domingo, 15 de junho de 2008

Carmen Sandiego que se cuide...

Os ladrões brasileiros demonstraram, mais uma vez, que têm tudo para “roubar” da ladra mais famosa do mundo, o posto de número 1 da bandidagem mundial

Não queremos que o título e o subtítulo do post de hoje soem como uma banalização cruel ao acontecido na tarde de quinta-feira (12), na Estação Pinacoteca, em São Paulo, quando 4 obras de arte - “Mulheres na janela” de Di Cavalcanti, “Pintor e seu modelo” e “Minotauro, bebedor e mulheres” de Picasso e “Casal” de Lasar Segall - foram roubadas de um dos principais roteiros culturais da cidade paulistana. É com extremo pesar que visualizamos a situação. Passemos a nos explicar.

Carmen Sandiego, mera personagem dos quadrinhos, desenhos infantis e jogos eletrônicos foi, apenas, personalidade, por nós, encontrada para estabelecer comparação com os ladrões brasileiros: cada dia mais audaciosos e desafiadores. Nosso subtítulo guarda certo sarcasmo. Mesmo que Carmen existisse, ela não teria por quê temer. Talvez os ladrões brasileiros não sejam tão inteligentes quanto a sagaz e bela personagem inglesa. Eles só contam com o fato de que: o Brasil é palco propício para a prática de crimes - seja eles quais forem.

O roubo de obras de arte de museus e peças sacras de igrejas - as quais possuem imensurável valor cultural para a população e simbólico para os fiéis, respectivamente - tem sido prática rotineira no Brasil. Muitas das peças subtraídas jamais são encontradas. E boa parte delas são negociadas no mercado negro mundial por valores irrisórios, se é que podemos estipular valores quantitativos, quando se está em jogo uma gama de significações envolvidas e agregadas às peças.

Dois meses depois do roubo ao MASP (Museu de Arte de São Paulo) - história que teve um desfecho feliz, com a recuperação dos quadros de Picasso e Portinari - São Paulo é, novamente, palco da ação de bandidos, que, ao que tudo indica, agem a mando de terceiros. Segundo uma das funcionárias da Pinacoteca - alvo dos criminosos - os bandidos perguntaram nominalmente pelas obras que foram roubadas.

A polícia já comunicou a todos portos e aeroportos do Brasil, o roubo das telas. Até mesmo a Interpol (Organização Policial Internacional) foi noticiada do roubo, que vinha sendo arquitetado há pelo menos uma semana, quando as câmeras do circuito interno de segurança da Pinacoteca registraram imagens dos ladrões. O crime surpreende. Primeiro: pela falta de pessoal armado no local Segundo: a Pinacoteca está situada em um dos pontos mais policiados da cidade de São Paulo. Terceiro: 10 minutos foram suficientes para que o plano fosse concluído.

Avaliadas em R$ 1 milhão - segundo informação divulgada pela Secretaria Estadual da Cultura - as obras que não pertencem à Pinacoteca, foram emprestadas pela Fundação José e Paulina Nemirovsky - integrando o maior conjunto particular de Arte Moderna conhecido no País - mediante uma parceria firmada entre as entidades, no ano de 2004. A espera pelo resgate das obras será árdua e angustiante, já que a Pinacoteca não tinha feito, sequer, seguro contra roubo das obras.

Destaque internacional nas páginas policiais do mundo inteiro, o Brasil ainda é sinônimo de corrupção, violência, pobreza e desigualdade. Agora, nosso país se destaca por outro motivo: é o 4º colocado na lista dos países onde se registram maior quantidade de furto e/ou roubo de obras de arte em todo o mundo. Faltava-nos algo, não?

Conheça os quadros roubados, clicando nos nomes abaixo:

2 comentários:

Kátia disse...

Ah!!! fico tão satisfeita de ver que o Brasil está em mais uma lista mundial. Além de ser o país mais corrupto, que cobra mais impostos é também o que não cuida dos patrimônios nacionais e internacionais, dos nossos museus e igrejas. Parábens!! um fato desses é ótimo para a imagem do nosso país.

André, ótima comparação. Mas Carmem San Diego era mais astuta e inteligênte.

Jorjão disse...

realmente lamentavel o ocorrido, obrigado por entrar no meu blog!!
abração

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