quarta-feira, 18 de junho de 2008

O caos aéreo.

Caos aéreo? Aonde? No Brasil? Uai, mas já acabou, não"?, pensa o leitor. "Não, não acabou", responde o blogmaster.

Essa outra novela do governo Lula, que começou após o acidente com o Boeing da Gol em 2006, perdura até esse exato minuto. E assim continuará, já que não há nenhum indicativo de mudanças ou controle da situação. O leitor, pensa de novo: "Mentira! Não estou vendo nada sendo veiculado na imprensa. Nada de atrasos, nada de esperas e me sinto novamente seguro para voar".

Aí, o blogmaster vêm com duas respostas: sobre nada estar sendo veiculado pela mídia, acredito que seja o que chamamos no jornalismo de agenda setting. Essa teoria fala que a mídia seleciona os temas que o público falará e discutirá, num processo de agendamento mesmo, configuração, daí setting. Lembram-se da época do ápice do caos áereo: só viamos isso sendo veículado. E isso em todas as mídias e em todos seus respectivos veículos. E depois de um exaustivo período, BAM, num passe de mágica, tudo parece estar resolvido.

O blogmaster lança sua segunda resposta: de fato, os atrasos e longas filas de espera que se viam há cerca de um ano não estão mais infernizando a vida dos passageiros, mas isso não é indicativo que a situação esteja melhor. Apesar do governo ter decretado o fim do caos aéreo, a situação real não é essa.

Nessa semana, novos indicativos da real situação vieram a tona, com a divulgação de relatórios dos Cindactas - (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) - (você viu isso na imprensa?), mostrando registros de quase-colisões como em, para exemplificar, 20 de março deste ano, quando um Boeing-737 da Gol que se aproximava de Belo Horizonte (sim, aqui mesmo) vindo de São Paulo quando foi autorizado a iniciar a descida. Entre os níveis de altitude autorizados pelo controlador responsável, havia porém outro 737, esse da Varig que informou ter recebido o alerta do sistema anticolisão. Por muito pouco, não aconteceu outra tragédia nos céus brasileiros.

Os relatórios também apontam falhas nos radares: alvos falsos (quando surgem registros de aviões inexistentes); duplicação de alvos (o que pode levar o controlador a orientar um avião sem saber sua posição exata); e a existência de zonas cegas onde não é possível o monitoramento via radar ou rádio. Essas zonas cegas, foram as primeiras denúncias quando do acidente com o Boeing da Gol, lembram-se? Na época, o governo desmentiu a denúncia categoricamente dizendo que "os aparelhos para controle de vôo no Brasil são de primeira linha". Outra gravissíma denúncia, essa de alguns controladores de Cuiabá, relatam uma grande quantidade de mosquitos nas salas de controle até mesmo da presença de ratos, sim você leu certo, ratos sob os consoles de trabalho.

A FAB - Força Aérea Brasileira - claro, desmentiu os relatórios, atribuindo essas falhas a questões pontuais. O quê de "pontual" não podemos entender. Desde quando aparelhos com ratos andando em cima, radares que ora capturam fantasmas ora dobram o número de aeronaves é normal? Mas não meu caro leitor, a FAB, que entre algumas medidas divulgadas por eles que estão sendo e já foram tomadas para a melhoria do controle aéreo, incluem o pagamento de cursos de idiomas para os instrutores e monitores. Isso vem em excelente hora, já que também nessa semana, denúncias dos próprios controladores indicam que "apenas 10% (deles) estão aptos a se comunicarem com eficiência em língua inglesa", o idioma da aviação. Não precisa ser tão bom em matemática para entendermos que 90%, esse "restinho", não são capazes de usarem de maneira adequada, e portanto segura para os passageiros e pilotos, o idioma de Shakespeare. Mas ufa, calma lá, estou sendo muito severo: a FAB já está pagando "cursinhos de inglês", que alívio! Afinal de contas, aprender um novo idioma é algo que pode ser feito em questão de meses não é verdade?

E aí? Ainda seguros para voarem? Particularmente, eu não.

3 comentários:

Carlos Berna disse...

Já não me sentia seguro em voar nos ares tupiniquins e seu texto reforçou esse sentimento e a péssima constatação: governo inoperante e que definitivamente não está preparado para tocar essa área, importantissíma na infra-estrutura do Brasil.

Thiago Barbosa disse...

Cara, muito bom o blog. Visitarei mais vezes!! Cara, agenda setting é muito interessante. Ela é a memória da população. Enquanto um assunto é discutido, o povo lembra, quando o assunto muda, as pessoas esquecem completamente do anterior. Isso aconteceu comigo e foi impressionante. Sempre uso isso como exemplo quando o assunto é a agenda. No caso da irmã do desaparecimento da Belfort não se falava em outra coisa. Quando a imprensa mudou de assunto eu esqueci completamente do caso. Como se ele tivesse sido apagado de minha memória. Aí não mais que de repende a mídia volta a tocar no assunto e eu tomei um susto, me lembrei do caso e dei por mim que ele ainda não tinha acabado. Com o caos aereo é a mesma coisa. Nada mudou, apenas o monotematismo de nosso imprensa passou para outro caso!

Eduardo França disse...

É preciso Bater nessa tecla e trabalhar as notícias com mais calma, adorei seu modo de abordagem. Parabéns

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