sábado, 11 de outubro de 2008

Que marola que nada, presidente

Sem fronteira, carissímos, primeiramente, reitero o conteúdo do post "Entre o vermelho e laranja? Laranja": de fato, as últimas duas semanas estão sendo, no mínimo, atípicas para todos nós do Sem Fronteiras. Alguém aí mais tem a sensação de que o dia deveria ter, no mínimo, mais 24 horas? Mas, como sempre diz o mais novo membro do SF, Ricardo Lima, "a vida não é fácil para ninguém". E não é mesmo. Nem mesmo para o presidente Lula.

Nosso presidente disse no último dia 4 de outubro em São Bernardo do Campo, no ABCD Paulista, que "a crise financeira é um tsunami nos Estados Unidos, mas não vai passar de uma marola no Brasil." O fato é que a palavra usada por Lula, "marola" foi alvo de todos os comentaristas políticos e econômicos da nossa imprensa, de Carlos Alberto Sardemberg, passando por Mirian Leitão e terminando em Denise Campos de Toledo.

O que também é fato é que a crise financeira está sendo um tsunami nos Estados Unidos sim, mas não é a simples "marola" por aqui não. Mas, assunto dos posts de economia! No que eu quero me prender é que Lula, em entrevista exclusiva aos portais de internet do Brasil, disse que "vamos ter um Natal extraordinário". Segundo o presidente, os investimentos nos programas sociais e os do PACderme estão garantidos: "A decisão do governo é manter todas as obras do PAC."

Há contudo um grande porém: o presidente admitiu que caso haja necessidade, haverá cortes nos investimentos e despesas. Entenda-se por PACderme e gastos do governo. Duas constatações: as obras do PACderme, estão em sua maioria paradas. Em todo o Brasil! E para piorar a situação, outras tantas obras em andamento estão sempre na mira do TCU - Tribunal de Contas de União - que em seu último levantamento, apontou "irregularidades graves" em 13 obras: superfaturamento; contratação sem a devida licitação; acréscimo de valor contratual superior ao limite legal; e alterações indevidas de projetos e especificações.

Mais: de 89 obras do PAC fiscalizadas pelo TCU, o tribunal aprovou a condução de apenas 15! Isso mesmo, apenas 15! Em 74 havia indícios de irregularidades! É o que todos nós sabíamos desde o começo: os R$ 500 bilhões para o PAC seria alvo de cobiça, claro! Dinheiro de governo no imaginário de brasileiro é isso mesmo: "Opa, vou pegar o meu naco."

Vamos ver o que o presidente e sua equipe econômica e política fazem: assumem de uma vez que, até o momento, o PAC é mesmo um PACderme, e fecha a torneira do dinheiro. Porque ter meio trilhão de reais soltos, sem nenhum controle efetivo do que é feito com o dinheiro e com uma crise batendo na nossa porta, não me soa nenhum pouco atraente. O problema é que o presidente está usando o PAC para promover a "mãe" Dilma para 2010...

E para finalizar rapidamente, apenas uma pergunta: quem é que se lembra de alguma vez este governo cortando seus gastos exorbitantes? Não vai ser com uma "marola" que o presidente vai fazer isso, não é mesmo?

2 comentários:

Guilherme disse...

Lucas Catta Prêta,

Acabo de ler o texto do seu xará sobre poligamia tributária e passo para o PACderme. Aqui no Sem Fronteiras, a criatividade corre mais solta que o dinheiro nos dutos do tão discutido Valerioduto.

Concordo contigo na análise e reforço a sintonia em economia e política. Lula parece se esquecer que a crise tem caráter global e que, o Brasil é uma das economia capitalistas mais fortes do mundo. É natural que sofra abalos. Talvez não tão fortes, como o Lucas Fernandes nos demonstrou através do post "O lado bom da crise", mas sofrerá sim.

Agora é aguardar essa "marolinha". Afinal, caso ela cresça, os planos de "Lulinha" para "Dilminha" serão destituídas, não suavemente como propõe o presidente, mas com a força de um tsunami. Avassaladora!

Abraços e parabéns pelo post e pela sinceridade de vocês.

Guilherme Freitas disse...

Realmente o Lula está pisando na bola na questão da crise econômica. Ele não quer dar o braço a torcer e assumir que o Brasil vai sofrer efeitos crise. É preciso mais humildade ao nosso presidente, para que não tenha um 2º mandato ruim assim como FHC. Abraços.

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