sábado, 28 de junho de 2008

Não temos o direito de reclamar.

Uma dos assuntos mais freqüentes que ouvimos em uma roda de conversa entre amigos, parentes ou até mesmo desconhecidos é política. E em 2007, parece que esse assunto despertou ainda mais o interesse de todos nós, visto os inúmeros escândalos que foram destaque na mídia. Ideologias e partidos a parte, todos, em uníssono dizem: “Os políticos são corruptos”. E essa, que acabou se tornando uma máxima para descrever a política no Brasil é a frase que mais se ouve nas tais rodinhas de conversa.

E será que temos lá o direito de julgar esses políticos? A resposta, pode estar pensando você, é óbvia: “Sim”. Mas eu digo o contrário: “Não”. “Como assim não? Eu elegi, eu pago o salário dele”, pensa você. Eu continuo fazendo citação a outra frase bastante difundida entre nós, principalmente em ano eleitoral: “Os políticos refletem a sociedade”.

Você pensa de novo: “Mas que petulância! Como me ousa comparar com tal tipo de gente”? Só não comparo como dou exemplos. Simples. Banais. Corriqueiros.É de impressionar como brasileiro adora se aproveitar de tudo que é possível do governo ou de qualquer empresa que seja. E o pior de tudo é que acha que está tirando a maior vantagem de tudo. Fica se gabando por ter ludibriado quem quer que seja.

Quando puxa um “gato” de luz ou telefone do poste, do vizinho, acha que se deu bem, que é o esperto, que está tapeando a empresa responsável. Mas tudo se justifica, não é verdade? “As tarifas são muito altas. To mais do que certo! É o jeitinho brasileiro”.

Brasileiro, acha que é bonito pegar o sinal da TV a cabo ou internet banda larga e sair distribuindo irregularmente pelos vizinhos, pelo prédio, pelo condomínio. Mais uma vez, uma justificativa: “Essas mensalidades absurdas? Não mesmo! E assim, todos vêem e dividimos o preço”.

E quando mata trabalho e dá aquela desculpa esfarrapada na empresa? Pior ainda quando ainda consegue atestado médico falso. Mas brasileiro, não vê problema nisso mas é claro que isso também têm uma justificativa: “Trabalho muito! Minha empresa me explora”. Mal ele vê que essa falta, não prejudica o dono da empresa que na cabeça do brasileiro, é dele que está se vingando, mas sim de uma equipe inteira que trabalha junto em busca de um objetivo.

Esse é clássico: e quando o brasileiro se julga o melhor de todos por ter conseguido comprar um DVD pirata de um filme que nem saiu ainda? E além desse DVD inédito, levou mais dois. Três por dez! Olha que beleza! Essa têm várias desculpas, mas a clássica é: “DVD é muito caro. Pra que comprar o original se posso ter esse”? Obviamente que o brasileiro não vê dois pontos extremamente delicados nisso: o primeiro, é que tem gente que trabalha com isso. Atuando ou cantando. Fora a imensa equipe de um filme ou show. Esse é o trabalho deles. O outro, é que esses “dez reais” que usou, não ficam com o camelô não. No final dessa teia nefasta, esse é o dinheiro usado no narcotráfico, o dinheiro que alimenta bandidos, que atormentam a vida das cidades grandes. DVD original é caro? Sim. Mas com certeza essa não é a melhor solução para protestar contra isso. Mas o brasileiro não entende isso. Se para o brasileiro puder enganar pagando pouco já é bom, imagina se tal coisa for de graça? Aí é perfeito!

E não é que brasileiro também entra na internet ou por telefone e sai pedindo amostras de revistas ou jornais? Teoricamente, tem um prazo definido, dependendo da publicação. Mas vê lá se brasileiro preocupa com isso? Claro que não! E o “jeitinho”? Brasileiro, aproveitando a mamata, sai pedindo amostra atrás de amostra, às vezes ficando meses, se bobear do grau de esperteza até anos recebendo material de graça. Justificativa? Tem também: “Assinatura é muito caro. Eles nem sentem falta do meu dinheiro não. Isso não tem problema”. O brasileiro não vai entender que o dinheiro dele poderia estar pagando mais um funcionário. Não só nesse exemplo, como para todos os outros.

O brasileiro também não entende que para que um país funcione com decência, não é só os políticos que devem fazer a parte deles. É tudo uma teia. Interligada. Um dependendo do outro. Pequenas ações que fazem a diferença no final. E mesmo se tivéssemos políticos impecáveis, não adiantaria de nada se o “jeitinho” do brasileiro continuasse a ser a tônica do dia-a-dia.

Brasileiro tem fama de ser honesto e trabalhador. Será? Se faz tudo isso, será mesmo que o dinheiro não o corromperia? Se estivesse no lugar do “político corrupto” até que ponto seria incorruptível? Há duvidas quanto a isso, não?

Você, ao final desse texto, ainda não convencido, pelo contrário está mais enfurecido ainda: “Que absurdo! Que calúnia! O que se faz nem se compara com aqueles políticos. Desse jeito está se fazendo é justiça, isso sim! Aqueles lá roubam é muito! Desviam é milhões de reais”. Porém, o brasileiro não percebe que os políticos não mudarão até que a sociedade que eles representam, que os elegeram não mudarem.

Só uma curiosidade: não é o filho do brasileiro, que ouviu dele, que ouviu da mãe, que ouviu da avó que “roubar, não importa que seja uma agulha ou R$ 1 milhão não tem diferença? É tudo roubo”?

Realmente, os políticos refletem a sociedade.

8 comentários:

Andreato disse...

caramba, juro que senti vergonha de mim mesmo cara, d boa!

manero o post! temos que repensar em nossas atitudes mesmo.

guilherne disse...

Penso que algumas coisas são normais, como distribuir banda larga, porque a mensalidade eh cara, mas temos que (re)pensar sim no modo que levamos nossa vida antes de criticar a clase política.

júlia* disse...

temos que (re)pensar sim no modo que levamos nossa vida antes de criticar a clase política. [2]

Fabíola disse...

poutz!!!!!

temos que (re)pensar sim no modo que levamos nossa vida antes de criticar a clase política. [3]

Márcia disse...

Olá querido!

Bom, acredito que fazemos muita coisa errada e que temos sim, e com urgência repensar nossas atitudes. Porque senão, é o que diz o velho ditado: "Faça o que eu digo, não faça o que faço".
Temos que primeiro nos conscientizar, para daí sim cobrarmos um papel mais ético dos nossos representantes.

José Roberto disse...

Infelizmente, o sentido me levar vantagem em tudo se apossou do cidadão brasileiro. Talvez sejam resquícios de uma colonização gananciosa, que deixou péssimos legados educacionais à população.

Temos que mudar este quadro e seu post, Lucas, certamente é um passo rumo a dignidade e a hnestidade, há tanto, aguardada no país.

Phillipe disse...

ia falar algo, mas faço minhas as palavras do internauta jose roberto.

ótimo post e blog!

Mário CP disse...

temos que (re)pensar sim no modo que levamos nossa vida antes de criticar a clase política. [4]

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