terça-feira, 22 de julho de 2008

Em tempos de Lei Seca, governo apóia consumo de álcool!


Os produtores agrícolas brasileiros quase tiveram um infarto ao ouvirem boatos sobre uma tal Lei Seca. Ora, ora! Antes que você, internauta fiel ao Sem Fronteiras, pense que eles enxugaram não o copo, mas a testa, pelo fato da cerveja e da cachaça serem objetos de vislumbre para os motoristas, digo que a assombração atende por outro nome: automóveis! É! Os mesmos que fizeram milhares de homens lembrarem de suas namoradas ao irem passear com os amigos. Veja: estes consumidores inveterados de álcool, os veículos automotivos, representam a fatia mais robusta dos lucros dos usineiros.

O etanol, razão de cobiça e discussões, é um biocombustível geralmente produzido por meio da cana-de-açúcar e do milho. No Japão, o etanol é proveniente da celulose. A sua utilização em massa deu-se a partir de 1975, com a criação do Pró-Álcool, medida do governo militar brasileiro que surgiu como alternativa frente ao avanço do preço do petróleo. Apontado como alternativa viável ao combate do aquecimento global e da alta do barril de petróleo, o etanol ganhou status e inimigos: a população pobre, que sofre com os elevados preços dos alimentos, principalmente dos cereais.

O pãozinho salgado, o milho cada vez mais raro e a soja subindo na velocidade da luz são reflexos da produção de biocombustíveis. Cerca de 100 milhões de toneladas de cereais saíram do mercado comum em detrimento da produção de energia ecologicamente correta. Preserva-se a atmosfera e limpa-se o bolso do trabalhador! Os alimentos sobem, já que investidores adquirem sacas ainda nem plantadas, o que gera especulação financeira e eleva o preço desses produtos primários. Prova da rentabilidade do negócio é que três quartos da produção de milho nos EUA é voltada à produção de etanol.

Pressionados pela caótica situação ambiental, os países desenvolvidos subsidiam a produção, prejudicando ainda mais as nações pobres e emergentes. Os Estados Unidos, por exemplo, gastam US$ 20 milhões financiando o setor agrícola. Bush, rei das promessas ambientais, comprometeu que o governo estadunidense reduzirá nos próximos anos esse valor há US$ 15 milhões. Aguardem os capítulos dessa novela (claro, com o novo presidente)! Além disso, eles tributam o produto brasileiro de maneira a dificultar sua entrada lá, o que força o trabalhador a ganhar menos e labutar mais. Deplorável. Bem, de certo, apenas a alta acumulada de 60% dos gêneros alimentícios este ano. É, desse jeito, o humilde trabalhador entrará em dieta e comerá com os olhos!

O vídeo acima, da Agência Brasil, deixa evidente os planos de expansão dos biocombustíveis. Embora outras informações sejam importantes. Cinco milhões de hectares foram destinados em 2007 à produção de girassol e colza para biocombustíveis. O etanol de cana-de-açúcar se mostra cinco vezes mais energético que o do milho, além de produzir o dobro de litros por hectare, oito, em comparação com o mesmo produto. O álcool de cana também é mais barato: R$ 0,42 contra R$ 0,54. Muitas vantagens, não? Então, porque milho e soja? Não haveria alternativa viável quanto ao combate de uma crise alimentícia mundial?

A ONU e o Banco Mundial apontaram que dois bilhões de pessoas são afetadas pela produção de biocombustíveis e 100 milhões viverão abaixo da linha da miséria. Soluções parecem surgir, como é o caso do etanol proveniente do lixo orgânico e de combustíveis vindos de vegetais como o pinhão-mansão. Mas, até que se ligue o sinal de alerta para uma provável escassez de alimentos (incluo o doce e branquinho açúcar), esqueça o mansão e reflita. Você não beberá, mas há alguém/ algo beberá pelo caro internauta. E no frigir dos ovos, quem pagará a conta é você, que sairá de bolso e consciência limpa! Parabéns.
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15 comentários:

Marcos Costa Melo disse...

Com o preço do petróleo cada vez mais alto e sem a mínima perspectiva de redução, a tendência é que os biocombutíveis ganhem força. Mas, com eles, virão as polêmicas, como essa da inflação.

Sou um pessimista em relação ao futuro.

Dressa Fergui disse...

Adoraria que tivesse alcool aqui nos States. A gasolina ta um roubo :(

Michell Niero disse...

Enquanto levarmos o biocombustível como a descoberta da pólvora (sem referências ao meu blog) continuarmeos sofrendo de escassez.

O Brasil teve coragem para quebrar a patente dos remédios para o tratamento da AIDS. Ousadia que não repete no setor energético.

Existem dezenas de projetos de pesquisa envolvendo combustíveis alternativos por meio de hidrogênio, biomassa, energia solar, óleo de mamona, folha de banana, todos eles pipocando nas universidades à espera de subsídios maiores para que as pesquisas progridam. Mas o que o governo faz é se ater a uma visão etanocentrista (inventei agora).

Um país com tamanha biodiversidade não pode levar algo tão importante como um dogma com fins cada vez mais comerciais. É justamente o momento de o Brasil dar o seu pulo do gato.

Gustavo Ganso disse...

Vai ser como sempre acontece: pagaremos a conta dos países desenvolvidos. O governo é fogo, não sei se por burrice ou safadeza, mantém certos produtos como salvadores do país, foi o açúcar, o café, soja e agora etanol. E vai ser como sempre acontece: os países ricos não vão precisar mais do nosso produto e perderemos todas as fichas apostadas.

ufssss.

até
Gustavo Ganso

Daniel Leite disse...

O Brasil, como outros subdesenvolvidos, sempre sofre com a questão dos subsídios agrícolas, nos EUA e na Europa. Nesse sentido, apesar de torcer por Barack Obama, tenho de reconhecer que os bastidores indicam que, nesse aspecto, ele seria o pior nome para o Brasil. No entanto, Obama não fará frente a acordos fechados antes de sua possível posse, em 2009.

Abraços!

Breno Lucano disse...

Percebo que tenho de me interar mais em economia. Metafísica aristotélica me parece facílimo se comparado com isso.

Letícia disse...

Lucas, embasadíssimo o texto, parabéns, como sempre!
E o problema é que, ainda que o Bush reduza os subsídios agrícolas, quem tem que aprovar é o próximo presidente que, se for o Obama, como parece, é ultra-protecionista e já disse que quer liberar 40 milhões de dólares! É mole?
Mas eles vão se render, não há outra maneira.
Se a população da China e da Índia parassem de crescer drasticamente, ajudaria bastante tb, não?
Realmente, são capítulos emocionantes os próximos!
Beijo!
Letícia.

Hugo Henrique disse...

E mais uma vez que paga é o povo...

José Roberto disse...

Lucas,

Percebi a relação dos textos anteriores com este. A situação atual, ao que tudo indica, é uma trama envolta por inúmeros fatores.

Fico preocupado assim como a internauta Letícia. Obama demonstrou ser ultra-protecionista, o que trará mais problemas ao mercado. Problemas que se não forem dosados, podem se tornar irreversíveis.

Belas informações.

José Roberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme disse...

Lucas, é incrível como sempre saímos pagando algo. Até nessa questão dos biocombustíveis. Você mostrou que eles encarecem os alimentos, principalmente cereais.

E é tão verdadeiro isso! Fui ao supermercado e meu queixo caiu. Tá tudo caro!!

Muito legal essa coisa de tratar sobre as chagas da economia em 2008.

Maíra Charken disse...

É tudo um círculo vicioso. Não sei mesmo onde tudo começou. Que bom se soubéssemos a ponto de combatermos o malfeitor. É isso aí: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?

www.mairaempalavras.blogspot.com

Letícia Castro disse...

Pronto, acabou! Tô apaixonada por vcs, vou declarar o meu amor mesmo e mudar logo pra Belizonte, pois essa terra só tem me dado coisas maravilhosas na blogosfera. O que vcs acham? Tem lugar pruma paulistinha aí? hehehe O Wander assa os pães de queijo.
Brincadeira, Non ducor, duco não permitiria! :)
Lucas, amei o seu comentário, não tenho nem como agradecer.
Beijo muito grande e "tamo junto e misturado!"

Antonoly disse...

Com certeza, os Usineiros
faturam alto é com o alcoól combustível rsrsrrsrsrsr

www.blowgh.wordpress.com

Letícia Castro disse...

Lucas, que privilégio ter o teu apoio, viu? Não tenha dúvida disso.
Quanto ao Google, às vezes ele se porta como um oráculo mesmo. As dicas na verdade até que são bem prosaicas, mas funcionaram sobremaneira para o Babel. Algo que noto tb é que comentar e deixar o link do blog, na despedida do comentário, tb potencializa o ranking. É porque às vezes comentamos, mas, como usuários do Blogger, só preenchemos os campos dos dados e enviamos os comentários. Deixar a url no campo do comentário ativa o ranking. Curioso, né?
De resto, é não desistir. Indexar mesmo, com vontade.
A série vai terminar no post 10, temos mais quatro então. Depois, mudaremos o assunto, mas sempre vasculhando a blogosfera, tá bom?
Beijo carinhoso, amigão, e bom fim de semana!
A viagem foi boa? : )
Letícia.
http://babelpontocom.blogspot.com

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