terça-feira, 15 de julho de 2008

A economia cresce, o povo padece

Via blog do Clovatto

Um montante cada vez maior de livros de História chega todos os anos às livrarias. Não mera coincidência, a maioria dos autores se utiliza da categórica frase do ex-ministro da economia Delfim Neto, que nos tempos de ditadura, lançou mão da “tese” de que “precisamos primeiro fazer o bolo crescer para depois dividí-lo”. O amigo internauta, que prestigia o trabalho deste editor, certamente liga o pólo positivo com o negativo e põe sua cuca a questionar. E cadê o bolo? Aí, descobre que a vaca atolou, o bolo sumiu e o dragão inflacionário voltou. E o temível vilão da história são os alimentos!

Bem, você que trabalha horas afinco e passa rotineiramente pelo calvário das compras em mercados, empórios, padarias, sacolões e açougues, deve ter arrancado os cabelos da cabeça. Se não os tem mais, menos mal! Afinal, o desenvolvimento econômico global, sobretudo nos países emergentes, impulsionou as exportações, resultando em um desequilíbrio entre a oferta e a demanda. A adesão de economias “nanicas” ao mercado, o elevado crescimento demográfico em continentes como Ásia e África e a crise estadunidense, contribuíram para a formação do quadro atual.

A seca em grandes produtores, a exemplo do Brasil, interrompeu a safra do primeiro semestre. A alta do petróleo, já citada semanas atrás, faz com que os fertilizantes, os combustíveis e óleo diesel encareçam. Ruim para agricultura, péssimo para os transportes e para as indústrias, que dependem do diesel para movimentar máquinas. O crescente investimento em produtos primários nas bolsas, aliado a queda do dólar, força uma alta nas commodities agropecuárias, já que os investidores buscam recuperar os prejuízos com a moeda, através dos alimentos.

A carne e o leite acompanham a alta, devido à utilização de produtos agrícolas na nutrição do gado. Ainda tem mais, caro leitor! Países como a Argentina (grande produtora de trigo) e a Índia (de arroz), reteram seus estoques, visando melhores preços no mercado. E em tempos de lei seca, o álcool fecha a festa dos preços galopantes! O milho e a cana vêm sendo destinados à produção de biocombustíveis, que serão abordados semana que vêm.

Uma vez valorizado na Bolsa de Chicago, principal destino das cotações alimentícias, o preço dos produtos chega reajustado, assim como nos tributos, através de índices como o Esalq (da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Só para não perder o costume: os investidores encomendam o bolo, o Delfim divulga e quem paga a conta? Ó céus, ó vida!

Em Brasília, a cúpula “lulista”, rejeita o palácio do Planalto e se reúne na Granja do Torto. E em questão de horas, entorta os gráficos da taxa de juros, fazendo aquela curva crescente, que estamos habituados a ver. A taxa sobe para conter a queda nos investimentos, atraindo novamente o aplicador. Em contrapartida, a agricultura cultiva as expectativas de mais uma safra recorde. Incoerências de um mundo globalizado!

Agora pergunto a você internauta: a redução de subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos, seria uma saída, não? Espera-se que essas vitórias contra as grandes nações sejam conquistados na OMC (Organização Mundial do Comércio). Até lá, não salgues o arroz, pois a inflação anda fazendo ronda! E assim continua a ciranda: o povo padece, a danada aparece.


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16 comentários:

Gisa disse...

Uau... esse artigo é seu? é muito bom!!

Concordo quanto à redução de subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos... acho que isto seria uma saída, sim.

Abraços, boa terça!

DuDu Magalhães disse...

Já escrevemos um texto sobre o 'tema' no visão contrária. Bom, não concordo que à redução de subsídios agrícolas seja uma 'boa' saida, penso sempre em "Conectividade" Pessoas que fazem seus trabalhos de 'formiguinhas' por ai, que realmente sabem dos seus direitos, que cobram os mesmos, unindo-se para assim 'mudar' o País, acho que precisamos mostrar o DNA dos problemas brasileiros pra grande "massa". Soluções a curto prazo não me convém...

abrasss

http://visaocontraria.blogspot.com/

Guilherme disse...

Opa, Lucas!

Bem, DISCORDO do Dudu Magalhães, que ao meu ver, não entende do assunto.

Com a redução dos subsídios agrícolas, alertada no seu texto, por sinal, MARAVILHOSAMENTE escrito, os países mais pobres passam a ter mais vez. Assim, eleva-se o número de trabalhadores empregados e levando em conta que nestes países a mão-de-obra é mais barata e há mais terras agriculturáveis, teríamos maior quantidade de alimentos no mercado, abaixando o preço.

Devo grande parte dessa humilde explicação, destinada ao Dudu, a você, meu colega.

Um dos poucos que conseguiu me explicar economia e que sabe tornar um assunto tão chato em algo agradável e interessante.

Parabéns!!

CentraLivre disse...

Noss...
Mutio bem bolado esse artigo,mas essas coisas eu naum ligo muito naum xD

http://centrallivre.blogspot.com/

Jonilson Vallim disse...

A economia cresce, o povo padece e a inflação volta assustar os brasileiros!

⋆     T h aa disse...

Confesso que não me interesso muito por assuntos assim, e até não gosto já que nem conheço muito sobre isso.
Já aprendi na escola e achei até que curioso e importante para o país. Mais somente isso :x

Peloo disse...

boa!!!

muito bom o blog
parabéns

http://www.tediozeronanet.blogspot.com

http://www.sinopsebooks.blogspot.com

José Roberto disse...

Faço minhas palavras as do internauta Guilherme. E ainda complemento: este é sem dúvida alguma, um dos melhores artigos que já li neste blog e também em outros de conteúdos afins.

Confesso que fiquei perplexo e ancioso por ler o próximo texto sobre biocombustíveis.

Mais do que nunca, parabéns!

Catarino disse...

Olá amigo, recebi sua mensagem e vim ler sua postagem. Suas idéias estão corretas, a crise atual é vista de maneira diferente pelos podres e pelos ricos.
No meu blog tenho feito crônicas sobre esses problemas.
Convido que me visite em www.blogdocatarino.com

Breno Lucano disse...

Não entendo nada de economia, embora, como outros já o disseram, estou disposto a aprender algo.

Grupo Saber Viver disse...

O atual modelo econômico mundial, é por natureza auto-fagico, remédios efêmeros para a inflção, um participção cada vesz menor do Estado na economia, e as economias dos países de terceiro mundo completamentamete atreladas a economia americana, só podem resultar em desastre!
http://gruposaberviver.blogspot.com/

Art =] disse...

texto realmente bom...e vc tah certo...cada um vê isso de uma maneira diferente, e tem gente q não vê...

enfim

curti a charge tamem

All3X disse...

Muito boa o texto. Leitura fácil e gostosa de se ler sobre um assunto que muitas vezes é tão fadonho como economia.
E a solução para esses problemas, como perguntou, seria investir nos países em desenvolvimento no setor primário. Pelo menos seia essa minha visão.
All3X

Eliana disse...

Este é um momento delicado na economia do país. Aos consumidores, fica uma alerta, comprar somente o essencial, pois não sabemos até quando esta crise inflacionária nos assolará.

Parabéns pelo texto Lucas. Economia fica muito mais clara e de fácil entendimento com suas palavras.

Letícia disse...

Nossa, Lucas, que levantamento de dados primoroso e completo! Parabéns, é pra informar o mais alienado!
Sim, eu acho tb que a redução dos subsídios é a solução. E países como o Brasil tem mais é que pressionar mesmo.
Muito bem escrito, os meus amigos editores do Sem Fronteiras são um orgulho para a categoria e uma esperança para a desânimo do jornalismo atual.
Beijos a todos!
Letícia.

Letícia Castro disse...

Oi, Lucas! Bom dia!
Olha, testa sim o linkTo, os resultados são muito bons mesmos.
Ahh vou adorar que vc indique o Babel! Eu sempre falo de vcs para os amigos tb e é engraçado como, mesmo a blogosfera sendo um mundo infinito, acabamos formando microcomunidades afins entre nós mesmos, não é? É a afinidade, com certeza.
Beijão pra vc e um bom e produtivo dia!
Letícia.

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