sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Blindness

Sinestésico e provocantemente imaginativo, talvez sejam as expressões mais corretas para caracterizar Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, Canadá / Brasil / Japão, 2008) o novo filme do diretor brazuca mais famoso no exterior, Fernando Meirelles.

Baseado na extraordinária obra do português José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, premiado com o Nobel de Literatura, Blindness diz respeito a uma misteriosa epidemia de cegueira que se abate sobre uma cidade, não especificada. A única mulher capaz de enxergar é a personagem - digo personagem pelo fato deles não possuírem nomes - de Julianne Moore, casada com um oftalmologista (Mark Ruffalo) que, assim como seus pacientes, acaba perdendo a visão.

Cegos e abandonados à própria sorte, os doentes são enclausurados em quarentena em uma espécie de sanatório. Ali, todos serão guiados pelos olhos da personagem de Julianne, que finge estar cega para não se separar do marido. Ao longo da narrativa surgem situações conflituosas que retratam a degradação, tanto física, quanto moral do ser humano.

Mesmo não sendo nenhum crítico de cinema, vê-se que em Blindness tudo funciona muito bem. Desde a fotografia impecável, de Charlone, velho conhecido e parceiro de Meirelles, às interpretações, principalmente, da brasileira Alice Braga e, de Julianne Moore.

O filme é repleto de belas e comoventes cenas. Como a que a personagem de Moore é perguntada pelo marido, quantas horas eram. Com o semblante apático e desolado ela chora desesperadamente diante do desgaste e da responsabilidade de ser a única possuidora do dom da visão, e diz ter esquecido de dar corda no relógio. Outra cena espetacular é a da chuva, quase no fim do filme.

Ovacionado por uns e detestado por outros, Blindness dividiu a crítica internacional, alvoroçou e ao mesmo tempo chocou a platéia em Cannes, onde esteve na disputa pela Palma de Ouro. De fato, é desconfortável assistir a cenas tão pesadas quanto a do estupro coletivo, mas o fato do diretor retratar o caráter bestial que determinados personagens adquirem diante do descontrole e do caos, não tira os méritos da película, ao contrário, enobrece-a ainda mais. É preciso coragem para mostrar as facetas humanas ocultas e reprimidas diante das regras sociais a serem seguidas “cegamente” por todos.

Ainda é cedo para especulações, mas Ensaio sobre a Cegueira tem chances de abocanhar indicações no Oscar 2009. Minhas apostas são para as categorias de melhor atriz (Julianne Moore), fotografia (César Charlone), edição (Daniel Rezende) e roteiro adaptado (Don McKellar). As chances de Fernando Meireles nas categorias de melhor direção e filme são remotas, mas reais, por que não? É esperar e torcer.

Veja o trailer de Blindness (clique aqui)

5 comentários:

Lena gon disse...

nossa esse filme tem cara de ser mtu bom!!!!assim q der eu vou ver, valeu pela a dica

Dio disse...

Parece valer a pena assistir esse.
;D

Faz tempo que não vejo um filme bom.

=S

www.fator-d.blogspot.com

Rodrigo Piva disse...

Já estava com vontade de ver esse filme, depois dessa sua crítica então! Parece ser demais!
Abraços

All3X disse...

Pelo ótimo trabalho de José Saramago, ainda vou tomar a iniciativa de comprar o livro. E por ser uma obra que relata assuntos conflituosos, ainda irei assistir ao filme, pois não posso perder a oportunidade.
Mas bem que poderíamos ter não apenas as indicações, mas também premiações do Oscar ao nosso Meireles. É esperar para ver...
Valeu,
AllX

LETÍCIA CASTRO disse...

André, amigão, tudo o que vc disse sobre a sinestesia e sobre os papéis de Julianne e Alice são a mais absoluta verdade. Eu tb amei o filme!
Tb acho que dessa vez vem Oscar, ainda que só o precisemos pela grana e prestígio, o que já não é pouco. Parabéns, porque a crítica ficou excelente, faça mais, faça outras!
Agora, escuta, que história é essa de mudar o layout e não avisar os amigos, mais especificamente, a minha pessoa? rs Por acaso eu já não só sócia aqui? hehehe Fico alguns dias sem vir e pronto tá tudo mudado... By the way, ficou um arraso!!! Mas, tudo o que vcs fazem o é, né não? Eu acho e assino embaixo.
Beijo muito carinhoso para os 3!
Letícia.

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