segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O despertar de um dragão olímpico

As Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, aconteceram em meio à silenciosa Guerra Fria. Os EUA que, em 80, não havia participado dos jogos de Moscou, agora recebia o revide soviético. Acontecimento, não isolado na história, que credita a idéia de que a diplomacia é meramente descartável em certas ocasiões. Os entraves políticos das principais nações do globo até então, influíam até mesmo no esporte.

Não era somente isso que acontecia em 84. O ano marcou o retorno da China aos Jogos Olímpicos, após ter se ausentado por um período de 24 anos ou em sete edições dos Jogos, em protesto contra a presença de Taiwan - tida pelo governo chinês como província rebelde - na competição.

Seguindo a inconteste fórmula soviética - investimento maciço no esporte - a China conseguiu logo “de cara” uma impressionante quarta colocação. Em 1988, Olimpíadas de Seul, um pequeno deslize e uma frustrante 11ª posição no quadro de medalhas. Em Barcelona, 1992, o triunfante retorno chinês e a conquista do quarto lugar, repetido em Atlanta em 1996 e abandonado nas Olimpíadas de Sydney, quando o país alcançou a, inédita, 3ª colocação. Em Atenas veio a certeza de que a China podia romper com a hegemonia dos EUA, que até os jogos de Atlanta, alternava o topo do quadro de medalhas com a União Soviética.

A preparação dos atletas (segredo muito bem guardado pelos treinadores, a exemplo do governo chinês - mestre na arte da ocultação) é intensa. O país que chegou muito próximo da 1ª colocação nas Olimpíadas de Atenas em 2004, espera - ansioso - que ao fim dessa edição dos jogos, a China seja a verdadeira dona da festa.

Formado por crianças de apenas cinco anos, o grande exército de pequenos chineses chega aos centros de treinamento bancados pelo governo, que determina quem faz o quê, como e para quê. Como um diamante bruto, os atletas mirins são lapidados e moldados para que representem o país da melhor maneira possível, e, principalmente, tenham orgulho de assim proceder.

Segundo a empresa de consultoria estadunidense, PricewaterhouseCoopers, a disputa em Pequim será acirradíssima. Os números mostram que a China superará os EUA no quadro de medalhas por uma diferença tênue de uma única medalha (Confira o estudo completo). De acordo com as projeções, a grande maioria das 88 medalhas chinesas, serão conquistadas em esportes cujas escolas chinesas são mestras: a ginástica, os saltos ornamentais, o tênis de mesa, o badminton e as lutas.

A China (com seus 570 atletas) vive grande expectativa. Na próxima sexta-feira, acontecerá a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, os mais caros da história. O espetáculo que será acompanhado por todo o globo, apresentará uma China que possui pretensões que transpassam às do âmbito esportivo. Ao que tudo indica, isso é uma questão de tempo.

10 comentários:

Danilo disse...

Hegemonia ol�mpica e hegemonia econ�mica tem tudo a ver. Os pa�ses com melhores �ndices nas ol�mpidas s�o justamente aqueles com mais investimentos em todos os �mbitos da sociedade, inclusive nos esportes.

Daniel Leite disse...

Não é somente uma guerra esportiva. Estamos falando de uma dispúta ideológica e até de ego. Tenho a impressão de que a China vencerá a peleja, se levarmos em conta o número de ouros. E o desafio chinês também envolverá uma organização de primeiro mundo.

Até mais!

Wander Veroni disse...

Oi amigos da SFW!

Fico perplexo com o regime autoritário do governo da China e como a população fica omissa a isso tudo. Ou melhor, a população não deve ser omissa. As notícias de rebeldia nem deve aparecer nos noticiários de lá.

Parabéns pela reportagem-post!

Abcs,

=]
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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Bertonie JVinee disse...

A população da China vive uma verdadeira ditadura.
Pior, a populãção é obrigada a aceitar numa boa.
Cadê a rebeldia do povo??!!!

Adorei o post.
xD
abraços

(:

http://bertonie.blogspot.com/

Tg disse...

É ... ' A população da China vive uma verdadeira ditadura. '

Além de vc escrever mto bem trata de assuntos muito interessantes.


Parabéns pelo blog
http://u2onelife.blogspot.com/

All3X disse...

Competição que será levada até o último minuto.
Realmente a China que mostrar ao mundo que ela pode ser superior ao modelo norte-americano de sociedade.
Mostrar sua supremacia nos esportes será a melhor campanha política interna e externamente.
Agora me pergunto: Será que é melhor ter um líder mundial como a China no lugar dos EUA?

All3X

Guilherme disse...

Galera, vou ser breve: faço minhas as palavras do Wander. Ele disse tudo que queria, do início ao fim.

Abraços a toda equipe!!

Letícia Castro disse...

Excelente matéria, meninos!

Completa, com panorama histórico todo costuradinho, muito bem!

Desculpem pela demora em vir vê-la, hoje o dia foi atribulado. : )

Será que a China bate os EUA? Acho que será um dos frissons dessa edição olímpica. No mais, segue a questão do cerceamento da liberdade, prisões, perseguições, etc. A coisa está feia lá, melhor a gente cobre daqui. rs

Meninos, tá rolando um concurso do Usuário Compulsivo e eu indiquei vcs para participarem. Dêem uma olhadinha lá, tá bom?

Beijos! : )

Letícia.

blog disse...

Esporte e economia (adicione-se aí vontade política) andam lado a lado.
Lamento realmente que um país como a China obtenha resultados em esportes e não em "humanidades".

Enfim.
De qualquer forma, torcerei para que os norte-americanos estraguem a festa deles.
De verdade.

Abraço.

igor//class disse...

A china realmente vive uma terrivel ditatura. é como se o povo fosse escravo do local. belo post.

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