sábado, 17 de janeiro de 2009

Lula, pare de ser bonzinho!

Imagem - Blog do Favre

A oposição deve reconhecer: Lula melhorou o país desde que assumiu a Presidência da República. Elevou a renda, diminuiu a pobreza, distribuiu benesses aos menos favorecidos, claro que beneficiado pelo bom momento da economia na época. Mas isso é assunto para outro artigo. Hoje me reservo no direito de analisar a política externa do pernambucano.

O Brasil tem um objetivo muito claro no exterior: pretende obter um assento no Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto sobre as principais decisões no mundo. Para tal, o país deve se tornar o líder da América do Sul, quiçá da América Latina.

As dimensões continentais do país são grande vantagem para que Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, possam atingir resultados satisfatórios. Mas não é só isso. Uma coisa a se fazer é certa. Nunca ser agressivo e, por conseguinte, injusto em sua política externa, defendendo interesses individuais a qualquer custo. Entretanto, o outro lado da moeda também é prejudicial. E nosso Lula anda se comportando exatamente o oposto do que os EUA agem: está sendo passivo demais na defesa dos interesses nacionais.

Vamos aos exemplos. O mais novo deles é mais uma vez com a Bolívia. O Ministério de Minas e Energia havia divulgado que diminuiria a quantidade de gás comprado daquele país. De 30 milhões para 19 milhões de m³. Após algumas horas, o ministro Edson Lobão, depois de se reunir com representantes do governo boliviano, voltou atrás. A redução seria, agora, para 24 milhões de m³. E a decisão anterior fora homologada por uma equipe técnica. Então, que a demita pelo erro de cálculo. Mais parece subordinação presidencial aos interesses dos "amiguinhos" esse "erro de cálculo".

Mas este não é o primeiro e, até 2010, não deve ser o último episódio de passividade do governo Lula em relação ao exterior. Há quase três anos, em maio de 2006, o "muy amigo" presidente boliviano, Evo Morales, desrespeitou o Brasil. Resolveu nacionalizar o petróleo e o gás do país. Assim, queria que a Petrobrás, que possuía poços de perfuração naquele país, deixasse para trás todo o investimento e suor aplicados naquela empreitada. Só isso já consideraria desrespeito para com nossa nação. Mas Morales sabia que seu amigo Lula não ia assumir uma postura firme. Resultado: ainda ocupou as instalações da estatal brasileira com o exército boliviano.
Paraguai

Outro vizinho que teve a ousadia de tentar tirar proveito da bondade de Lula foi o recém empossado presidente paraguaio, Fernando Lugo. O partido dele, o Colorado, ganhou após décadas fora do poder. Uma das promessas de campanha foi rediscutir o Tratado de Itaipu, hidrelétrica binacional, administrada por ambas as nações. O presidente queria definir um preço justo para a energia que o Brasil comprava da parte paraguaia. Mas o presidente Lugo estava sem razão. Quem gastou mais para implantar a empresa foi o Brasil, milhões de reais. A energia excedente paraguaia, já que aquele país não consegue usá-la, não tem para onde ir a não ser o Brasil. E o presidente ainda se acha no direito de ditar regras? Isso porque Lula é bonzinho demais, deixa todo mundo muito à vontade.

Equador

O que dizer da recente confusão entre o presidente do Equador, Rafael Correa, e o Brasil. Ele não queria pagar um empréstimo, feito via BNDES, para a construção de uma hidrelétrica pela brasileira Odebrecht. Pagou depois de muita insistência do governo brasileiro e até da retirada do embaixador tupiniquim do Equador.

Nem precisa dizer da liderança exercida pelo mandatário venezuelano, Hugo Chávez, há algum tempo. Ele, por ser maluco, entrou em descrédito e quis impor mudanças radicais e impopulares rápido demais. Em breve, ele volta com a idéia de plebiscito para reeleições ilimitadas. Vamos ver como Lula irá se posicionar diante de nova afronta do caudilho.

Então, para mim, Lula foi um fracasso na política externa, acumulando mais derrotas que vitórias desde 2002. O Brasil precisa de muito ainda para que, de fato, possa influenciar o mundo, como em decisões comerciais, exemplo da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio, e até conflitos, como o de Israel contra a Palestina. Por mim, o ministro Celso Amorim poderia economizar passagens pagas com dinheiro público e ficar no Brasil cuidando, primeiro, da América do Sul para, depois, alçar voos mais altos.

Matheus Laboissière, 21 anos, natural de Belo Horizonte, estudante de jornalismo do Uni-BH, diagramador e assessor da EPAMIG, colunista do site FutNet, idealizador do Espelho Digital e futuro colaborador do Sem Fronteiras.

5 comentários:

Ana Paulla Paiva disse...

Olá,Matheus Laboissière!

Concordo em tudo que disseste,ao meu ver,o nosso presidente quer ser tornar o novo "Pai dos Pobres",seguindo a linha de G.Vargas.Com ele no poder o mundo passou a "respeitar" o Brasil,e com este aval, esta era a hora do então presidente colocar o país em um patamar de respeito íntegro,não somente na América Latina.
A esperença que tenho,é,que com esta transição dos USA,as "cabeças pensante" do governo Lula,não se limitem em viagens sem nexo como esta,do ministro "Senhor" Celso Amorim ao Médio Oriente,afinal o que ele foi lá fazer?Na minha concepção,nada.

Lindo blog,e um ótimo post;Parabéns
Matheus Laboissière.

Aura Sacra Fames disse...

Lula; continuidade ou ruptura? A única vez que observei uma postura mais firme de Lula perante um país estrangeiro foi contra os EUA há uns cinco anos atrás, porém a revista como diz um amigo meu (in)veja publicou a imagem de um "pintinho" sendo esmagado por uma grandiosa "águia", nada mais coerente àqueles que estão a serviço dos interesses estrangeiros. Quem diria que Luiz Inácio agiria assim, para aqueles que assistiram ao debate com Collor em 1989 nunca poderiam conceber tal situação, assim como muitas outras esdrúxulas, no mínimo.

Abraços
aurasacrafames.blogspot.com

Guilherme disse...

Matheus,

Devo concordar contigo. Lula largou seu pijama vermelho no armário, vestiu um terno milanês e calçou um belo mocassim.

Seu tom de voz grave deu lugar aos tempos "Lulinha paz e amor", que não condiz com a posição de Presidente de Honra do PT. Mas, se levarmos em conta o que é o PT hoje, podemos concluir que Lula é uma... deixa pra lá.

Grande abraço.

Leo Pinheiro disse...

Este post é pertinente. Falemos da América que fica a bixo da linha do Equador.

Sim, é importante ratificarmos essa liderança que já exercemos de forma velada. Mas...

As concessões à Bolívia, de morales e À venezuela, do louco Chavez são jhgj#$$%/~ (impublicáveis).

Uma das minha spoucas restrições ao governo Lula!

LETÍCIA CASTRO disse...

Matheus, vc expôs de maneira muito elucidativa a atitude passiva de Lula diante desses pseudo-ditadores sul-americanos. É um absurdo, o governo dele já começou perdoando uma dívida histórica com a Bolívia. Se não nos mostrarem que vantagem tb levamos nessas negociações, tem alguma coisa muito errada. E ingênuo, o presidente está longe de ser. Gostaria muito de entender melhor o que vai pra debaixo do tapete.
Teu texto, ótimo, parabéns!

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