segunda-feira, 30 de junho de 2008

De vento em popa


As equipes masculina e feminina do vôlei de quadra brasileiro enfrentam o último desafio internacional antes das Olimpíadas de Pequim. Os atuais campeões mundiais e olímpicos disputam a Liga Mundial, já a seleção feminina joga o Grand Prix que, trocando por miúdos, equivale à Liga, porém é a versão feminina dela.

Eles

O grupo masculino vem demonstrando que tem tudo para defender os títulos que possui. Mesmo com um time misto, a equipe vem se mantendo aguerrida e regular na primeira fase da competição, o que tem garantido aos brasileiros a liderança do grupo A, que é completado por França, Sérvia e Venezuela.

A equipe de Bernardinho já disputou seis partidas, duas delas em São Paulo contra a Sérvia - campeã olímpica em Sidney, Austrália - partidas duras - ambas decididas no tie break - nas quais a equipe mostrou vontade e capacidade de vencer mesmo sem contar com uma de suas principais peças, Giba que se recupera de uma torção no tornozelo esquerdo.

A única derrota até o momento ocorreu em Paris: 3 sets a 2 para os franceses. A resposta não tardou. No dia seguinte o Brasil atropelou a seleção francesa, vencendo-a por 3 sets a 0. Na Venezuela os bons resultados se mantiveram com duas vitórias não tão simples, ambas por 3 sets a 1.

O Brasil volta a enfrentar a Sérvia nos dias 4 e 6 de julho em Belgrado.

Elas

A seleção feminina segue com a excelente campanha no Grand Prix, tendo vencido cinco das seis partidas que disputou até o momento. A derrota aconteceu diante das atuais campeãs olímpicas. As chinesas venceram o jogo por 3 sets a 2.

A etapa de Macau será o maior desafio para as jogadoras brasileiras que até o momento não encontraram dificuldades para vencer equipes sem muitas qualidades técnicas como Turquia e Cazaquistão. Os confrontos - de “cachorro grande” - serão contra a República Dominicana (4), Japão (5) e China (6) equipes favoritas ao título juntamente com o Brasil.

Para a equipe brasileira, o Grand Prix é mais que uma preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim. É a oportunidade de mostrar que todo o trabalho psicológico que vem sendo realizado nos últimos meses tenha surtido efeito, algo que apague as vexatórias derrotas para as russas nas Olimpíadas de Atenas - o que custou a eliminação brasileira nas semi-finais da competição - e para Cuba na final do Pan do Rio de Janeiro.

A etapa final do Grand Prix será realizada em Yokohama no Japão dos dias 9 a 13 de julho.

A dona da festa

Após 44 anos, a "Fúria volta a conquistar a hegemonia européia

A dor de Ballack pela cabeçada do brasileiro naturalizado espanhol, Marcos Senna, deixaria outra dor: a de um novo VICE

O apito final do árbitro italiano Rossetti marcou o triunfo de Iker Cassillas (goleiro da Fúria) e da seleção espanhola


Festa da jovem seleção espanhola, comandada por Luís Aragonés, após o fim da partida com a poderosa Alemanha (1 x 0 para os espanhóis)

Fotos: Agência Reuters

Agora, nós queremos saber sua opinião - É O PAINEL DO INTERNAUTA

domingo, 29 de junho de 2008

Comentar é preciso?

Desde a estréia até hoje, se passaram 22 dias, o equivalente a 529 horas ou 31680 minutos. Publicamos 33 textos, contando com este balanço que você lê agora e recebemos em sinal de carinho, admiração ou respeito pelo trabalho produzido, 123 comentários, o que nos confere a média de 3,84 recados do internauta por postagem.

Durante estas primeiras semanas, conquistamos 1426 acessos, ou seja, 64,8 clicks por dia. Ótimos números, se levarmos em conta que iniciamos este projeto recentemente? Bem, teremos que responder a você assim: TALVEZ. Talvez, pois ainda desconhecemos o perfil de grande parte dos nossos leitores. Internautas, que dão o ar de sua graça pelo SF, porém não nos deixam uma mensagem para que possamos conhecê-los melhor e assim, sabermos suas reais impressões ou necessidades.

Quantas vezes passamos por um blog ou site que abre espaço para comentários, sugestões, críticas embasadas ou elogios, consumimos o produto ali ofertado e deixamos o endereço da mesma forma que chegamos! A equipe Sem Fronteiras, pensando nisso, criou e cria a cada dia, novos mecanismos para que você participe e construa conosco a informação, tornando-se agente ativo da mudança.

Não queremos com este post, fazer da nossa opinião simples palavra de ordem, algo a ser cumprido por obrigação. Os comentários, os e-mails, os recados no box “SFW Leitor”, têm caráter opcional. E lembramos que a liberdade de opinião é bem-vinda. Não tenham receio em criticar. Apreendemos nos erros e nos acertos. Sugestões, elogios, pautas, participações e críticas embasadas são o caminho mais rápido para a adequação de conteúdos e elevação da qualidade do blog.

Ora, agora lhe perguntamos: “Comentar é preciso?” Uma vez que acesso uma página na internet e deixo de participar, estarei ganhando ou perdendo com meu ato? Quem sou eu para o blogmaster ou webmaster que me proporcionou tal conteúdo? As respostas cabem a vocês.

Agradecemos aos internautas que por aqui passaram. Desde o mais apressado até o sempre participativo. Desde aquele que acidentalmente descobriu este endereço, até aquele que nos indicou e continua a nos promover. O Sem Fronteiras não é nosso, ele é de vocês. Envie-nos seu texto, seu comentário, seu recado. Participe! Queremos te conhecer.

sábado, 28 de junho de 2008

Não temos o direito de reclamar.

Uma dos assuntos mais freqüentes que ouvimos em uma roda de conversa entre amigos, parentes ou até mesmo desconhecidos é política. E em 2007, parece que esse assunto despertou ainda mais o interesse de todos nós, visto os inúmeros escândalos que foram destaque na mídia. Ideologias e partidos a parte, todos, em uníssono dizem: “Os políticos são corruptos”. E essa, que acabou se tornando uma máxima para descrever a política no Brasil é a frase que mais se ouve nas tais rodinhas de conversa.

E será que temos lá o direito de julgar esses políticos? A resposta, pode estar pensando você, é óbvia: “Sim”. Mas eu digo o contrário: “Não”. “Como assim não? Eu elegi, eu pago o salário dele”, pensa você. Eu continuo fazendo citação a outra frase bastante difundida entre nós, principalmente em ano eleitoral: “Os políticos refletem a sociedade”.

Você pensa de novo: “Mas que petulância! Como me ousa comparar com tal tipo de gente”? Só não comparo como dou exemplos. Simples. Banais. Corriqueiros.É de impressionar como brasileiro adora se aproveitar de tudo que é possível do governo ou de qualquer empresa que seja. E o pior de tudo é que acha que está tirando a maior vantagem de tudo. Fica se gabando por ter ludibriado quem quer que seja.

Quando puxa um “gato” de luz ou telefone do poste, do vizinho, acha que se deu bem, que é o esperto, que está tapeando a empresa responsável. Mas tudo se justifica, não é verdade? “As tarifas são muito altas. To mais do que certo! É o jeitinho brasileiro”.

Brasileiro, acha que é bonito pegar o sinal da TV a cabo ou internet banda larga e sair distribuindo irregularmente pelos vizinhos, pelo prédio, pelo condomínio. Mais uma vez, uma justificativa: “Essas mensalidades absurdas? Não mesmo! E assim, todos vêem e dividimos o preço”.

E quando mata trabalho e dá aquela desculpa esfarrapada na empresa? Pior ainda quando ainda consegue atestado médico falso. Mas brasileiro, não vê problema nisso mas é claro que isso também têm uma justificativa: “Trabalho muito! Minha empresa me explora”. Mal ele vê que essa falta, não prejudica o dono da empresa que na cabeça do brasileiro, é dele que está se vingando, mas sim de uma equipe inteira que trabalha junto em busca de um objetivo.

Esse é clássico: e quando o brasileiro se julga o melhor de todos por ter conseguido comprar um DVD pirata de um filme que nem saiu ainda? E além desse DVD inédito, levou mais dois. Três por dez! Olha que beleza! Essa têm várias desculpas, mas a clássica é: “DVD é muito caro. Pra que comprar o original se posso ter esse”? Obviamente que o brasileiro não vê dois pontos extremamente delicados nisso: o primeiro, é que tem gente que trabalha com isso. Atuando ou cantando. Fora a imensa equipe de um filme ou show. Esse é o trabalho deles. O outro, é que esses “dez reais” que usou, não ficam com o camelô não. No final dessa teia nefasta, esse é o dinheiro usado no narcotráfico, o dinheiro que alimenta bandidos, que atormentam a vida das cidades grandes. DVD original é caro? Sim. Mas com certeza essa não é a melhor solução para protestar contra isso. Mas o brasileiro não entende isso. Se para o brasileiro puder enganar pagando pouco já é bom, imagina se tal coisa for de graça? Aí é perfeito!

E não é que brasileiro também entra na internet ou por telefone e sai pedindo amostras de revistas ou jornais? Teoricamente, tem um prazo definido, dependendo da publicação. Mas vê lá se brasileiro preocupa com isso? Claro que não! E o “jeitinho”? Brasileiro, aproveitando a mamata, sai pedindo amostra atrás de amostra, às vezes ficando meses, se bobear do grau de esperteza até anos recebendo material de graça. Justificativa? Tem também: “Assinatura é muito caro. Eles nem sentem falta do meu dinheiro não. Isso não tem problema”. O brasileiro não vai entender que o dinheiro dele poderia estar pagando mais um funcionário. Não só nesse exemplo, como para todos os outros.

O brasileiro também não entende que para que um país funcione com decência, não é só os políticos que devem fazer a parte deles. É tudo uma teia. Interligada. Um dependendo do outro. Pequenas ações que fazem a diferença no final. E mesmo se tivéssemos políticos impecáveis, não adiantaria de nada se o “jeitinho” do brasileiro continuasse a ser a tônica do dia-a-dia.

Brasileiro tem fama de ser honesto e trabalhador. Será? Se faz tudo isso, será mesmo que o dinheiro não o corromperia? Se estivesse no lugar do “político corrupto” até que ponto seria incorruptível? Há duvidas quanto a isso, não?

Você, ao final desse texto, ainda não convencido, pelo contrário está mais enfurecido ainda: “Que absurdo! Que calúnia! O que se faz nem se compara com aqueles políticos. Desse jeito está se fazendo é justiça, isso sim! Aqueles lá roubam é muito! Desviam é milhões de reais”. Porém, o brasileiro não percebe que os políticos não mudarão até que a sociedade que eles representam, que os elegeram não mudarem.

Só uma curiosidade: não é o filho do brasileiro, que ouviu dele, que ouviu da mãe, que ouviu da avó que “roubar, não importa que seja uma agulha ou R$ 1 milhão não tem diferença? É tudo roubo”?

Realmente, os políticos refletem a sociedade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sir Mugabe e o caos.

Era por essa honraria, sir, concebida pela Soberana britânica, a rainha Elizabeth II, que Robert Mugabe, ditador do Zimbábue foi reconhecido internacionalmente. Quando ganhou o título da Coroa britânica em 1994, Mugabe era um daqueles que havia lutado pela independência da então colônia britânica e seu trabalho foi merecedor de elogios, com grande respaldo internacional. Até hoje na África, Mugabe ganha elogios de vários líderes africanos pela forma que levou seu país à se tornar uma república.

Hoje, porém, a situação se inverteu - para começar, Mugabe (foto), não é mais sir. A própria monarca retirou o título de cavalheiro por orientação da chancelaria britânica. Mas isso, é de longe, o menor dos problemas.

A perda do título, foi um capítulo simbólico pelo qual passa hoje o país africano, que somente agora, depois de meses de denúncias que relataram violência, abuso de poder e assassinatos têm sua devida atenção da comunidadfe internacional, que parecia ignorar, e que de certa forma ainda ignora, o caos generalizado que assolou no Zimbábue. Cerca de 86 partidários da oposição foram mortos (oficialmente).

Mugabe está no poder há 28 anos, e segundo o mesmo, "só Deus" o tira da presidência. Contraditório. O ditador de 84 anos, disse em 2005 que só deve deixar o poder quando atingir um século de vida. Que Deus o tire antes dos 16 anos restantes.

Depois de sucessivas reeleições, Mugabe vêm conseguindo se estabelecer no poder. Mas as eleições desse ano, mostravam que o oba-oba iria acabar. Passando por uma crise econômica aguda, com inflação superior a 150000%, sim, 150 mil por cento e taxas de desemprego na casa dos 80%, a população parecia dar sinais de que o escolhido para no mínimo amenizar essa crise, seria o líder da oposição Morgan Tsvangirai, do partido MDC, vencedor do 1º turno das eleições. Mugabe, do Zanu-PF, porém, é aquele pior tipo de ditador: apegado ao poder, não se importando o quão sofrida esteja a situação de seu povo, que segundo ele, ama e os ama e que mesmo sofrendo duras sanções internacionais, não se deixa abater.

Sobre essas sanções, Mugabe diz que elas são as responsáveis pelo estado de calamidade pelo qual passa o país. Quase uma mentira completa. As sanções de fato atrapalham a economia do país, mas o governo é descaradamente corrupto, e o já pouco dinheiro que o país consegue produzir, fica concentrado nas mãos do ditador, que o controla conforme sua vontade, favorecendo a si próprio e aos seus aliados. Outro problema enfrentado, é a escassez de comida, que normalmente já afeta vários países africanos, mas a situação do Zimbábue é desesperadora: estimativas da ONU revelam que a colheita desse ano irá atender apenas 1/4 das necessidades do país. Ou seja, fome. E não há motivo maior para que conflitos internos, fora os já existentes, surjam na ânsia por alimentos. Guerra civil.

E hoje, na votação, nenhuma perspectiva de mudança. Depois de boicotar a corrida presidencial, por causa da violência que seus partidários vinham sofrendo, Tsvangirai pôde de fato mostrar ao mundo o que vinha denunciando na sua campanha: o medo instaurado nos eleitores, outra tática típica dos ditadores. A intimidação foi a tônica da votação - relatos de observadores internacionais dizem que milícias leais à Mugabe fizeram incursões no interior do país e na capital para que o MDB não fosse votado. Para que a "norma" fosse cumprida, essas milícias estariam obrigando os eleitores a colocarem o número do título de eleitor na cédula, para que os que votassem contra Mugabe fossem procurados depois. Inacreditável: praticamente escrever seu nome na cédula de votação, numa clara mostra do anonimato do voto não ser respeitado.

Aqueles que, não votaram mesmo coíbidos pelas milícias podem sofrer duras represárias: simpatizantes de Mugabe estão marcando o dedo daqueles que votaram com uma tinta vermelha no dedo. Muitos votaram pelo medo, pois andar pelas ruas sem o dedo marcado, era sinal de um voto que não foi dado à Mugabe. Inimaginável isso acontecendo em pleno século XXI, e a comunidade internacional se mostrando apática (até hoje) e inerte. Hoje, o G8, em reunião no Japão, disse que não reconhecerá o resultado da eleição, que terá Mugabe como vencedor e que novas sanções estão sendo pensadas.

O Zimbábue porém, não precisa de mais sanções. Essas sanções, dão cada vez mais força à Mugabe e prejudicam não ele, mas sim a população que acaba tendo que viver em plena miséria, sem recurso à nada, sem ajuda de ninguém, mas somente enfrentando a bizarra tirania de um ditador que realmente, só sairá do poder, ao que parece, quando atingir 100 anos.

Fantasia e realidade: o florescer de dois mundos em Rosa


Hoje, o SF tira o chapéu para um ilustre e inesquecível literato mineiro, que de forma intensa e apaixonante viveu seus 59 anos. Falar de Guimarães Rosa é um prazer inenarrável para mim, editor de cultura do blog.

Há, exatamente, 100 anos, nascia na pequena Cordisburgo - cidade próxima a Curvelo, coração das Minas - um dos mais importantes representantes da literatura brasileira: Guimarães Rosa ou Joãozito, como era chamado o garoto que aos sete anos, espantava a todos mediante a sua extraordinária inteligência.

O meu primeiro contato com o mundo roseano foi há alguns anos, quando fui à Cordisburgo. As palavras esquisitas que saíam das bocas dos contadores de histórias - jovens que apresentam, aos turistas, pequenos trechos das obras do autor - não me interessaram muito, mas eu bem sabia que aquelas palavras que formavam frases poéticas por mais estranhas que, para mim aparentassem, guardavam seus segredos.

Através de uma linguagem plástica e apurada, Guimarães faz com que o leitor (re)descubra o sertão e o sertanejo. A linguagem singular de Rosa apresenta a nós, leitores, os cenários selvagens do interior mineiro e os conflitos mais profundos ocultados nos corações de seus personagens.

Suas obras não são apenas sagas mágicas no sertão hostil das “Gerais” - expressão utilizada por ele em suas obras. É mais, muito mais. Rosa apresenta os conflitos internos dos seres, conflitos que transcendem as dificuldades impostas pelo tempo e o espaço. São histórias em que figuram personagens brejeiros, roceiros, mas que representam a coletividade. O homem, independente de onde viva e da posição que ocupa na sociedade, vive, ama, se enfurece, procura suporte, se entrega às paixões.

As minhas reservas quanto à linguagem roseana foram desfeitas quando pairou em minhas mãos - num abençoado dia - a obra Corpo de Baile e nela encontrei o conto ou novela - como preferem alguns - Miguilim que dispensa comentários. É, com toda certeza, um dos meus favoritos. A partir daí, tenho procurado me enveredar no mundo sertanejo de Guimarães.

O linguajar, os trajes, causos, a natureza, o misticismo que envolve o sertão das Minas. Tudo era meticulosamente descrito nos diversos cadernos que acompanhavam o autor na sua “sina” em desbravar o interior mineiro. Os elementos de nossa rica cultura, por mais simples que fossem, fizeram com que Guimarães fincasse ainda mais profundamente as raízes que o prendiam aqui e lembrasse com perturbante nostagia das Gerais onde quer que estivesse, fosse em Hamburgo, na Alemanha, ou Bogotá, capital colombiana, locais onde foi embaixador brasileiro.

Durante a Segunda Guerra, Guimarães e D. Aracy - sua segunda esposa - pouparam muitos judeus de serem mortos de maneira bestial nos campos de concentração de Hitler, ao facilitar suas fugas. Em 1985 o célebre casal foi homenageado pela sua ousadia em arriscar suas vidas e lutar contra o terror nazista de maneira nobre e intrépida. Hoje D. Aracy sofre do Mal de Alzheimer, doença que a cada dia lhe subtrai as lembranças de um passado sublime.

No dia 16 de novembro do ano de 1967 - três dias antes de falecer -, Guimarães tomava posse na Academia Brasileira de Letras, após passar quatro anos postergando o momento por medo da evidente comoção que apossaria dele na ocasião. Em um discurso carregado de emoção, Guimarães - que há um ano passara a apresentar problemas cardiovasculares por causa do cigarro - parecia pressentir o que estava para acontecer. Dois trechos de sua fala marcaram o discurso aos imortais da Academia.

"(...) a gente morre é para provar que viveu."
"As pessoas não morrem, ficam encantadas"

Guimarães foi mais que um gênio da nossa literatura, mais que um estandarte do movimento modernista brasileiro. Foi homem sábio, compassivo, humano, reservado, sertanejo, um bom mineiro. Orgulho das Gerais para todo o sempre.

Dica cultural

A dica cultural de hoje é uma das atrações que fazem parte das comemorações do centenário de Guimarães.

A partir de amanhã (28) a Biblioteca Pública da Praça da Liberdade abriga a exposição que conta um pouco da história desse magnífico escritor mineiro. Os visitantes poderão, ainda, conferir os principais trechos das obras roseanas.

A mostra estará aberta ao público até o dia 8 de agosto.

Aproveitem!

Mais informações pelo telefone: (31) 3342-1692.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Um mundo, um sonho – Pequim 2008


As emoções da Eurocopa, com a recente definição das finalistas Alemanha e Espanha, ou, a goleada sofrida pelo Fluminense nas alturas equatorianas. Poderíamos sim, falar a respeito desses assuntos, mas faremos diferente. A final, nossa proposta inicial é buscarmos novas abordagens.

Há quase quatro anos, o mundo assistia extasiado a final da 25ª edição dos Jogos Olímpicos - maior evento esportivo mundial. A beleza e sincronia dos movimentos dos músicos e bailarinos chineses marcaram a festa de encerramento das Olimpíadas de 2004, em Atenas, capital da enigmática Grécia. Se por sinal, você se esqueceu do pequeno show de aproximadamente 10 minutos - um aperitivo do que está para acontecer, depois de quatro longos anos de espera - se delicie com as imagens, não tão boas, porém recompensadoras do YouTube (clique aqui).

O show está prestes a começar. É... show sim! Caso você tenha ignorado o link acima, é provável de que ainda não saiba o por quê nos referirmos às Olimpíadas de Pequim dessa forma. Se a “carapuça serviu” insistimos: dê um único clique no link acima, espere alguns minutos para que a 26ª edição dos jogos seja apreensivamente aguardada por você também.

Foi pensando na importância dos Jogos Olímpicos - não só na consagração dos melhores esportistas do mundo, mas na promoção da reunião dos povos em um único evento - que nós, “intrépidos” editores da Equipe do Sem Fronteiras, não sonhamos, mesmo há uma infinidade de quilômetros de distância, estar fora dessa grande festa.

Quisera a nós ter fundos para voar milhas e milhas, desembarcando no Aeroporto Internacional de Beijing (a capital Pequim) e fazer a nossa própria cobertura dos jogos. Porém, como já dissemos nos primeiros posts do SF, não passamos de três jovens cheios de sonhos e vontades, que tentam fazer algo que fuja do convencional. Mas, se quiseres contribuir com nossa causa, cedendo-nos uma passagem, ficaríamos gratos pela gentileza!

Em julho, quando o contra-relógio marcar um mês para os Jogos Olímpicos, traremos a você, fator motivador das nossas noites de escrita, um pouco dessa cultura milenar. Cultura, Economia, Esportes, Ilustrada, Internacional, Política e Opinião estarão integradas a fim de traçar um panorama do país das Olimpíadas, além daqueles que de lá vieram e enriquecem ainda mais nosso país.

A distância é mero obstáculo. Eliminamos essa palavra do dicionário desta equipe. A final, o nome do blog já diz: Sem Fronteiras.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Ruth Cardoso e a política brasileira.


Quando soube da morte de Ruth Cardoso, confesso que me emocionei - os olhos ficaram levemente marejados. Conhecia vagamente a obra da ex-primeira-dama, mas somente a figura dela transmistia uma incrível serenidade, inteligência e bondade. Ao ler na internet vários obituários e depoimentos sobre a vida e obra de dona Ruth, a admiração por essa mulher foi ainda maior. Porém, ainda lendo as várias coberturas onlines do velório, um outro sentimento se apoderou: perplexidade.

Não por conta de nada relacionado à vida de Ruth Cardoso, mas aos vários comentários deixados por pessoas, que no adjetivo mais educado podem ser descritas como "tacanhas". Comentários como: "Já vai tarde", "FHC mereceu", "Dondoca", são alguns exemplos. Uma coisa posso dizer: não, ela não foi tarde; todos os brasileiros perderam com essa morte e sem sombra de dúvidas, o poder e o dinheiro nunca subiram à cabeça dela. Antes de ser mulher de um ex-presidente da República ou uma militante de partido, há um ser humano, que merece o devido respeito de todos, ainda mais um ser humano com a capacidade intelectual que tinha. Caso alguém se enquadre no rol dos tacanhos, acredito que a foto que abriu essa postagem é quase auto-explicativa - somente uma pessoa com tamanha personalidade conseguiria unir, nem que fôsse por alguns minutos, personagens antagônicos da política. Ao deixar a Sala São Paulo, local do velório, Lula disse à FHC: "Tudo o que você precisar de mim, peça, estou à disposição".

Ruth Côrrea Leite Cardoso, tinha uma vasta carreira como antropóloga, antes mesmo de ser conhecida como mulher do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Sempre preocupada com a inclusão social, a maturação cultural da população e atenta ao problema dos grandes índices de analfabestismo no país, ganhou maior notoriedade quando implantou na gestão de seu marido na presidência, o programa Comunidade Solidária, que durante sete anos, entre 1995 e 2002, alfabetizou 3 milhões de jovens. Entre outros feitos de seu programa, capacitou 114 mil jovens para o mercado de trabalho e incentivou outras tantas milhares de mulheres artesãs em cooperativas de trabalho. Foi uma das precursoras dos programas sociais do governo FHC, fazendo tudo isso, de maneira involuntária, pois tinha sim esse grande espírito público.

Com vasta experiência acadêmica, dona Ruth também publicou diversos títulos sobre juventude, violência e cidadania. Seus estudos, a levaram a lecionar em universidades como Cambridge, na Inglaterra, Berkeley e Columbia, nos Estados Unidos e também na Universidade do Chile. Aqui no Brasil, criou na USP o Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Socias de Gênero, referência no seu segmento. Todos esse trabalho, mostra a magnitude de uma mulher que frente as câmaras, era reservada e que via até com certa impaciência a invasão da imprensa à sua privacidade. Nos bastidores porém, suas opiniões eram sempre levadas em conta, não só pelo seu marido, mas por todo o partido pelo qual tomou causa, o PSDB.

Dona Ruth, na medida que pôde, trabalhou com todo afinco na área social do governo, sem abrir mão de suas convicções políticas, como ser contra às cotas aos negros em universidades. Era uma intelectual, mulher de um presidente, que não ficou deslumbrada com o poder. Pelo contrário, sua discrição era, e ainda é exemplo. Ela criou um estilo próprio do que é ser primeira-dama, um modelo, que será impossível copiar. Era uma primeira-dama, que ao contrário do habitual, não vivia a sombra do presidente da república.

Ideologias e partidos à parte, é inegável, estando em perfeito estado de consciência, a importância de uma figura como a dela. Como muitos disseram ao longo do dia de hoje, e faço coro à essas pessoas, jamais existiu primeira-dama que somasse tantas qualidades quanto dona Ruth.
Como mulher que foi, intelectual, política e acima de tudo, humana - fará falta.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Esqueceram de mim em: Vamos falar de subprime?

Ora, o vendaval dos “states” ainda não acabou
Extra, extra! Um vendaval de nome subprime atinge todo o território estadunidense. As autoridades ainda não contabilizaram o número de vítimas. Organizações mundiais crêem que o furacão terá conseqüências globais. Uma catástrofe em cadeia poderá ocorrer e abalar principalmente as economias mais frágeis. Ora, ora! Acalme-se. “Não criemos pânico!”, diria o herói mexicano Chapolim.

O subprime é o segundo financiamento que o cidadão dos Estados Unidos pode retirar para a compra de imóveis. Essa hipoteca também é uma das vilãs da “crise do setor imobiliário”. O internauta com essas informações e movido pelo clima humorístico latino-americano, deve-se perguntar: E o Quico? Bem, o que você tem haver com isso é simples. Lembra do efeito cascata? Então, ao atingir o mercado estadunidense, esse vendaval atinge a economia mundial, devido à força desta potência.

O atentado de 11 de setembro levou o Banco Central dos Estados Unidos (FED) a cortar os juros a fim de reaquecer a economia, mantendo os investidores, que retiravam seu capital com medo de novos ataques. Quem aproveitou essa “mamata” foi a classe média, que aplicou seu dinheiro nos imóveis, algo seguro e rentável. Para comprar, o santo ajudou, mas ao vender, quanta diferença! Pense: é a lei da oferta e da procura. Quando a oferta é grande, o preço do produto perde valor.

E quanto a nós?

No dicionário do trabalhador brasileiro, a palavra crise está no topo. Inúmeras foram às conjunturas perigosas por qual o país sofreu. Agora, há quem diga que enfrentaremos uma crise pelo fato de não sofrermos tão intensamente com os ventos tempestuosos do setor imobiliário. Os bancos nacionais não detêm papéis subprime. Além do mais, o “curto-circuito de bens e hipotecas” que se configurou, tem caráter mais local e além de ser conjuntural, ou seja, passageiro.

Mas, nem tudo são flores. A crise estadunidense atingiu o país, no tocante às relações econômicas. O problema com os títulos subprime fez com que o dólar caísse sua cotação frente ao real, e, consequentemente, o produto exportado não agrega mais valor como antes. Sorte nossa é que os indicadores econômicos referentes aos produtos-base da indústria, o petróleo e as safras recorde mantiveram a locomotiva brasileira nos trilhos. O PIB (Produto Interno Bruto) nacional, soma dos produtos e serviços produzidos, cresceu 5,8% no primeiro trimestre de 2008.

Ao que tudo indica esqueceram de nos convidar para esta farra econômica. A desigualdade caiu, as hipotecas estadunidenses pouco atingiram os nossos índices, entretanto, o povo continua pagando o pato (que me desculpe o pobre animal). Ora, sabemos que a inflação, a chibata pós-escravidão, não é decorrência apenas da crise alimentícia e dos títulos de financiamento de imóveis. Existe um terceiro fator preponderante.

Até lá, não se desespere. O mundo ainda há de te aguardar a espera, não de um milagre, mas de novas contas que certamente serão pagas por mim e por você! Aguarde neste mesmo blog e neste dia o próximo capítulo das chagas de 2008.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

A hora da verdade


Há 18 dias começava a saga de 16 seleções européias à conquista da Eurocopa - a Copa do Velho Mundo. A edição desse ano tem surpreendido a muitos. A começar pelas anfitriãs Áustria e Suíça, que sequer passaram da fase de classificação, adentrando a 3ª rodada da fase de grupos com chances extremamente remotas de classificação. A Grécia - vencedora da última edição da Eurocopa, em 2004 - fez pior. Os gregos tiveram o desprazer que ver a equipe mediterrânea amargar a última colocação do grupo D - com 0 ponto - e a conseqüente eliminação do sonho de sagrar-se bicampeã da competição.

A Itália - atual campeã mundial - decepcionou mais uma vez. Em jogo pelas quartas de final, ontem (22), contra a seleção espanhola, a Azurra não conseguiu se impor diante da Fúria (de David Silva, El Nino Fernando Torres e David Villa), que se demonstrou bem mais ofensiva durante todo o jogo: a eliminação veio nos pênaltis, 4 a 2.

Portugal, que enfrentara a Grécia no confronto final da Euro 2004, parou diante da seleção alemã. Após sua sofrer o terceiro gol, o semblante de Felipão era desolador. A seleção portuguesa era, até então, ovacionada e tida como favorita ao título. Com, ou sem o técnico brazuca no comando da seleção lusa, o certo é que Portugal terá de esperar mais um pouco para soltar o grito de “É campeão” há muito, entalado na garganta. Nem mesmo o futebol objetivo e mágico de Cristiano Ronaldo inibiu o carrasco português – o meia Bastian Schweinsteiger – o mesmo que tirou o terceiro lugar da seleção na Copa do Mundo de 2006.

A Holanda - que fazia parte do grupo C, ou grupo da morte como era designado por grande parte da imprensa - atropelou Itália, Romênia e a - infortunada - França na fase de grupos, porém não resistiu ao fôlego do jovem time russo. A equipe de Van Basten não suportou a vitalidade do time de Guss Hiddink (seu compatriota) que não esboçava cansaço aparente na batalha de 2 horas que definiu o 3º semifinalista da Eurocopa. O futebol vertical e tático russo deve ao técnico holandês e principalmente ao cérebro do selecionado – Andrey Arshavin – meia-atacante de rara visão, jogador do Zenit de São Petersburgo.

Aos trancos e barrancos, a Turquia chegou longe. Com três surpreendentes viradas e com o coração na ponta da chuteira, os turcos superaram a força física tcheca, o ferrolho suíço e a técnica croata, chegando a semi-final com inúmeros desfalques por lesão e cartões. Na próxima quarta (25) ela enfrenta a Alemanha. A Rússia joga na quinta (26) com a Espanha. Desses confrontos sairão os finalistas da competição.

domingo, 22 de junho de 2008

sábado, 21 de junho de 2008

Bagdá é logo ali.

Se você já sentiu alguma vez dó de como vivem hoje os iraquianos, que tiveram seu país invadido e que passa hoje por uma situação sectária, ou simplesmente imaginou que é impossível viver em um lugar com tanta violência, mortes, explosões e um total desgoverno, está na hora de parar de pensar assim.

Ainda mais se você é patriota, solidário ou (pior ainda), carioca mas não vive lá, está na hora de se perguntar o seguinte: “Como é possível viver no Rio de Janeiro”? Tudo, mas absolutamente tudo que foi dito sobre o Iraque – violências, mortes, explosões, desgoverno – se aplica à capital fluminense. Até uma invasão eles têm: a dos traficantes, verdadeiros administradores do Rio.

Nessa última semana, mais um episódio deu mostras de como a já chamada “Cidade Maravilhosa”, perdeu seu charme e seu brilho há muito tempo. Tom Jobim jamais conseguiria compor outra música enaltecendo sua cidade, dada a atual situação.

Quando veio a público que soldados do exército entregaram três jovens inocentes, erroneamente confundidos com bandidos à uma facção do morro rival daquele que os rapazes moravam, o que devia ter acontecido imediatamente era o seguinte: uma resolução do Conselho de Segurança da ONU solicitando imediata intervenção na cidade. Foi o cúmulo do absurdo. Mais uma mostra da guerra civil silenciosa que acontece aqui, do lado. Nada de Oriente Médio. Em 30 minutos, de avião, chega-se em um campo de guerra.

Se nem mesmo o Exército, a força militar maior do país, que está instalado nos morros para garantir segurança e que as obras do PAC(derme) sejam levadas à cabo está dando conta do recado, pelo contrário, está piorando a situação, o que faremos? O que deve ser feito? Parece uma guerra perdida. As mortes violentas superam em número as mortes de civis iraquianos.

Mas o que é feito? Nada. Em absoluto. Assassinatos, incursões de milícias, tráfico de armas, de drogas tornou-se comum. Quando vemos algo na mídia, não temos nenhuma reação. Afinal de contas, tudo o que é banal, torna-se desinteressante aos nossos olhos e ouvidos. Para efeito de comparação, nas últimas semanas Londres estava vivenciando uma série de assassinatos envolvendo jovens. Eles eram tanto os que cometiam os crimes, com facas, como também as vítimas. O efeito desses assassinatos, levou a população a pressionar o primeiro-ministro Gordon Brown para que medidas fossem tomadas. Rapidamente, uma nova política de amparo, conscientização e apoio ao jovem foi proposta pelo premier britânico, sabendo que caso não atendesse a população, seu já fraco governo sofreria um imenso revés perante a opinião pública.

O próprio novo prefeito Boris Johnson, ganhou as eleições na capital britânica aproveitando-se da situação que estava começando a fugir do controle do ex, Ken Livingstone.

Aqui? Estamos inertes. Ver traficantes ordenando o fechamento do comércio, escolas, impondo toque de recolher é normal. Ver o aliciamento de jovens e crianças no mundo negro do comércio de drogas é normal. Ver crianças matando, a mão armada, assaltando turistas e cidadãos à plena luz do dia é normalíssimo. Faz parte da paisagem urbana da cidade.

E o governo? Não vai bem. O desgoverno? Mandou “aquele abraço”, como diria Gilberto Gil. O governador Sérgio Cabral até parecia ter boa vontade, mas hoje mostra-se incapaz de combater o que é de longe, o maior problema da cidade. Ajuda do governo federal? Sim, até que há. Vai adiantar? Não. Um dia, quando o Exército ou a Força Nacional de Segurança sair dos morros, tudo piorará. Os traficantes escondidos (se é que algum ainda tem medo) sairão de suas tocas para mais uma vez, controlarem seus pequenos reinos.

O que é mais frustrante é ver como isso é possível de estar acontecendo dentro de um país que pleiteia vaga em Conselho de Segurança, que possui uma das maiores economias do planeta, num país que é promessa para as próximas décadas e o que é pior, na cidade que pleiteia ser a sede das Olimpíadas de 2016. No Iraque, a situação é compreensível, embora não aceitável. Se bobear, em 2016, a Bagdá do Iraque estará mais segura do que a nossa.

É necessário que medidas urgentes sejam tomadas, não para sediarmos nada, pois o Rio e o Brasil pedem medidas para agora, para ontem. O caminho não é fácil – a corrupção de parte do efetivo das polícias e dos políticos, agravam a situação do Rio, mas isso não pode ser um entrave para que sejam feitas as devidas tentativas.

Gilberto Gil que me desculpe, mas o Rio continua tudo, menos lindo.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Contradições multilaterais

Se você é sul-americano, me desculpe. Desculpe-me também se você é europeu, ou melhor, de algum país que faz parte da União Européia. As contradições e equívocos desses sub-continentes pautaram os assuntos das chancelarias dessa semana.

A UE, em um total retrocesso aos direitos humanos, publicou nessa semana, sob fortes críticas e protestos sua nova lei de imigração.

A nova lei, votada pela câmara européia pode afetar os cerca de 8 milhões de imigrantes ilegais que estão nos 27 países do bloco.

O texto permite manter detidos imigrantes em situação irregular por até 18 meses antes de serem deportados; proíbe o retorno à Europa por um período de cinco anos contados da data de deportação e autoriza o envio de menores a países diferentes daqueles de origem.

Todas essas leis, fazem parte da nova rígida política imigratória do continente que quer assim desestimular a entrada dos ilegais e a expulsão dos já residentes. A UE, na contramão de sua histórica cultura jurídica e de tolerância, que foi base e ainda serve de comparação para muitos Estados democráticos não percebem que tornando o tema imigração como crime, abala severamente suas boas relações com muitos países, incluindo os sul-americanos, além de ser contra os preceitos básicos dos Direitos Humanos.

O que foi acatado pelos deputados europeus é no mínimo vergonhoso, tendo em vista que muitos países, mas sobretudo nas Américas, acolheu milhares de refugiados da Europa nos seus períodos pós-guerras e de conflitos. Tradicionalmente um continente acolhedor, a América do Sul foi destino de muitos alemães, italianos e espanhóis que na ânsia por uma vida nova, viram aqui o melhor lugar para um recomeço.

Pensando nesses laços históricos, mas também no quão absurda é a nova lei, os países da América do Sul, subiram o tom contra o texto europeu reagindo assim de forma unânime. Os protestos dos governos do Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Brasil, Argentina e Peru concordam nos mesmos pontos: a diretriz, dizem, é discriminatória e viola os direitos humanos e em particular, o direito à livre circulação. Rafael Côrrea, presidente equatoriano, em uma rara mostra de dizer algo sábio, classificou a decisão européia como “diretriz da vergonha”. De fato, os países estudam uma resposta conjunta, ao invés de manifestações de cada ministério de relações internacionais ou seus correspondentes, na próxima cúpula do Mercosul prevista para 1º de julho em Tucumán.

O Brasil especificamente, classificou que o preceito recém aprovado “contribui para criar uma percepção negativa da imigração.” Não sei quanto aos nossos vizinhos, mas embora a medida européia esteja errada, o Brasil não pode reivindicar nada: temos com urgência rever a situação daqueles que estão de forma ilegal no país, muitos vivendo em condições, sub-humanas, literalmente. Em São Paulo, por exemplo, há uma imensa comunidade de bolivianos no centro da cidade amontoados em minúsculos espaços e trabalhando em regimes de semi-escravidão, em situação totalmente além do ilegal, desumanas e degradantes.

Ah, um detalhe que não pode passar batido – sabiam que esse ano foi o escolhido pelos europeus para celebrar o Ano do Diálogo Intercultural? Diálogo Intercultural sim, mas não dentro da Europa.

Um Jardim na antiga Cidade Jardim


A dica cultural dessa sexta é o Jardim Japonês, presente de 5.000m2 que a cidade de Belo Horizonte ganhou no último dia 16. O projeto que tem a assinatura do paisagista japonês radicado no Brasil, Haruho Ieda, visa celebrar a amizade entre os povos e propiciar ao povo brasileiro uma oportunidade de conhecer um pouco da cultura milenar do Japão.

O local contará com diversas árvores típicas das florestas japonesas: a bela cerejeira - árvore símbolo da Terra do Sol Nascente -, o pinheiro oriental, a azaléia e o bambu. A fauna do continente asiático estará representada por peixes e aves (o cisne-branco, o marreco-mandarim, o tadorna-tricolor e o tadorna-ferrujinha). O jardim terá toques brazucas, ou seja, diversas espécies vegetais de nossa flora dividirão espaço com os elementos naturais do Japão.

Outros atrativos do Jardim são: a casa de chás - marco característico da cultura japonesa - além de outros elementos que completam e dão harmonia ao local como portal (torii), as lanternas de pedra (toros) e a ponte de madeira.

O Jardim Japonês funciona na Fundação Zôo-Botânica de BH - Avenida Otacílio Negrão de Lima, 8.000 na Pampulha -, de terça a domingo, das 8h30 às 16h. Os ingressos variam: de quarta à sábado a entrada custa R$ 1,00; domingos e feriados, R$ 2,00; já às terças o ingresso ao local é totalmente grátis.

Um centenário, múltiplos legados

Cada milha ultrapassada na vastidão do Pacífico tornava a possibilidade do retorno dos 781 japoneses à Terra do Sol Nascente, um sonho inatingível e improvável. A Kasatu-Maru, embarcação que partiu do porto de Kobi naquele fim de primavera, em 1908, percorreu extenuantes 18 mil quilômetros em 52 longos dias, até ancorar no Brasil, no Porto de Santos.

A América, símbolo de prosperidade e oportunidades para muitas nações, seduziu inúmeros imigrantes japoneses que buscavam construir uma história pautada no progresso. Depois de sofrerem com os problemas advindos da avassaladora Revolução Meiji - que modernizou e industrializou o Japão de forma descompassada – não levando em conta às necessidades sociais da maioria dos japoneses, principalmente dos camponeses que estavam abandonados à própria sorte ante a mecanização dos campos.

Os primeiros imigrantes a chegarem ao Brasil se dirigiriam aos cafezais do oeste paulista, onde manuseariam o “ouro verde” que - desde o fim do sistema monárquico brasileiro - passara a esboçar o término de sua era de glórias. A partir de 1914 (início da Primeira Guerra) o fluxo de japoneses que chegavam ao Brasil cresceu assustadoramente. Nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul - principalmente - os japoneses encontraram solo e clima propício para o cultivo de grãos, frutas e ervas.

Hoje o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. Um total de 1,5 milhão deles entre nós.

Da cultura, à agricultura: a vinda dos japoneses para as terras tupiniquins proporcionou a nós, o aperfeiçoamento em muitas áreas do conhecimento, além da diversificação e incorporação de elementos importantes em nossa vida cotidiana. Citemos alguns:

. A miscigenação entre povos fez de nossa população ainda mais heterogênea e, esteticamente, bela;

. O xintoísmo e budismo chegam ao nosso país através dos japoneses. A idéia de sincretismo religioso - presente em nossa sociedade principalmente pela diversidade de valores e crenças em uma única nação - é, então, reforçado em nossa identidade enquanto povo e nação, já que o Brasil é um país de grande confluência religiosa;

. Yakossoba e tofu - pratos chineses, porém incorporados à culinária japonesa -, sushi, sashimi, molho shoyo, chás, sake... pratos e bebidas presentes nos menus dos restaurantes brasileiros. Extremamente leve e saudável, a culinária japonesa parece ter conquistado, de vez, o paladar dos brasileiros;

. Leveza e equilíbrio: valores repassados aos brasileiros através das técnicas orientais de relaxamento e concentração. Disciplina e força: presentes nas filosofias das lutas marciais. O judô, caratê, jiu-jitsu são lutas que a cada dia vem conquistando mais adeptos em todo o Brasil;

. As apuradas técnicas de cultivo agrícola, trazidas do Japão - país de relevo montanhoso, o que faz com que a agricultura seja considerada atividade desafiadora - contribuíram para fazer do Brasil, país que, hoje, ostenta uma das maiores produções de grãos e frutos do mundo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Dissabor


Antes de a bola rolar para o grande clássico latino-americano, os dois telões de 75m2, situados atrás das metas adversárias, recontaram a história do estado de Minas Gerais e nos relembraram um passado de glórias, quando Pelé, Rivelino, Gérson, Tostão & cia. faziam com que nós e o mundo inteiro, nos inebriássemos diante de tantos talentos e jogadas espetaculares que jamais sairão de nossa mente.

O gigante da Pampulha ganhara todo um esquema de iluminação, realçando ainda mais sua beleza diante da lua cheia do céu belo-horizontino. O placar eletrônico do Estádio Governador Magalhães Pinto, que fazia tremular as vivazes bandeiras brasileira e argentina, passou os 90 minutos a espreita de um gol que teimou em não sair, marcando um insosso 0 a 0 do início ao fim da partida.

Então, toda a magia de um jogo sem precedentes perdeu-se num Brasil e Argentina sem brilho, que não nos remete em nada, às batalhas travadas anteriormente. Duelos que tiravam o fôlego e faziam disparar o coração de qualquer um que ousasse assistir aos jogos protagonizados por essas seleções.

O show mesmo, ficou por conta das bandas mineiras Jota Quest e Skank, que embalaram a galera antes e no intervalo do jogo, tão somente. Uma pena, em se tratando de uma partida que ferveu em momentos esporádicos. Também, seria impossível de ser embalado! Depois das amargas derrotas para Venezuela, Paraguai e, agora, o empate com a Argentina dentro de seus domínios. Dunga que já rugira nas entrevistas, rugirá agora mansinho, que nem filhotinho pedindo arrego?

Bem, sorte nossa, que a Argentina também não é a mesma. O time que entrou em campo ontem se distancia e muito do que esteve presente nas Copas das Confederações e da Alemanha, quando se demonstrou equipe avassaladora, com um excelente e ágil toque de bola e um ataque poderoso.

De resto, do túnel que dá acesso ao gramado até as últimas tentativas travadas no Mineirão, viu-se um time aplicado, que se entregou dentro de campo, em busca de um placar favorável. Ora se alferes inconfidente, estive presente na arquibancada do Gigante da Pampulha, diria “Acordas quae seras tamem”. Mas, talvez meus olhos tenham se enganado, e, tudo visto por minhas retinas vire nada ao enfrentarmos um outro Paraguai, Canadá ou Venezuela.

A euforia esconde poder


Às pressas, o governo estadual determinou sua modelo: a MG-424, caminho para o CT (Centro de Treinamento) Atleticano, a “Cidade do Galo”, local em que seleção esteve hospedada nessa passagem pelas Minas Gerais.

A modelo, duramente criticada por relva excessiva e má iluminação, passou por um banho de loja, melhor, por uma maquilagem típica das administrações nacionais. Meios fios bem pintados, mato - que antes era matagal - muito bem aparado, faixas tracejada e contínua no centro da pista pintadas com forte amarelo - tudo isso ATÉ chegarmos a São José da Lapa (cidade pra lá do retorno para o CT).

Aí é outra história! Precisamos explicar o por quê?

Bem, mais à frente, o centro administrativo de Minas ganhara uma placa gigantesca que anuncia a “grande obra do governo do estado”. Ontem, o Sr. Aécio Neves reinava absoluto no Mineirão. Fizera um excelente trabalho nas Gerais! Fizera também a “fita” diante da imprensa brasileira, que, querendo ou não, teria de fazer aquele percurso para cobrir o dia-a-dia dos nossos bravos guerreiros tupiniquins.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O caos aéreo.

Caos aéreo? Aonde? No Brasil? Uai, mas já acabou, não"?, pensa o leitor. "Não, não acabou", responde o blogmaster.

Essa outra novela do governo Lula, que começou após o acidente com o Boeing da Gol em 2006, perdura até esse exato minuto. E assim continuará, já que não há nenhum indicativo de mudanças ou controle da situação. O leitor, pensa de novo: "Mentira! Não estou vendo nada sendo veiculado na imprensa. Nada de atrasos, nada de esperas e me sinto novamente seguro para voar".

Aí, o blogmaster vêm com duas respostas: sobre nada estar sendo veiculado pela mídia, acredito que seja o que chamamos no jornalismo de agenda setting. Essa teoria fala que a mídia seleciona os temas que o público falará e discutirá, num processo de agendamento mesmo, configuração, daí setting. Lembram-se da época do ápice do caos áereo: só viamos isso sendo veículado. E isso em todas as mídias e em todos seus respectivos veículos. E depois de um exaustivo período, BAM, num passe de mágica, tudo parece estar resolvido.

O blogmaster lança sua segunda resposta: de fato, os atrasos e longas filas de espera que se viam há cerca de um ano não estão mais infernizando a vida dos passageiros, mas isso não é indicativo que a situação esteja melhor. Apesar do governo ter decretado o fim do caos aéreo, a situação real não é essa.

Nessa semana, novos indicativos da real situação vieram a tona, com a divulgação de relatórios dos Cindactas - (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) - (você viu isso na imprensa?), mostrando registros de quase-colisões como em, para exemplificar, 20 de março deste ano, quando um Boeing-737 da Gol que se aproximava de Belo Horizonte (sim, aqui mesmo) vindo de São Paulo quando foi autorizado a iniciar a descida. Entre os níveis de altitude autorizados pelo controlador responsável, havia porém outro 737, esse da Varig que informou ter recebido o alerta do sistema anticolisão. Por muito pouco, não aconteceu outra tragédia nos céus brasileiros.

Os relatórios também apontam falhas nos radares: alvos falsos (quando surgem registros de aviões inexistentes); duplicação de alvos (o que pode levar o controlador a orientar um avião sem saber sua posição exata); e a existência de zonas cegas onde não é possível o monitoramento via radar ou rádio. Essas zonas cegas, foram as primeiras denúncias quando do acidente com o Boeing da Gol, lembram-se? Na época, o governo desmentiu a denúncia categoricamente dizendo que "os aparelhos para controle de vôo no Brasil são de primeira linha". Outra gravissíma denúncia, essa de alguns controladores de Cuiabá, relatam uma grande quantidade de mosquitos nas salas de controle até mesmo da presença de ratos, sim você leu certo, ratos sob os consoles de trabalho.

A FAB - Força Aérea Brasileira - claro, desmentiu os relatórios, atribuindo essas falhas a questões pontuais. O quê de "pontual" não podemos entender. Desde quando aparelhos com ratos andando em cima, radares que ora capturam fantasmas ora dobram o número de aeronaves é normal? Mas não meu caro leitor, a FAB, que entre algumas medidas divulgadas por eles que estão sendo e já foram tomadas para a melhoria do controle aéreo, incluem o pagamento de cursos de idiomas para os instrutores e monitores. Isso vem em excelente hora, já que também nessa semana, denúncias dos próprios controladores indicam que "apenas 10% (deles) estão aptos a se comunicarem com eficiência em língua inglesa", o idioma da aviação. Não precisa ser tão bom em matemática para entendermos que 90%, esse "restinho", não são capazes de usarem de maneira adequada, e portanto segura para os passageiros e pilotos, o idioma de Shakespeare. Mas ufa, calma lá, estou sendo muito severo: a FAB já está pagando "cursinhos de inglês", que alívio! Afinal de contas, aprender um novo idioma é algo que pode ser feito em questão de meses não é verdade?

E aí? Ainda seguros para voarem? Particularmente, eu não.

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Volta, vem viver outra vez ao meu lado"

Brasília chorara dias e noites pelo boêmio presidente que partiu e quase 42 anos depois, vê naquele que um dia fora torneiro mecânico, entoar o canto alegre e vivaz de “Volta, vem viver outra vez ao meu lado”, de Dolores Duran. Contudo, há aqueles que responderam à altura com o cântico: “CPMF, a que me tens de regresso”. Prefiro trazer ao internauta, um diálogo do cronista José Simão. Segundo o jornalista, Lula foi a uma sessão espírita e perguntou – “CPMF, você tá aí?” – e do além, veio uma voz de – “Tôôô!!!”

Se o Brasil é o país da piada pronta, eis uma nova e reencarnada, a CSS (Contribuição Social para a Saúde). O novo imposto traz os velhos moldes do tributo derrubado pelo Congresso, em dezembro de 2007 e criado na gestão FHC, sob a alegação de dar um upgrade na saúde, mas que permeou por várias pastas. A diferença entre os tributos será o fato da atual contribuição apenas incidir sobre os trabalhadores que movimentarem quantias acima de R$ 3.038, sob a nova alíquota (taxa) de 0,1% e não mais de 0,38%.

Ora, o imposto aprovado semana passada pela Câmara não caminha só. No passeio pelo bolso do trabalhador, o tributo traz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), seu amiguinho de escaladas! Pena que as contribuições não falam, para pedirmos carona nessa subida! Bem, este imposto conta, desde janeiro, com um acréscimo de 0,38% sobre compra de imóveis, crédito parcelado, financiamento, operações de seguros privados de saúde, cheque especial e outras operações cuja alíquota era nula.

A heróica vitória do Congresso, derrubando no Congresso a Medida Provisória que daria continuidade da CPMF até 2011 não trouxe vantagens ao consumidor, como se esperava, afirmou a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Seu impacto médio de 1,61% sobre os produtos, que representaria R$ 190 de economia/ ano. Maior que a taxa de 0,38%! A razão era seu efeito cascata. Explicando melhor, um produto taxado é negociado e se transforma em outro produto que adicionava novamente a alíquota.

É esse efeito cascata que continua a açoitar o trabalhador, você ou aqueles que o mantém. E pior, ele trouxe a inflação dos alimentos. Aí, vieram os comandados de Lula afirmar que não houve redução de preços com a falecida. A declaração quase apocalíptica do Ministro da Fazenda, Guido Mantega escorregou como manteiga, suave e deliciosa no ego oposicionista.

O governo alega necessidade de novos recursos para a saúde. Caso a falecida estivesse em vigor, R$ 40 bilhões entrariam para os cofres federais, sendo que cerca de 70% do montante seriam arrecadados por meio de pessoas jurídicas. Já com a CSS espera-se R$ 10 bilhões. Mais outro número: com a defunta, os impostos chegaram a representar 36,08% do PIB, em 2007. Mais de 11% de elevação em 10 anos.

Agora pergunto a você internauta: uma maior concorrência não traria preços mais amistosos ao seu bolso? Será necessária a criação de mais um tributo? Bem, se pensas que sim e queres imposto, ai que desgosto! Nada melhor do algo “Contra seu salário”! E assim segue a economia, mia, mia! Queres um lenço para melhor chorar?
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sem alma não há paixão, entrega, quiçá futebol

Foto: Portal La Nación

Ao término da fatídica partida entre Brasil e Paraguai, ontem (15), na arena de guerra, denominada Defensores Del Chaco, reparava na camisa canarinho, para ser mais específico, no seu estado pós-jogo. Daí, percebi algo interessante, que cabe, e talvez, complemente as incontáveis justificativas apontadas pelos cronistas esportivos, desde os grandes centros até os rincões mais longínquos do Brasil, para tal fracasso. Poucas gotas de suor e lágrimas teriam sido derramadas em nome da pátria. Fica a pergunta: Será que a seleção é somente um trampolim para os grandes contratos no exterior?

De certo, é que os selecionáveis de Dunga frustraram novamente o torcedor brasileiro, que, com calos nos olhos, resultado de um futebol apático, defensivo e burocrático, assistiu agora a uma seleção sem alma. Ora, se futebol é emoção, então observamos ontem um paciente na UTI à espera de um milagre. Com ou sem trocadilhos, a formação vencedora da Copa América 2007 e implementada pelo técnico, anão de história infantil, nestas Eliminatórias para a Copa de 2010, é sem dúvida, uma fuga insensata da escola nacional e um regresso aos saudosos tempos de Lazaroni, em que ganhar de meio a zero era goleada.

A excepcional fase paraguaia e o esquema tático, melhor, a inexistência de tática brasileira, não servem de justificativa para os vexames contra Venezuela e Paraguai. A apatia que assola a seleção, acompanhando-a desde a Copa na Alemanha, em 2006, retrata o amor inconteste dos jogadores pelas cores que vestem. A técnica se esvairiu junto a gana de vencer com o manto nacional. Sem alma e quiçá futebol, anotamos nesta tarde de domingo - Paraguai 2 x 0 Brasil.

Os gols de Roque Santa Cruz, atacante de Blackburn Rovers – ING, aos 26 min da primeira etapa, e, do carrasco brasileiro na Copa Libertadores, Salvador Cabanas, atacante do América – MEX, que selou no segundo tempo a vitória guaraní, já com um jogador a menos (após a expulsão de Verón), reafirmaram as fragilidades da atual seleção. O sistema de três volantes marcadores, além de chamar o adversário para o campo brasileiro, inviabiliza o jogo ofensivo e a criatividade no meio-de-campo, o que sobrecarrega a defesa e isola os atacantes. Se ao menos os laterais apoiassem!

Opções, Dunga tem de sobra. Jogadores talentosos e em grande fase, como Alex e Deivid no Fenerbahçe, Mancini pela Roma, Rafinha no Schalke 04, Liédson pelo Sporting Lisboa e Hernanes pelo São Paulo, se quer tiveram chances com o treinador. Alguns até figuram na lista do ex-capitão do tetra, mas ele prefere utilizar os talentosos Mineiro, Josué, Júlio Baptista, quando não ousa ao convocar os habilidosos Afonso, Vagner Love, Fernando Menegazzo e Doni.

Se o televisor transmite calor, veríamos o quanto o banco de visitantes do arcaico Defensores Del Chaco esquentou. Um placar nanico basta a Dunga contra los hermanos argentinos. Porém, espera-se que a seleção esqueça as histórias infantis e seu técnico anão, atuando como grande equipe que é. Só não vale entrar de salto alto!

domingo, 15 de junho de 2008

Pequenos no tamanho, mas grandes no coração


Crônica de Kátia Brito - estudante de jornalismo do Uni-BH - 1º período

Desde quinta passada – doze de junho – estou lendo uma das várias obras primas de Rubem Alves. E hoje tive a grata surpresa de ler um capítulo que se intitula: “Compaixão”. Com esse nome, eu esperava ler sobre fatos tristes e que me causassem comoção, porém não foi o que me aconteceu. Li o capítulo durante a minha viagem urbana de ônibus. E a cada linha que meus olhos tracejavam, me envergonhava das reclamações diárias que emito aos meus amigos e familiares. Ah! Eu não sou feliz! Ah eu queria ser mais magra! Ah! Eu queria poder comprar isso e aquilo! Ahhhhhh!

Enquanto eu perco meu tempo e minha saliva, algumas crianças perdem a sua infância nos semáforos vendendo balas e fazendo acrobacias com bolas, ou, até mesmo, objetos em chamas. E o pior, é saber que vejo essas cenas todos os dias e a única atitude que tenho é a de fechar os vidros ou dizer que não tenho dinheiro. Quando vejo os rostos tristes, clamando por comida e afeto pela televisão, aí sim eu esboço uma atitude digna, coloco a culpa no Presidente, no Senado, na Câmara e até mesmo nos pais desnaturados que deixam seus filhos irem as ruas pedir ou vender.

Muito fácil, não? Aqui, dentro do calor do meu lar, rodeada dos meus familiares, assentada no meu sofá confortável, com uma televisão vinte e nove polegadas e com um prato de sopa quentinho e falando mal de todos os culpados pela infância negada aos meninos de rua. Até esse momento, eu ainda não havia sentido um calor no coração que fizesse com que eu agisse de maneira diferente, o calor da compaixão, que segundo Rubem Braga é “Uma qualidade espiritual. E essa qualidade é a capacidade para ter compaixão. A paixão de compaixão, vem do latim passus, sofrer. Compaixão é ‘sofrer com’. Eu, individuo, não estou sofrendo. Sozinho sou feliz. Mas olho para um outro que está sofrendo: um menino sem agasalho, numa noite fria, pedindo uma moedinha, tarde da noite num semáforo”.

Senti-me assim no dia que uma criança solitária me pediu um afago. Foi surpreendente. Estava eu, sozinha, assentada num banco de praça, pensando na minha vidinha, quando um menino de uns quatro anos de idade, perguntou se eu queria comprar balas. Rude, respondi que não. “E um cafuné, a senhora faz em mim?”. Nossa! Como doeu. Não sei dizer se foi na alma ou no coração, só sei que doeu. Meus olhos ficaram rasos d’água. Tentei disfarçar com um sorriso amarelo e não pude negar aquela criança um carinho que com toda certeza, ela não deve ter ou nunca teve.

Desde esse episódio cotidiano, vejo as crianças de rua com outros olhos, com os olhos da alma, olhos de quem sabe que ali naqueles corpos residem almas grandiosas de sentimentos e que a carência é de material, não espiritual. E é nessas horas que percebo que sou mais digna de compaixão do que eles, porque sou carente, mas de sentimentos mais nobres no meu coração.

Carmen Sandiego que se cuide...

Os ladrões brasileiros demonstraram, mais uma vez, que têm tudo para “roubar” da ladra mais famosa do mundo, o posto de número 1 da bandidagem mundial

Não queremos que o título e o subtítulo do post de hoje soem como uma banalização cruel ao acontecido na tarde de quinta-feira (12), na Estação Pinacoteca, em São Paulo, quando 4 obras de arte - “Mulheres na janela” de Di Cavalcanti, “Pintor e seu modelo” e “Minotauro, bebedor e mulheres” de Picasso e “Casal” de Lasar Segall - foram roubadas de um dos principais roteiros culturais da cidade paulistana. É com extremo pesar que visualizamos a situação. Passemos a nos explicar.

Carmen Sandiego, mera personagem dos quadrinhos, desenhos infantis e jogos eletrônicos foi, apenas, personalidade, por nós, encontrada para estabelecer comparação com os ladrões brasileiros: cada dia mais audaciosos e desafiadores. Nosso subtítulo guarda certo sarcasmo. Mesmo que Carmen existisse, ela não teria por quê temer. Talvez os ladrões brasileiros não sejam tão inteligentes quanto a sagaz e bela personagem inglesa. Eles só contam com o fato de que: o Brasil é palco propício para a prática de crimes - seja eles quais forem.

O roubo de obras de arte de museus e peças sacras de igrejas - as quais possuem imensurável valor cultural para a população e simbólico para os fiéis, respectivamente - tem sido prática rotineira no Brasil. Muitas das peças subtraídas jamais são encontradas. E boa parte delas são negociadas no mercado negro mundial por valores irrisórios, se é que podemos estipular valores quantitativos, quando se está em jogo uma gama de significações envolvidas e agregadas às peças.

Dois meses depois do roubo ao MASP (Museu de Arte de São Paulo) - história que teve um desfecho feliz, com a recuperação dos quadros de Picasso e Portinari - São Paulo é, novamente, palco da ação de bandidos, que, ao que tudo indica, agem a mando de terceiros. Segundo uma das funcionárias da Pinacoteca - alvo dos criminosos - os bandidos perguntaram nominalmente pelas obras que foram roubadas.

A polícia já comunicou a todos portos e aeroportos do Brasil, o roubo das telas. Até mesmo a Interpol (Organização Policial Internacional) foi noticiada do roubo, que vinha sendo arquitetado há pelo menos uma semana, quando as câmeras do circuito interno de segurança da Pinacoteca registraram imagens dos ladrões. O crime surpreende. Primeiro: pela falta de pessoal armado no local Segundo: a Pinacoteca está situada em um dos pontos mais policiados da cidade de São Paulo. Terceiro: 10 minutos foram suficientes para que o plano fosse concluído.

Avaliadas em R$ 1 milhão - segundo informação divulgada pela Secretaria Estadual da Cultura - as obras que não pertencem à Pinacoteca, foram emprestadas pela Fundação José e Paulina Nemirovsky - integrando o maior conjunto particular de Arte Moderna conhecido no País - mediante uma parceria firmada entre as entidades, no ano de 2004. A espera pelo resgate das obras será árdua e angustiante, já que a Pinacoteca não tinha feito, sequer, seguro contra roubo das obras.

Destaque internacional nas páginas policiais do mundo inteiro, o Brasil ainda é sinônimo de corrupção, violência, pobreza e desigualdade. Agora, nosso país se destaca por outro motivo: é o 4º colocado na lista dos países onde se registram maior quantidade de furto e/ou roubo de obras de arte em todo o mundo. Faltava-nos algo, não?

Conheça os quadros roubados, clicando nos nomes abaixo:

sábado, 14 de junho de 2008

Aécio Pimentel e Fernando Neves

Para aqueles que gostam de política, Belo Horizonte que já é vista como uma cidade diplomática e que "respira política", torna-se nesse ano um lugar ainda mais interessante para os admiradores dessa nobre arte.

A sucessão para a capital mineira, ganha novos capítulos a cada semana e como protagonistas, dois dos nomes mais fortes na política, porque não nacional: Aécio Pimentel e Fernando Neves. Ou seria o contrário? Perdão, perdão - Aécio Neves e Fernando Pimentel. A imensa afinidade entre ambos, que são de partidos antagônicos (em teoria) impressiona e me permite o leve trocadilho.

Fernando Pimentel, forte nome dentro do PT, costurou uma aliança para sua sucessão com ninguém menos que Aécio Neves, do grão-triunvirato tucano. Na teoria, algo descabido e inimaginável. Não para os dois. Prefeito e governador fecharam um acordo que encabeça o ex-secretário do estado, Márcio Lacerda (PSB) e o deputado Roberto Carvalho (PT), contrariando o veto da Executiva Nacional do PT alegando que a aliança prejudicaria as eleições de 2010 que tem Aécio como forte presidenciável.

Mentira, claro. O que o PT realmente quer, é desestabilizar a forte aliança que foi construída, com louvor, por Fernando Pimentel que a cada dia que passa, ganha mais força e importância no partido. O PT, que por tradição já não gosta de dividir poderes, gosta ainda menos de fazer isso com alguém que não seja da paulistéia do partido. E reconhecer os méritos do prefeito ao construir tal aliança é algo difícil para os caciques do partido. Ainda mais que com essa aliança, que concretizada, dará ainda mais projeção à Pimentel, forte candidato ao Palácio da Liberdade em 2010, e porque não, ao Palácio da Alvorada quatro anos depois.

A parceria PT-PSBD, segundo seus respectivos protagonistas será levada a cabo, com ou sem a autorização do PT. Nos bastidores, Pimentel recorreu até ao presidente Lula, para que ele intervenha pessoalmente, algo que já foi feito. Lula conversou com o presidente do PT, Ricardo Berzoini dizendo que "o que estão fazendo em Belo Horizonte é uma sacanagem". O partido então, autorizou uma aliança informal com os tucanos, algo que foi mal aceito pelos tucanos e pelo PSB, partido que faz parte da base aliada do presidente Lula. Esse semi-veto do PT, pode estremecer a aliança com o PSB, que faz parte da base governista do presidente Lula e vê como afronta a quase proibição. O presidente do partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, veio à Belo Horizonte discutir com o prefeito Pimentel os próximos passos dessa ciranda.

Claro que ainda teremos alguns interessantes desdobramentos (que acompanharemos de perto, logicamente) desse caso, mas alguém aí dúvida que no final, tudo dará certo para a dobradinha Pimentel-Aécio? Primeiro, porque Pimentel é aprovado pela maioria da população e ele está fazendo o que todo político sempre almeja, mas não consegue - escolher seu sucessor político e dizer para o eleitorado: "É ele". E segundo porque todos nós sabemos que em Minas Gerais, nem síndico de prédio é eleito sem as bênçãos de Aécio Neves. E não vai ser na prefeitura de Belo Horizonte que isso será diferente.

Está dada a largada


- Via Blog do Fernando Soares - dia 06 de maio de 2008
Deixe seu comentário. Pois, aqui no Sem Fronteiras você tem voz e vez.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

De olho no FIT-BH


Há 14 anos, as agendas culturais da capital mineira e de algumas cidades pertencentes à Região Metropolitana de BH, tornavam-se mais atraentes. Com a proposta de fornecer atividades de cunho cultural que transitassem entre as ruas e os palcos, o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro Palco & Rua) é um projeto de sucesso da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em parceria com setores privados que prezam pela difusão da cultura tradicional e contemporânea da cidade.

O projeto teve início no ano de 1994, quando grupos de alguns países latinos e europeus, além dos estados de Sergipe, São Paulo e Rio Grande do Norte - apresentaram diversos números artísticos que ganharam repercussão diante do grande apelo popular. Logo na primeira edição, o FIT-BH conquistou os belo-horizontinos, e hoje, é atração aguardada com ansiedade pelos aficionados pelo teatro em sua completude de traduções e significados.

Este ano, o festival se estende dos dias 26 de junho a 06 de julho e terá em média 100 a 120 apresentações - internacionais, nacionais e locais. Metade dos espetáculos serão totalmente grátis e acontecerão em praças, ruas e em parques das cidades, onde o festival estará desenvolvendo suas atividades. As demais apresentações acontecerão em espaços restritos, nos quais o acesso se dará por meio de ingressos, que, se adquiridos antecipadamente, saem a preços acessíveis à boa parte da população.

A programação foi cuidadosamente elaborada. No FIT-BH você poderá conferir todos os espetáculos, uma vez que não existe superposição de horários. As oficinas, exposições, palestras, mostras de vídeo e outras atividades são gratuitas e estarão à disposição de jovens, adultos e crianças.

A abertura do festival acontecerá às 22h do dia 26 de junho, na Praça da Estação, com apresentação do versátil e popular pernambucano, Antonio Nóbrega, que agitará a noite com a batida frenética de sons nordestinos, ou seja, bastante maracatu, baião, frevo e marchas de bloco.

Essa é a sugestão cultural do Sem Fronteiras na noite de hoje. O incentivo à cultura em suas diversas formas de linguagem e expressão será prática constante por aqui. O FIT-BH é uma excelente dica cultural, pois através de uma instigante e inteligente programação, oferecerá entretenimento com alto padrão de qualidade, o que não tem preço.

- Maiores informações no site oficial do FIT

"No to Lisbon"


Foi isso que os irlandeses disseram hoje ao Tratado de Lisboa, mergulhando a União Européia numa nova crise, depois de sucessivas tentativas para garantir uma maior governabilidade ao bloco.

O Tratado de Lisboa precisa ser ratificado pelos 27 países-membros da UE, mas a Irlanda foi o único país a submeter o Tratado a um plebiscito, enquanto em outros 18 países foi levado à apreciação dos parlamentos nacionais. Esse texto, pretende reformar a União Européia, que está vivendo uma crise de identidade e que mergulhou numa profunda crise em 2005, após ver seu projeto de Constituição receber "não" das populações da França e Holanda.

Com esse novo "não", agora dos irlandeses, as propostas do Tratado que incluiam a criação de uma Presidência do Conselho de Ministros da UE com longo mandato, um chefe de política exterior mais poderoso e a remoção do poder de veto de países em um número maior de áreas de decisão, ficam ameaçadas.

O texto do Tratado, que só foi obtido depois de muita diplomacia por parte da chancerler federal Angela Merkel, em junho de 2007, durante a presidência alemã da UE, "não está morto", segundo o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso. Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigiram – numa declaração conjunta – que o processo de ratificação do documento prossiga nos demais países-membros da UE.

Semana que vem, um novo encontro da cúpula da UE será realizado em Bruxelas, onde os chefes de governo e Estado do Bloco terão que discutir diversas opções para resolver o impasse irlandês. Uma das medidas que estão sendo pensadas, é a realização de um segundo plebiscito na chamada ilha Esmeralda, repetindo assim o que aconteceu em 2001, quando os irlandeses também rejeitaram o Tratado de Nice, que expandia o bloco com a entrada de países do Leste Europeu. No primeiro plebiscito, os irlandeses disseram "não", dizendo "sim" no segundo.

Um segundo plebiscito agora seria um erro: teoricamente, caso um único país diga "não" ao Tratado de Lisboa, o processo deve ser abortado e repensado, fazendo-se as devidas modificações. Porém, uma segunda consulta só mostra como a União Européia não está preparada para ouvir um sonoro e penoso "não", como aconteceu em 2005, com Holanda e França. Uma das soluções que estão sendo discutidas é "acerto jurídico", que permitiria fazer exceções à Irlanda em determinados assuntos. Com isso, o tratado ainda poderia entrar em vigor nos países restantes. Outra opção é a de um terceiro tratado, mas essa tese é totalmente inviável - se os últimos dois estão sofrendo esse desgaste, a UE não agüentaria o baque de um terceiro, além do tempo que se faz necessário na confecção de algo desse tipo.

A União Européia, que comemora esse ano, 50 anos dos Tratados de Roma, que entraram em vigor em 1º de janeiro de 1958, precisa repensar com urgência seu papel no mundo, já que um de seus objetivos que é ser um contraponto à hegemonia norte-americana, pode ser seriamente ameaçada, ainda mais que em 2009, um novo presidente tomará posse nos EUA e como tudo indica que a política externa norte-americana mudará sensivelmente. Quem quer que seja eleito, quem pode ficar de fora são os europeus. E falando neles, caso haja algum crédulo, a sexta-feira 13 será marcada definitivamente como uma data de azar.

Não tão internacional.

Uma das coisas que mais me incomodaram como expectador de notícias e ainda incomoda, agora, como estudante de jornalismo, é a falta da notícia de internacional. Na verdade, acredito que o que é feito no Brasil não poderia nem ser chamado assim, mas talvez, "notícias EUA-Europa-Israel-China". Necessariamente nessa ordem. Como editor de internacional do Sem Fronteiras, tinha que fazer esse mini-editorial antes de começarmos com as postagens.

O "resto", passa totalmente despercebido pela imprensa nacional. Aquele mais prepotente pode pensar: "E há resto"? Sim, com certeza há! Esse "resto" corresponde a 65% da população mundial, ou 4,3 bi de pessoas. Por razões que espero um dia aprender, quase 70% da população mundial não é foco das notícias. Isso me incomoda ainda mais, quando entro em sites de notícias de alguns países pelo mundo, algumas publicações que leio e constato que o internacional pode, de fato, se chamar assim. Vai me dizer que você sabia que a comunidade internacional está fazendo pressão em Robert Mugabe (quem?), presidente do Zimbábue, para que ele leve seu país à democracia após 28 anos sob seu comando. Que um escândalo estourou nas Nações Unidas após denúncias de que os soldados de paz da organização (aqueles dos capacetes azuis), estavam abusando sexualmente de crianças na África? Que os sul-coreanos, depois de tomarem as ruas da capital Seul, conseguiram que seu primeiro-ministro apresentasse renúncia depois de problemas com a importação de carne dos Estados Unidos? Que uma nova maré "Tirem a Rainha" está começando na Austrália?

Na verdade, até imagino um motivo para a cobertura ineficiente: por ter proporções continentais, e com problemas internos já o bastante para divulgar, a cobertura de alguns acontecimentos passa despercebida, mas ainda assim, acredito que um novo critério deveria ser pensado, porque nem mesmo as emissoras all news dão destaque a muita coisa. Quem perde com isso, somos nós, que ficamos restritos à uma parcela ínfima do que é de fato, notícia, ficando assim descontextualizados e desatualizados.

Talvez hoje, a melhor emissora do mundo que realmente preza a notícia de internacional, no sentido mais amplo da palavra, seja a britânica BBC, referência no jornalismo mundial. Essa emissora, para exemplificar envia a países da África, que são totalmente ignorados por nós, seus principais âncoras como George Alagiah, Huw Edwards para cobrir conflitos e impasses políticos naqueles países. Alguém aí já imaginou Fátima Bernardes numa dessas? Particularmente, eu não. Além disso, a BBC mantém o World Service (Serviço Mundial), com emissoras transmitindo programação local em mais de 20 idiomas, atingindo os mais remotos locais do planeta, entre elas, a BBC Brasil que completa agora em 2008, 70 anos.

É um desafio ao jornalismo selecionar o que será veiculado ao seu público, e, incluo o SF nisso. Como a peridiocidade da editoria de internacional do blog é semanal, às sextas-feiras, uma seleção ainda mais cautelosa deverá ser feita, mas como disse, considero interessantes essas considerações, porque não há dúvidas de que um novo jornalismo se faz necessário.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Presente de grego ao alvinegro


Longe do ritmo frenético e alucinante das grandes redações, esta equipe de “intrépidos analistas”, segue a cartilha do bom e velho jornalismo universitário: dispor de perseverança, criatividade e nenhum centavo no bolso. Escolhemos ser honestos com você internauta, que nos acompanha pela primeira vez ou que já se acostumou com a nossa proposta jornalística. Antes da bola rolar, de um time bailar, do espetáculo começar, pensamos: como poderíamos fazer a cobertura da cobertura de Sport vs Corinthians? Como tornar o ultrapassado, novo e atraente? Inconscientemente, fomos levados a uma decisão.

O relógio do computador marcava 21h e 40 min. De Pedro Leopoldo vem à notícia de que a partida começou. Os dois editores de Esportes do Sem Fronteiras conversavam sobre a necessidade de ver a decisão. O televisor 21 polegadas traria imagens de um jogo histórico ao blogmaster André Martins, que sentado num dos sofás da sala, posto em frente à tv, vê um movimento incessante de troca de canais que quase lhe tiram o foco da partida. De Belo Horizonte, Lucas Fernandes, o outro blogmaster dessa editoria, desliga o televisor de 14 polegadas, situado em seu quarto. Esquecera da tarefa? De você leitor? Não, ele leva a mão direita ao rádio. Sintoniza e começa a ouvir Sport vs Corinthians.

O JOGO

A noite de ontem, dia 11, reservaria grandes glórias. Do rádio vem o apito, favorável ao time de Parque São Jorge. Ressurgia o pensamento de que em partidas decisivas a camisa “pesa”. O gavião senhor, com seus 97 anos de tradição, uma vantagem adquirida no primeiro jogo e sua torcida ‘fiel’ que cantou em voz audível, a romântica melodia do Rei Roberto Carlos, parodiada: “Não pára, não pára, não pára/ Vai pra cima Timão”. Grandes emoções foram vistas naquele televisor, bicho! Rsrsrs! Emoções que não bastaram para calar o leão pernambucano que teimou em rugir alto e forte, mostrando quem era o “dono do terreno”.

Acuado, o “Timão”, podia até perder por um gol de diferença. Podia! Jogava pelo resultado, fechado em seu campo de defesa, esperando surgir “a oportunidade” em que num possível contra-ataque, ampliasse a vantagem que já possuía. O “Leão da Ilha do Retiro”, por outro lado, era só pressão, na voz in–con–fun–dí–vel de Cléber Machado. O rubro-negro pernambucano detinha 71% da posse de bola, logo nos primeiros 20 minutos de partida. Mas, e daí? E daí que o bom posicionamento da zaga corintiana foi por água à baixo, quando aos 34 minutos da 1ª etapa, Carlinhos Bala (aquele da “38” celeste) chutou forte em diagonal, para o gol. O goleiro Felipe até chegou a encostar levemente na bola. Porém, ela estava destinada a encontrar o lado direito do gol alvinegro.

A ameaça deu lugar à ousadia. O time paulista foi se abrindo em busca da igualdade no marcador... e o Sport, matreiro, quis, se armou, tentou, chegou... e diante da vulnerabilidade alvinegra, o chute “inofensivo” de Luiz Henrique entrou. O radinho marcou! A casa caiu de vez para nação corinthiana. A Ilha se pôs a gritar, dois minutos após o gol de Bala. Felipe, que se atrapalhou com o quique da bola, parecia perplexo com a “bala na agulha”, melhor, nas canetas do goleiro, ídolo da segunda maior nação do país.

Não dá para dizer que o Corinthians não teve chances de reverter o marcador, o que obrigaria o Sport a marcar o 3º para levar a decisão para os pênaltis e o 4º para levantar o troféu de campeão. Contudo, Fabinho, com forte cabeçada, espalmada para escanteio por Magrão e Herrera que na “cara do gol” chutou para fora, pareciam reconstituir o drama corinthiano – daquele torcedor que sofre, e no fim, sofre mais ainda. Eis que surge Acosta, em frente á meta. Ele dribla o goleiro e cai. Pênalti! De Pedro Leopoldo vem a exclamação. Cera! Pensa quase inconsciente, o editor Lucas Fernandes, na capital mineira. Aqui paramos o texto, para pedir desculpa ao internauta pela displicência do autor. Falhas acontecem em meio a coberturas. Mas, como nosso dever é informar, continuamos.

O trio de arbitragem - composto por Alicio Pena Júnior, da FMF e seus auxiliares, o baiano Alessandro Matos e o potiguar Milton dos Santos - fez trabalho respeitável, apesar do questionável pênalti em Acosta. Porém, não adiantava “chorar”. Naquela altura do campeonato (perdoem-nos o trocadilho), o Sport já se tornara o primeiro time pernambucano - melhor - nordestino a conquistar a Copa do Brasil. Uma conquista histórica, antes restrita ao eixo Sul-Sudeste. Nas mãos de Nelsinho Baptista, o rebaixado técnico corinthiano na pífia campanha de 2007, o Leão rugiu, instaurando a crise do EU: eu não acredito mais em milagres do “Timão”!

Internacional, Palmeiras e Vasco, times cotados como favoritos, caíram diante das garras felinas do Leão Pernambucano. Com poucas estrelas e um orçamento mensal baixo, o Sport faz por merecer o troféu e o passaporte para o maior torneio de futebol das Américas: a Libertadores. O título é ingrediente fundamental para uma valorização do futebol nordestino, visto com outros olhares agora. Neste certame, a festa coube ao agreste e quem sabe, caiba mais vezes, fugindo das tradicionais e poderosas escolas paulista, carioca, mineira e sulistas. Ah! Havíamos esquecido do aniversário de Mano Menezes. A ele um presente de grego: um caldeirão vermelho e preto, que incendiou a casa alvinegra. Favor, quem sair, apague as chamas!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Um duplo parabéns!

Bom, aqui estamos caro leitor do Sem Fronteiras. Hoje é a minha estréia aqui no blog, se assim podemos dizer. Claro que no dia 7, data que estreamos esse espaço, tiveram alguns parágrafos meus nas duas postagens daquela noite, mas hoje é a estréia solo. Antes de falarmos do que realmente importa, gostaria de agradecer profundamente aos mais de 300 cliques que esse blog já recebeu em menos de uma semana de vida. Bom presságio! Sendo assim, parabéns aos outros dois blogmasters pela qualidade dos textos e que você, leitor, continue sempre nos prestigiando.

O outro parabéns da noite, é direcionado à você meu caro amigo. O motivo? Simples - há a grande possibilidade de que à partir de 1º de janeiro de 2009, você e sua família paguem um novo imposto! Não é uma beleza?

Foi aprovada hoje, na Casa da Mãe Joana, conhecida também como Câmara dos Deputados, a nova CPMF, carinhosamente rebatizada de CSS - Contribuição Social para a Saúde. Esse nome já gerou alguns interessantes trocadilhos: o presidente da Fiesp, Paulo Skaf entende CSS por "Contra seu sálario" e há ainda aqueles que a chamem de "Contribuição sem sentido". Os deputados já haviam votado a emenda 29 (que destina mais recursos para a saúde), mas a votação para a recriação do tributo foi feita separadamente. O placar da votação foi apertado - 259 deputados foram a favor da recriação do imposto, 159 contrários e duas abstenções. Para que o pseudo-neo-tributo fosse aprovado, eram necessárias 257 votos. O governo conseguiu apenas dois a mais de um universo de 383 que integram a base governista, mostrando claramente como o assunto era controverso até mesmo para os governistas. Para uma relação com os deputados que votaram contra você, clique aqui e procure pelos deputados mineiros.

O texto agora segue para o Senado Federal, onde se espera que a votação seja mais apertada: o governo possui uma ferrenha oposição e a aprovação da CSS pode ser mais complicada. O último exemplo claro dessa oposição foi no ano passado, quando o governo não conseguiu renovar a reencarnada CPMF, numa manobra dos senadores principalmente do DEM e PSDB.

A CSS meu caro leitor, é mais um conto da carochinha que tentam nos enfiar guela a baixo - a proposta é de uma alíquota 0,1% para todas as movimentações financeiras daqueles com ganhos acima de R$ 3.038, ou seja, a classe média. Mais uma vez, é ela quem irá sofrer com os desatinos do governo, que claramente não havia digerido a derrota sofrida no final de 2007. Uma análise rápida nos permite dizer: as classes mais pobres, que dão a ampla margem de popularidade do presidente Lula, não se importarão com mais esse tributo e continuarão alegremente apoiando nosso presidente. Tudo que o governo sempre quis - manter sua fiel base de apoio aliando à cobrança vergonhosa de impostos nas classes A, B e C. Segundo a proposta original, o dinheiro arrecadado, cerca de R$ 10 bi no primeiro ano da cobrança, seria dedicado integralmente à saúde. Nós, como brasileiros que conhecemos a política no nosso país sabemos que isso não acontecerá. Quando da criação da CPMF, a história era a mesma: dinheiro integral a saúde. Quem já foi à um posto de saúde sabe responder se isso aconteceu ou não.

E sinceramente, mesmo que isso acontecesse de fato, não seria necessário: o governo está batendo a cada ano recordes de arrecadação de impostos, está renegociando a dívida de produtores rurais, ou seja, dinheiro não é o problema. Mas isso, é típico de Brasil: quando é para falar de "liderança na América", "novos campos de petróleo", "maior papel no cenário internacional", somos um país rico, próspero, onde nas palavras de Lula "Deus chegou aqui e não quer mais sair". Por outro lado, na hora de criar impostos, somos o mesmo Brasil pobre, sem recursos e que precisa desesperadamente sugar o máximo possível de sua população. Coisas de Brasil.

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