim para agricultura, péssimo para os transportes e para as indústrias, que dependem do diesel para movimentar máquinas. O crescente investimento em produtos primários nas bolsas, aliado a queda do dólar, força uma alta nas commodities agropecuárias, já que os investidores buscam recuperar os prejuízos com a moeda, através dos alimentos.

A carne e o leite acompanham a alta, devido à utilização de produtos agrícolas na nutrição do gado. Ainda tem mais, caro leitor! Países como a Argentina (grande produtora de trigo) e a Índia (de arroz), reteram seus estoques, visando melhores preços no mercado. E em tempos de lei seca, o álcool fecha a festa dos preços galopantes! O milho e a cana vêm sendo destinados à produção de biocombustíveis, que serão abordados semana que vêm.

Uma vez valorizado na Bolsa de Chicago, principal destino das cotações alimentícias, o preço dos produtos chega reajustado, assim como nos tributos, através de índices como o Esalq (da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Só para não perder o costume: os investidores encomendam o bolo, o Delfim divulga e quem paga a conta? Ó céus, ó vida!

Em Brasília, a cúpula “lulista”, rejeita o palácio do Planalto e se reúne na Granja do Torto. E em questão de horas, entorta os gráficos da taxa de juros, fazendo aquela curva crescente, que estamos habituados a ver. A taxa sobe para conter a queda nos investimentos, atraindo novamente o aplicador. Em contrapartida, a agricultura cultiva as expectativas de mais uma safra recorde. Incoerências de um mundo globalizado!

Agora pergunto a você internauta: a redução de subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos, seria uma saída, não? Espera-se que essas vitórias contra as grandes nações sejam conquistados na OMC (Organização Mundial do Comércio). Até lá, não salgues o arroz, pois a inflação anda fazendo ronda! E assim continua a ciranda: o povo padece, a danada aparece.


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terça-feira, 8 de julho de 2008

Olhos puxados para enxergar melhor

A genética do lucro “made in china” e seus ares socialistas

Brasileiro é assim. Vê alguém com o olhar puxado passar pelas nossas ruas, e, sem pestanejar manda: “É japonês!”. Ora, ora, ora! Esqueçamos estereótipos e miremos no oriente. Mas, não olhe o nascer do sol caro internauta, afinal, trato de economia. Também não falo da “Terra do Sol Nascente”. Há exato um mês para os Jogos Olímpicos, abrimos a série – China sem fronteiras – Os caminhos de Beijing 2008. Série válida a todas editorias.

As estórias infantis bem que contribuem com a fama chinesa. Em uma adaptação recente, o mundo conversa com a China. De repente, aquele indaga – Que olhos puxados você tem! – e da nação vermelha vem à resposta – É pra enxergar melhor! Brincadeiras à parte, os chineses viram a partir de 1978, na economia socialista de mercado, a saída para o crescimento médio superior a 10% por ano. Aliaram isso, a espetacular produção agrícola, com destaque para o arroz, à abundante matéria-prima energética e mineral, a exemplo do carvão. Assim, em 2007, o PIB chinês alcançou US$ 3,47 trilhões de dólares, aumentando 11,4% em relação a 2006.

Peço ao leitor que não entre em parafuso ainda! Afinal, a emergente China mostrou ao mundo sua receita para aliar lucro e socialismo em um só país. Com o interior dominado pela agricultura, fixada na porção oeste da república por meio de comunas, além de florestas, o presidente pós-revolução, Deng Xiaoping, começou a implantar métodos capitalistas na economia chinesa, através de reformas sociais e das ZEE (Zonas Econômicas Especiais), áreas abertas ao capital exterior e que oferecem incentivos fiscais e alfandegários.

O resultado da política do PC Chinês pôde ser vista por todos: US$ 1 trilhão em investimentos diretos estrangeiros; uma inflação média de 4,8% (em 2007); uma participação de 13% na economia do planeta; o posto de terceiro PIB mundial e graves disparidades regionais e sociais, como a média salarial do trabalhador chinês: US$ 50 a US$ 70/ mês. A massa de 300 milhões de operários, concentrada na porção leste, não conta com sindicatos independentes e ainda sofre com a concorrência da mão-de-obra advinda do Sudeste Asiático, ainda mais barata.

Um número chama mais atenção: 10% dos mais ricos detêm 45% da riqueza nacional, contra 10% dos mais pobres que têm somente 1,4%. Estatísticas que revelam o outro lado desta “República Popular”. Com 60% da população no campo, o país surpreende a todos pela quantidade de empresas estatais: mais 150 mil, o que faz o governo encorajar a privatização delas. Haja salários e dívidas para arcar! Depois falam do Brasil! Conhecer a um pouco da China, te animou, caro leitor?

Para que pensava que o país produzia apenas objetos piratas “made in China” e bilhões de habitantes a consumir o ar do planeta, eis a lição que eles deram ao mundo – como se faz uma verdadeira Olimpíada. Com as obras concluídas antes dos Jogos, o orçamento de US$ 2,1 bilhões das instalações não-estourado, com US$ 300 milhões investidos em segurança (500% mais barato que em Atenas) e 100 mil policiais nas ruas, junto a 60 mil voluntários e 300 mil câmeras, o país promete segurança, economia, espetáculo e lucro. É! Houve um crescimento de 0,8% a cada ano em decorrência dos Jogos Olímpicos de Pequim.

E na genética do lucro, palmas aos chineses! “Povo marcado, ê, povo feliz”.


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terça-feira, 1 de julho de 2008

Jorrou do poço, doeu no bolso

Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pegando carona na alta do petróleo

O petróleo sobe, o mundo teme e o Brasil comemora?

Do noticiário radiofônico vêm à manchete: “Baleias bebem petróleo e elevam o preço da commodity”. O amigo internauta deve estar tão perplexo como eu fiquei hoje, às 11h e 35 min. Bem, as baleias não bebem o negro mineralóide. Muito menos os patrões querem dizer a seus funcionários: acomode-se! O “lerê, lerê” continua, bem como os jargões econômicos nos veículos de comunicação.

Traduzindo esta frase de requinte e “bom gosto”, pode-se afirmar que nações como China e Índia (países-baleia) aumentam seu consumo de petróleo, o que faz elevar o preço desse produto em estado bruto (commodity). Ora, o país-sede das Olimpíadas, já conquistou o posto de 2º maior consumidor mundial do mineralóide, superando o Japão e perdendo apenas para os EUA.

O valor do barril fechou hoje cotado em US$ 141 (ou R$ 226), na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova Iorque). Há seis anos, o mesmo barril valia US$ 25. Quase 600% de aumento, algo que já supera proporcionalmente o preço de 1980, quando o produto custava US$ 100, em decorrência das seqüelas da Crise do Petróleo, de 1973. Espera-se que em dois anos, o preço atinja o patamar de US$ 200.

A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), constituída por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, ameaça o governo estadunidense, que acusa o cartel OPEP de fixar os preços da commodity e limitar a oferta do produto, elevando seu preço nas bolsas de valores. Levando em conta, os “laços fraternais” de Irã e Venezuela com os Estados Unidos, já se esperam medidas duras contra este, o que levaria a possível recessão estadunidense. Façam suas apostas!

Bem, além disso, o projeto de enriquecimento de urânio no Irã (provavelmente para fins energéticos e bélicos), causou desavenças com a União Européia e Israel, inimigo do bloco árabe, que impuseram sanções ao país. Se agregarmos a instabilidade na Nigéria, aonde funcionários estrangeiros foram seqüestrados em refinarias e campos de exploração petrolífera, ao crescimento do consumo, que chegará a 2,2 milhões de barris/ DIA, temos a receita quase pronta. Agora, bata no liquidificador econômico, faça tudo girar e veja o resultado! IN-FLA-ÇÃO! Parece até receita de bolo.

A OPEP culpa os investidores do mercado acionário. As grandes nações culpam a OPEP. A alta do barril, efetuada pelos BC’s, elevaria as taxas de juros pelo mundo e levaria o investidor a aplicar em renda fixa, como a poupança, o afastando das bolsas de valores. Com isso, perde-se reservas, o que desvaloriza a moeda, segurando os juros altos. E, ao que tudo indica, neste duelo de titãs, o Brasil pode sair lucrando.

A PETROBRÁS, 5ª maior empresa do mundo, descobriu novas bacias que elevaram as reservas nacionais. Com o real em alta, os preços dos combustíveis devem oscilar pouco e os investidores passam a procurar o país para investir em produtos primários, devido aos altos juros e estabilidade econômica do Brasil. Daí o elevado preço das ações da estatal brasileira.

Os países exportadores e as empresas petrolíferas terão orgulho em dizer, assim como nosso presidente, que refinamos nosso petróleo na refinaria! Ei, Você! Não se esconda ainda. Mesmo com a onda de euforia, o preço de derivados do petróleo, como o plástico, atingirá suas economias. O aumento em cascata é o que precisávamos para saber que jorrou do poço, doeu no bolso. Que dureza!

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