sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não tão internacional.

Uma das coisas que mais me incomodaram como expectador de notícias e ainda incomoda, agora, como estudante de jornalismo, é a falta da notícia de internacional. Na verdade, acredito que o que é feito no Brasil não poderia nem ser chamado assim, mas talvez, "notícias EUA-Europa-Israel-China". Necessariamente nessa ordem. Como editor de internacional do Sem Fronteiras, tinha que fazer esse mini-editorial antes de começarmos com as postagens.

O "resto", passa totalmente despercebido pela imprensa nacional. Aquele mais prepotente pode pensar: "E há resto"? Sim, com certeza há! Esse "resto" corresponde a 65% da população mundial, ou 4,3 bi de pessoas. Por razões que espero um dia aprender, quase 70% da população mundial não é foco das notícias. Isso me incomoda ainda mais, quando entro em sites de notícias de alguns países pelo mundo, algumas publicações que leio e constato que o internacional pode, de fato, se chamar assim. Vai me dizer que você sabia que a comunidade internacional está fazendo pressão em Robert Mugabe (quem?), presidente do Zimbábue, para que ele leve seu país à democracia após 28 anos sob seu comando. Que um escândalo estourou nas Nações Unidas após denúncias de que os soldados de paz da organização (aqueles dos capacetes azuis), estavam abusando sexualmente de crianças na África? Que os sul-coreanos, depois de tomarem as ruas da capital Seul, conseguiram que seu primeiro-ministro apresentasse renúncia depois de problemas com a importação de carne dos Estados Unidos? Que uma nova maré "Tirem a Rainha" está começando na Austrália?

Na verdade, até imagino um motivo para a cobertura ineficiente: por ter proporções continentais, e com problemas internos já o bastante para divulgar, a cobertura de alguns acontecimentos passa despercebida, mas ainda assim, acredito que um novo critério deveria ser pensado, porque nem mesmo as emissoras all news dão destaque a muita coisa. Quem perde com isso, somos nós, que ficamos restritos à uma parcela ínfima do que é de fato, notícia, ficando assim descontextualizados e desatualizados.

Talvez hoje, a melhor emissora do mundo que realmente preza a notícia de internacional, no sentido mais amplo da palavra, seja a britânica BBC, referência no jornalismo mundial. Essa emissora, para exemplificar envia a países da África, que são totalmente ignorados por nós, seus principais âncoras como George Alagiah, Huw Edwards para cobrir conflitos e impasses políticos naqueles países. Alguém aí já imaginou Fátima Bernardes numa dessas? Particularmente, eu não. Além disso, a BBC mantém o World Service (Serviço Mundial), com emissoras transmitindo programação local em mais de 20 idiomas, atingindo os mais remotos locais do planeta, entre elas, a BBC Brasil que completa agora em 2008, 70 anos.

É um desafio ao jornalismo selecionar o que será veiculado ao seu público, e, incluo o SF nisso. Como a peridiocidade da editoria de internacional do blog é semanal, às sextas-feiras, uma seleção ainda mais cautelosa deverá ser feita, mas como disse, considero interessantes essas considerações, porque não há dúvidas de que um novo jornalismo se faz necessário.

2 comentários:

Guilherme disse...

Comentei o texto do Lucas Fernandes, que já conheço desde Olhar Alternativo, e devo dizer: o significado do nome devcs parece dizer realmente o que são - iluminados.

Essa sua idéia pra internacional foge de tudo que já vi até hoje. Nem sabia quem era Robert Mugabe. Por isso digo: vcs são feras!

SFW já tá nos meus favoritos

Márcia disse...

Lucas, querido!

Bah, demorei mas voltei!
Tmb tenho certeza que o significado do seu nome, "iluminado", se aplica corretamente a ti. Post de um conteúdo maravilhoso e que faz o jornalismo repensar seu papel nas coberturas.
Outro beijo geladissímo aqui do sul, guri!

Márcia

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