sábado, 9 de agosto de 2008

Alegrias e frustrações

O desempenho dos nossos atletas em Beijing (Pequim), no dia de hoje (9)

Alegria acompanhada da tranqüilidade ante à superioridade. Foi o que sentiram as jogadoras do vôlei brasileiro. O confortável placar de 3 sets a 0 (25/11, 25/11, 25/10) sobre as argelinas, respalda o passeio das brasileiras dentro de quadra. Minutos foram suficientes para a conquista da vitória, na estréia mais tranqüila do Brasil nas Olimpíadas. Mesmo sentimento compartilhado por Ricardo e Emanuel, que venceram os angolanos, Fernandes e Morais, por 2 sets a 0.

Frustração das meninas do basquete brasileiro, acompanhada das cobranças do técnico da seleção, Paulo Bassur, que viu seu time, tecnicamente superior, ser derrotado pelo time teoricamente mais fraco do grupo A, a Coréia do Sul. Erros sucessivos custaram o amargo placar - 62 a 68.

Alegria acompanhada da superação de Larissa, que, há poucos dias da estréia em Pequim, perdera sua parceira Juliana. Ana Paula, a atleta de reposição, primeiro venceu o cansaço das 30 horas de viagem Brasil-China, para hoje, junto a nova parceira, Larissa, derrotar as georgianas, Saka e Rtvelo, por 2 sets a 1.

Frustração depois do apagão da seleção feminina de handebol no segundo tempo do jogo contra a Alemanha. A reação veio tarde, há poucos minutos do fim da partida. Resultado: Alemanha 24, Brasil 22.

Alegria recheada de favoritismo de Diego Hipólito que se garantiu na final do solo masculino ao receber a mais alta nota (15.950). O Hipólito, salto que faz com que sua série parta de uma nota alta, não foi executado na apresentação de hoje, seletiva para o individual geral de cada aparelho.

Frustração de Denílson Lourenço e Sarah Menezes que não evitaram o ippon de seus adversários e, conseqüentemente, suas eliminações da disputa por uma medalha no judô.

Alegria acompanhada do sentimento de “pé no chão” das meninas do futebol brasileiro que venceram a Coréia do Norte pelo placar de 2 a 1, mesmo sem jogar tão bem. Ainda assim, o Brasil é o líder do grupo B com quatro pontos, assim como a Alemanha que venceu a Nigéria. O Brasil sai na frente por ter marcado mais gols.

E por fim, alegria e expectativa de Thiago Pereira que conseguiu a última vaga para a final dos 400m medley. Ele tem chances de surpreender, já que a diferença do tempo do brasileiro para o dos demais nadadores é muito pequena.

Inesquecível

E tudo aconteceu como o planejado. Os chineses, em mais uma impecável mostra de bom gosto e graciosidade, fizeram um espetáculo digno de ser “imortalizado” na história dos Jogos Olímpicos.

A sincronia dos movimentos e vozes, as cores, os efeitos especiais que competiam em pé de igualdade com a criatividade do homem: tudo impressionou na inesquecível noite de hoje (08) em Pequim. A capital chinesa mostrou o esplendor de uma festa muito bem elaborada e há muito aguardada por mais de ¼ da população mundial.

Ao ver o gigante Yao Min adentrar ao Ninho do Pássaro como porta-bandeira da delegação chinesa e ao seu lado o pequeno sobrevivente do terremoto de Sichan, pensei em algo que ultrapassa a idéia de heroísmo que as figuras de ambos sugerem. A pequena China humilhada, pobre e que sai de debaixo dos escombros do século passado (há ser esquecido), vende, hoje, uma nova imagem: a de gigante, de dragão forte e voraz que impressiona o mundo diante da magnitude e grandiosidade que envolve sua história e cultura, recontadas em apenas alguns, inesquecíveis, minutos de show.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Enquanto o mundo celebra na China...

(...) Um conflito envolve Rússia e Geórgia. Para entender os motivos do conflito e a situação de cada uma das partes envolvidas, o SF traz um Q&A (questions & answers) elaborado pela BBC.

A administração separatista da Ossétia do Sul vem tentando obter reconhecimento desde que declarou a sua independência do governo central, após uma guerra civil nos anos 90.

A Rússia tem uma força de paz na região, mas o governo de Moscou também apóia os separatistas.

Qual é o atual status da Ossétia do Sul?
A Ossétia do Sul tem tido um governo próprio desde que lutou com a Geórgia pela sua independência em 91 e 92, logo após o colapso da União Soviética.

Durante o conflito, a região declarou sua independência, mas ela não foi reconhecida por nenhum país.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometeu colocar a Ossétia do Sul e outra região separatista, a Abecásia, sob controle da Geórgia.

Por que os ossetianos querem se separar?
Os ossetianos são uma etnia originária das planícies russas ao sul do Rio Don. Eles têm identidade e cultura diferentes da dos georgianos e uma língua própria.

No século 13, as invasões mongóis empurraram a etnia para as montanhas do Cáucaso, e os ossetianos se estabeleceram ao longo da atual fronteira da Geórgia com a Rússia.

Os ossetianos do sul querem se juntar à Ossétia do Norte, que é uma república autônoma dentro da Federação Russa.

Os georgianos são uma minoria na Ossétia do Sul, representando menos de um terço da população.

A Geórgia rejeita o nome Ossétia do Sul, preferindo chamar a região pelo nome antigo, Samachablo, ou Tskhinvali, a principal cidade da região.

O que detonou esta crise?
As tensões vinham aumentando desde a eleição do presidente Saakashvili em 2004. Ele ofereceu à Ossétia do Sul diálogo e autonomia, mas no contexto de um só Estado, o da Geórgia.

Em 2006, os ossetianos do sul votaram em um referendo extra-oficial em uma tentativa de fazer pressão pela independência completa, e segundo as autoridades da Ossétia, a maioria esmagadora da população o fim da união com Tblisi.

Em abril de 2008, a Otan disse que a Geórgia poderia no futuro vir a ser um membro da aliança militar - o que irritou a Rússia, que se opõe à expansão da Otan para o leste. Semanas depois, a Rússia reforçou os seus laços com as regiões de Ossétia do Sul e Abecásia.

Em julho a Rússia admitiu que seus caças entraram no espaço aéreo da Geórgia, na região da Ossétia do Sul. Confrontos antes esporádicos se escalaram, até que, segundo informações não confirmadas, seis pessoas acabaram mortas por projéteis de forças georgianas.

A Rússia poderia se envolver diretamente numa guerra?
A Rússia insiste que tem agido como uma força de paz na Ossétia do Sul e nega as acusações de que vem fornecendo armas aos separatistas.

No entanto, Moscou já prometeu defender os cerca de 70 mil cidadãos russos que vivem na Ossétia do Sul.

A Rússia pode interpretar uma intervenção militar como uma opção menos arriscada do que reconhecer a independência da Ossétia do Sul, o que poderia levar a uma guerra com a Geórgia.


As ligações da Geórgia com a Otan podem influenciar este conflito?
O presidente Saakashvili fez da entrada na Otan uma de suas prioridades. A Geórgia tem um relacionamento próximo com os Estados Unidos e vem cultivando vínculos com a Europa Ocidental.

Há quem diga que Saakashvili espere levar a Otan a um conflito com Moscou, de forma a formalizar a aliança.

Mas analistas dizem que é difícil imaginar que a Otan se deixe arrastar para um conflito com a Rússia por causa da Geórgia, depois de ter se esforçado para evitá-lo por tanto tempo.

A Múmia - Tumba do Imperador Dragão

Quem conhece a cidade de Belo Horizonte sabe que é consideravelmente grande a distância entre o bairro da Lagoinha (onde está localizada a faculdade onde estudo) e a Savassi, sul da capital mineira. Bem, essa foi trajetória feita por mim na tarde de ontem (7).

Acreditava a minha longa caminhada seria compensada, assim que me assentasse em uma daquelas poltronas aconchegantes do cinema do Pátio Savassi e assistisse A Múmia - Tumba do Imperador Dragão (EUA / Canadá / Alemanha, 2008), mas não foi nada disso que aconteceu.

Dessa vez, a aventura se passa na lendária China Antiga. Gira em torno do ambicioso e opressor Imperador Dragão (Jet Li) que na busca incessante pelo poder visa a imortalidade. Amaldiçoados pela feiticeira Zi Juan (Michelle Yeoh) o Imperador e seus 10 mil soldados são petrificados e esquecidos na cidade de Quin, ao longo de 2 mil anos, coberta pelas areias do deserto.

Através de um antigo artefato chinês (a chave para a ressurreição do imperador) que o governo inglês pretende devolver à nação chinesa, o casal O’ Connell se entremeia na história, abandona a vida sossegada de aposentados na Inglaterra e parte para a China onde encontra o filho Alex (Luke Ford) que havia abandonado os estudos para se dedicar à procura das riquezas imperiais escondidas sob a aridez do deserto chinês. O resultado é previsível: encontram o imperador que por sua vez é ressuscitado.

Minhas expectativas foram frustradas logo nos primeiros 15 minutos de projeção. Os anteriores A Múmia (EUA, 1999) e O Retorno da Múmia (EUA, 2001) se afastam de maneira discrepante da nova saga encabeçada por Brendan Fraser e Maria Bello.

Não é somente a previsibilidade do roteiro que decepciona. Ele não possui a mesma fórmula de sucesso dos filmes anteriores que conjugam comédia, suspense e aventura numa proporção muito bem dosada. O filme é desconexo, as interpretações são medíocres e a direção de arte deixa a desejar em muitos momentos da película.

Bem que um amigo, o blogmaster do Sandim Cinema Blog, havia me alertado que a aceitação do filme havia sido muito ruim nos EUA e que Rachel Weisz, que interpretou a personagem Evelyn nos dois primeiros filmes, havia descartado o papel depois de ler o roteiro da obra que é um verdadeiro um desastre. Para compensar o scrip destoante, o diretor, Rob Cohen, abusa dos efeitos especiais, o que não remedia o irremediável.

Com um orçamento de 175 milhões de dólares, A Múmia - Tumba do Imperador Dragão é, na verdade “nua e crua”, uma grande jogada de marketing do cinema em tempos de Jogos Olímpicos na China. Seria mero acaso a estréia ter se dado há uma semana da Abertura dos Jogos?!? Acho que não.

Mesmo sendo fraquíssimo, o filme arrecadou nesta semana, mais que o eletrizante Batman - O Cavaleiro das Trevas (EUA, 2008) que, ao que tudo indica, roubará de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (EUA, 2003), a 2ª colocação na lista dos filmes que mais faturaram em toda a história do cinema, ficando atrás apenas de Titanic (EUA, 1997).

Espero que a Múmia não escape de receber algumas boas indicações ao Framboesa de Ouro, que ao contrário do Oscar, “premia” os desagradáveis destaques da sétima arte.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Abram alas a Beijing

O Sem Fronteiras prossegue com sua saga esportiva pela República Popular da China. Nós, André Martins e Lucas Fernandes, editores de Esporte do SF, acertamos na noite de hoje (7) os últimos detalhes da nossa cobertura dos Jogos Olímpicos. O amigo internauta continuará acompanhando a série China Sem Fronteiras – Os caminhos de Beijing 2008, que trará boletins diários do maior evento do planeta, seja através de notas, widgets, áudio ou vídeo.

Ao longo desses 17 dias de competição, levaremos a você, responsável direto pelos 532 comentários recebidos até o momento e pelos mais de 2200 acessos mensais, o melhor do esporte mundial e as emoções daqueles que prometem ser os maiores Jogos Olímpicos da história. Seja pela suntuosidade das obras, pelo clima tenso entre províncias independentes, como o Tibet, ou nações contrárias à visão chinesa, a exemplo de Taiwan, ou ainda, pela possibilidade da queda dos Estados Unidos frente aos donos da festa no tocante ao quadro de medalhas.

O espírito olímpico e a superação do homem. A emoção dos atletas diante das derrotas, vitórias, conquistas. As medalhas; as lágrimas - sejam elas por quais razões rolarem na face dos heróis olímpicos. Estaremos ligados na informação e levaremos você a acompanhar o esforço dos atletas, que na busca pela perfeição se assemelham a deuses e nas limitações impostas ao corpo se afirmam na condição de meros humanos.

Com certeza os próximos dias guardarão grandes surpresas. Esperamos que sejam as mais agradáveis possíveis para o Brasil. E, juntamente com você, internauta sem-fronteiras, que nos acompanha há dois meses, torceremos e aguardaremos, com ansiedade, medalhas de bronze, prata e o ouro, a realização maior do sonho olímpico.

Assista a "Abertura dos Jogos Olímpicos tem ensaio geral" - via Globo.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Uma nova bofetada

Olá meu caro e minha cara sem-fronteira! Como vocês sabem, temos o imenso privilégio de sediarmos eleições a cada dois anos. E digo isso sem nenhuma ironia. Isso mostra que embora os problemas apareçam após as eleições, algo já de praxe, o Estado democrático está consolidado. Ok, realmente acredito que a peridiocidade e os cargos escolhidos em cada eleição deveriam ser diferentes, mas este não é o assunto. Aqueles que viveram nos anos da ditadura então, sabem o quão difícil foi conseguir estabelecer esses direitos.

Há porém, um problema imenso nesta época:

Via blog do Duke

A poluição que estas campanhas trazem, seja visual, sonora, ou o lixo acumulado nas esquinas é um problema em todas as cidades. Estas campanhas chegam trazendo os cartazes pregados sem nenhuma respeito à lei eleitoral em muros, grades, postes; os nojentos santinhos que entopem nossa caixa de correio e a boca-de-lobo; os muros pintados, muitos sem autorização naquelas letras garrafais e multicoloridas, o carro de som infernizando naquela gritaria e a nova modalidade, comum nos Estados Unidos: ligações. Hã?

Experiência própria meus caros: estava eu em casa, quando me ligam dizendo ser da campanha de um vereador. Estranhei, mas deixei que ela continuasse. Ela levantou os problemas do bairro de um fôlego só e disse: "Então, o Fulano de Tal pode contar com seu apoio?" Levei uma bofetada. Um tapa de luva, lembram-se? Como, de maneira tão agressiva uma pessoa me coloca contra a parede pedindo que eu declarasse meu apoio ao candidato? Senti meus direitos serem invadidos. Sentimento horrível. Mas não deixei barato e disse: "Como vou votar nele se não o conheço como político, tenho certeza que ele não conhece o bairro e muito menos os problemas". Rapidamente, a capacha disse: "Ok, vamos estar enviando (ahhhh!) alguns santinhos para o senhor conhecer melhor as propostas do Fulano." E ficamos nisso.

Depois pensei: ela sabe meu endereço? A resposta veio hoje. Ao abrir a caixa de correio, uma penca, na verdade duas dúzias exatas de santinhos. A conclusão: o candidato comprou aqueles banco de dados que empresas de telefonia fixa detêm. Complicado. Mas na verdade, não me preocupei com o que aconteceu comigo: meu maior receio, foi essa mulher que ainda vai ligar para pessoas simples, sem instrução e que no impulso, depois de serem colocados contra a parede vão dizer: "Éééé... apoio sim. Tá".

Meu maior receio, é que isso, aconteceu aqui em Belo Horizonte. Não quero nem imaginar o que acontece pelo Brasil afora.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Duas crianças a brincar de gangorra


As férias forçadas a que me submeti serviram para que se apossasse desse editor, um sentimento nostálgico, movido pela pureza e inocência das brincadeiras infantis. Lembrei-me dos passeios pelos parques e praças, aonde gangorreava e perdia através do meu olhar fugaz, a noção do tempo. Essas minhas "retinas tão fatigadas", virão nos últimos meses, dois moleques a desafiar o tempo e gangorrear em um sobe e desce alucinante: eis que lhes apresento os juros e a inflação (O caro internauta sente o coração palpitar? Respire fundo e siga em frente, afinal somos brasileiros e o final da frase o amigo conhece)!

A inflação, queda do poder de compra do dinheiro ou do valor de mercado, retirou do guarda-roupa sua farda e voltou a rondar os mercados mundo a fora. A notícia que se espalhou como rastro de pólvora, fez com que o explosivo citado viesse cair sobre as mãos da população carente. Daí a antiga alcunha carestia, usada nos tempos do ministro Rui Barbosa, para a dita-cuja inflação. Os governantes apavorados com o gosto amargo dos petiscos recheados pela ira popular, não hesitam em convocar os juros para a mais uma missão: o controle da dita-cuja, que retorna sem marcar hora. Creio, que para sua absoluta revolta.

No dia 23 de julho, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13%. Em prantos limpos (apenas uma figura de linguagem e porque não, conseqüência da inflação), o aumento do consumo, elevou a demanda por produtos e serviços, que perderam valor de aquisição. Bem, os ventos favoráveis e os empréstimos de 2003 a 2007 parecem ter pegado suas malas e partido, deixando o mercado consumidor recente não a espera de milagre, mas de produtos que se escassearam devido a crises alimentícia e produtiva de commodities.

Com a indústria em baixa, a gigante adormecida acordou e mostrou suas garras. E o antídoto lulista para conter o acumulado inflacionário de 6% foi recorrer aos juros novamente, algo que não vinha acontecendo há tempos, devido às seguidas quedas em 2005 e 2007. Ora, a alta não conterá o consumo, entretanto atrairá investidores e capitais voláteis, aqueles que rapidamente podem ser transferidos de uma bolsa à outra. Em período de reconversão, crise passageira pós-consumo desenfreado, toda acautela é pouca. E manter os investidores torna-se um desafio.

O caro internauta, que leu atentamente a este breve panorama, possivelmente chegará ao final dessa postagem com indagações semelhantes as minhas. Não seria sensato investir no aumento da produção, uma vez que o país crescia 6% ao ano? E por que não reduzir os gastos públicos? Resposta óbvia: Vivemos no Brasil! Tudo bem que a médio prazo, o consumo será contido pelos preços galopantes, mas por que sempre somos aquele parceiro largado só no restaurante, a arcar com todas as despesas?

A gangorra não pára, assim como o tempo, descrito por Cazuza. E no dia em vossas retinas se cansarem com tal movimento, não diga ao Banco Central, "Vais me pagar". Saiba que ele nada lhe pagará, apenas lhe afagará com o final deste cancioneiro popular: "Pode chorar, pode chorar".

- Este artigo foi útil, tem qualidade ou merece algum acréscimo. Deixe seu comentário abaixo ou assine nosso feed.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O despertar de um dragão olímpico

As Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, aconteceram em meio à silenciosa Guerra Fria. Os EUA que, em 80, não havia participado dos jogos de Moscou, agora recebia o revide soviético. Acontecimento, não isolado na história, que credita a idéia de que a diplomacia é meramente descartável em certas ocasiões. Os entraves políticos das principais nações do globo até então, influíam até mesmo no esporte.

Não era somente isso que acontecia em 84. O ano marcou o retorno da China aos Jogos Olímpicos, após ter se ausentado por um período de 24 anos ou em sete edições dos Jogos, em protesto contra a presença de Taiwan - tida pelo governo chinês como província rebelde - na competição.

Seguindo a inconteste fórmula soviética - investimento maciço no esporte - a China conseguiu logo “de cara” uma impressionante quarta colocação. Em 1988, Olimpíadas de Seul, um pequeno deslize e uma frustrante 11ª posição no quadro de medalhas. Em Barcelona, 1992, o triunfante retorno chinês e a conquista do quarto lugar, repetido em Atlanta em 1996 e abandonado nas Olimpíadas de Sydney, quando o país alcançou a, inédita, 3ª colocação. Em Atenas veio a certeza de que a China podia romper com a hegemonia dos EUA, que até os jogos de Atlanta, alternava o topo do quadro de medalhas com a União Soviética.

A preparação dos atletas (segredo muito bem guardado pelos treinadores, a exemplo do governo chinês - mestre na arte da ocultação) é intensa. O país que chegou muito próximo da 1ª colocação nas Olimpíadas de Atenas em 2004, espera - ansioso - que ao fim dessa edição dos jogos, a China seja a verdadeira dona da festa.

Formado por crianças de apenas cinco anos, o grande exército de pequenos chineses chega aos centros de treinamento bancados pelo governo, que determina quem faz o quê, como e para quê. Como um diamante bruto, os atletas mirins são lapidados e moldados para que representem o país da melhor maneira possível, e, principalmente, tenham orgulho de assim proceder.

Segundo a empresa de consultoria estadunidense, PricewaterhouseCoopers, a disputa em Pequim será acirradíssima. Os números mostram que a China superará os EUA no quadro de medalhas por uma diferença tênue de uma única medalha (Confira o estudo completo). De acordo com as projeções, a grande maioria das 88 medalhas chinesas, serão conquistadas em esportes cujas escolas chinesas são mestras: a ginástica, os saltos ornamentais, o tênis de mesa, o badminton e as lutas.

A China (com seus 570 atletas) vive grande expectativa. Na próxima sexta-feira, acontecerá a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, os mais caros da história. O espetáculo que será acompanhado por todo o globo, apresentará uma China que possui pretensões que transpassam às do âmbito esportivo. Ao que tudo indica, isso é uma questão de tempo.

domingo, 3 de agosto de 2008

A seleção olímpica te convenceu?

De Camila Paulos - paulista, jornalista e blogmaster do Respirando Futebol... e do Sobre todas as coisas

Hoje acordei às 9h da manhã só pra ver se o desempenho da seleção olímpica diante da seleção de Cingapura me convencia. Superei o sono pra ver se acredito nos jogadores que vão à Pequim tentar trazer a medalha inédita pra gente. Esse foi o primeiro amistoso do Brasil antes de ir à China.

Todo o mundo esperava uma goleada brasileira pra cima do fraco time adversário. Até o técnico de Cingapura havia dito, antes do início do jogo, que a defesa dele não iria conseguir segurar nem os primeiros cinco minutos sem levar um gol.

Confesso que em alguns momentos eu quase cochilei. A partida estava mesmo com cara de amistoso, os atletas não estavam muito entrosados, por isso apostavam em jogadas individuais, dando uma de “fominhas”. Talvez, a falta de entrosamento tenha sido fator preponderante para que a seleção errasse muitos passes.

Depois de certo tempo a equipe melhorou e me empolgou um pouco. Principalmente Ronaldinho Gaúcho, que pareceu querer mesmo voltar a jogar bola de verdade. O primeiro gol saiu por intermédio dele, que deu um passe de calcanhar para Diego chutar no canto e abrir o marcador.

Alguns minutos adiante foi a vez dele marcar. Depois do goleiro defender um bom chute de Alexandre Pato, a bola sobrou pra Ronaldinho que dominou muito bem a redonda e até fez umas três embaixadinhas antes de emburrá-la pro gol.

A falta de entrosamento ficou ainda mais evidente no segundo tempo do jogo, quando Dunga substituiu quase todos os jogadores, mantendo apenas Gaúcho. O terceiro gol saiu de uma ótima jogada de Thiago Neves que lançou pra Jô marcar.

Eu esperava mais, aliás, espero ainda, porque acredito que esse elenco tem sim capacidade de conquistar uma medalha de ouro, porém pode parecer clichê, mas falta muito entrosamento na equipe. O que adianta ter tantos bons jogadores dentro de campo e no banco de reservas se jogando juntos os “talentos” se atrapalham?

Não estou sendo pessimista, mas mesmo com o placar de 3 a 0 a seleção não me convenceu. Ainda resta uma semana para eles provarem para mim e para o resto do Brasil que sim, eles são capazes.

Participe você também do Painel do Internauta - basta enviar seu texto para semfronteirasnaweb@gmail.com e aguardar nossa análise

Chuchu? Com um pouco de sal, por favor

Alguém aí já ficou sem internet nem que fossem dois dias? Passei por isso nesta sexta e sábado. Cruzes! "Reparo na rede". Sei. Desta forma, peço desculpas por não termos tido a postagem de internacional e de política, respectivamente nos dias citados. Mais do que excepcionalmente, uma postagem de política hoje e na quarta, voltamos ao normal.

Nesta última quinta-feira, a rede Bandeirantes e a Band News FM realizaram debates nas principais prefeituras do país e se pudesse escolher uma palavra para definir o debate em Belo Horizonte, onde fica o headquarters do Sem Fronteiras, escolheria: chato. Tudo, de cabo a rabo foi puro tédio. O mediador Ricardo Sapia não ajudou também.

Aqueles que esperavam que a candidata do PC do B Jô Moraes, que lidera as intenções de voto na capital partisse para o ataque contra Márcio Lacerda, do PSB, enganou-se. E me incluo nessa. O que pude ver de Jô Moraes, foi uma mulher tentando reafirmar a todo o momento que seu partido é da base aliada do governo Lula e que há anos faz parte da gestão da prefeitura belorizontina. Vendeu a idéia de continuidade. Definitivamente não merece estar liderando as pesquisas. O "trunfo" de Jô é o apoio que ela recebe do vice-presidente José Alencar, do PRB, dos dissidentes petistas, como o ministro Patrus Ananias e o ex-deputado Rogério Correa, nome forte do partido em Minas. Esses dissidentes, decidiram apoiar a comunista depois que o prefeito Fernando Pimentel, do PT, alinhou-se ao governador tucano Aécio Neves para apoiar Márcio Lacerda.

Falando de Márcio Lacerda, o candidato saiu-se bem por ser seu primeiro debate. Saiu-se bem, mas não foi bem. O candidato reafirmou que vai continuar "no mesmo trilho" do prefeito Pimentel e buscar parcerias com o governo estadual (sic) e federal. Lacerda tem como cabos-eleitorais o prefeito Pimentel e o governador Aécio Neves. Uma chapa polêmica e no mínimo patética. Desde quando PT e PSDB, que se engalfinham no plano nacional, decidem se juntar em Minas? Onde fica o debate e a nobre arte da prática da política? Isso aos poucos está acabando no estado, que a cada dia mais sinto que estarmos numa grande bolha, tendo toda a política controlada por um indivíduo. Ganha um doce quem acertar o nome do "indivíduo".

Ah, se você for de Belo Horizonte, vale o aviso: Lacerda participou do esquema do mensalão, a maior crise política sofrida pelo governo Lula em 2005/2006. O nome de Márcio Lacerda aparece na lista das pessoas beneficiadas no esquema de corrupção do empresário Marcos Valério. No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, Márcio Lacerda pediu demissão, negando ter recebido qualquer tipo de soma em dinheiro. Dureza, hein conterrâneos?

Resumindo o debate: blábláblá, pura retórica e poucas propostas concretas. O ponto de consenso foi o tal metrô de Belo Horizonte, que todos os candidatos disseram ser a solução para o infernal trânsito da cidade. Mas claro, sabemos que o dito cujo só será construído quando o clã Sarney deixar o Maranhão.

Questões críticas na cidade como saúde, passe-livre para estudantes (mencionado apenas por Jorge Periquito do PRTB), educação e emprego foram tocadas superficialmente. Talvez por ser o primeiro debate, os candidatos adotaram certa cautela, mas o eleitor não quer nada disso: queria propostas sólidas e um debate inteligente de idéias. Quem sabe numa próxima, né?

Ahá, mas se você achou que o debate deu com os burros n’água, se engana! O melhor momento estava reservado para os minutos finais, quando nas considerações, Jorge Periquito se dirigiu ao candidato Gustavo Valadares, dos DEMos, pedindo que o pai do candidato, Ziza Valadares, presidente do Galo “repense a permanência à frente do clube. 6 a 1 foi demais," disse, se referindo à goleada sofrida pelo Galo para o Vasco. Gustavo, não deixou barato e disse "aqui estamos num debate sério e quem está aqui é o candidato Gustavo Valadares".

Fala sério, é muita emoção concentrada em um finalzinho de debate (quase) sem sal!

sábado, 2 de agosto de 2008

Conheça o Prêmio SFW de qualidade

Este post é destinado a você, parceiro do Sem Fronteiras, que nos abrilhanta com homenagens, selos, além de comentários compromissados, questionadores, sugestivos e engrandecedores. Esta equipe lança o Prêmio SFW de Qualidade - Superando as Fronteiras da Informação. Mais que um simples selo, a premiação será uma maneira de trazer ao internauta fiel à nossa proposta, o melhor conteúdo de cada blog parceiro ou indicado por nós. E aos colegas, este será uma condecoração única.

Regulamento do 1º Prêmio SFW de Qualidade

Participam do concurso de diários da web, todos aqueles citados na coluna “Blogs recomendados” ao lado. Caso seu blog faça parte de algum desse rol, parabéns! Saiba que se trata de um endereço de qualidade. Caso AINDA não faça e você blogueiro, queira participar da premiação, basta deixar-nos um comentário/ recado/ e-mail (semfronteirasnaweb@gmail.com) para que possamos analisar o blog.

Vale lembrar que os parceiros da Equipe Sem Fronteiras na Web contam com visitas e comentários, sempre que possível, constantes, em seus blogs. Nós, editores do SFW, não preenchemos espaço com links. Visitamos, comentamos e participamos junto aos blogs parceiros e a recíproca vale aos indicados pela equipe. O carinho e o respeito pelo trabalho prevalecem.

Indicado na página do Sem Fronteiras, o blogueiro passa a concorrer imediatamente. Como? Simples. A cada visita, analisaremos postagens, vídeos, imagens, layouts. A cada dia sete, data em que completamos aniversário, as melhores obras do mês serão indicadas, linkadas e comentadas. Uma vez divulgada por nós, a postagem passa a concorrer nosso selo. ÚNICO. Afinal, somente o melhor em cada quesito – texto, série e layout – ganhará a premiação semestral.

Como será a seleção e o que consiste a premiação

A pré-seleção das obras indicadas será realizada pela Equipe SFW e por colegas ligados à área de Comunicação Social. Contudo, a escolha final caberá ao nosso internauta, que julgará quem será o merecedor do selo Prêmio SFW de Qualidade. Nós cremos que não há maneira mais democrática do que essa, o voto popular. Afinal, quem faz o blog são os seus leitores.

Aos premiados, será entregue um selo ÚNICO de qualidade, que não poderá ser repassado, junto a uma obra literária a ser definida. Além disso, o Sem Fronteiras compromete-se a divulgar os blogs escolhidos pelo júri popular através da divulgação do conteúdo, de entrevistas com os blogueiros e afins.

Está dada a largada! Participe do 1º Prêmio SFW de Qualidade.

Sem Fronteiras – “A informação nos leva ao mundo, nós levamos a informação até você”

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bis


Dos sofás de um teatro podemos imaginar que os atores, que nos arrancam desde lagrimas à gargalhadas incontidas, tenham uma vida muito fácil. Mas não é bem assim.

A dramaturgia - principalmente a teatral - exige mais que um rosto esteticamente belo de quem pretende aventurar em seu mundo. Exige, acima de tudo, talento; um intenso e contínuo debruçar sobre os scripts e tempo e disciplina em passar e repassar textos até atingir o que eles, exigentes, esperam deles próprios.

O teatro é mágico e envolvente a ponto dos artistas se entregarem e renderem aos palcos por puro prazer; viver, com intensidade, histórias que não são suas e mergulhar em personagem que, quase sempre, se afastam de suas reais personalidades.

É um desafio recompensado a altura da dedicação e empenho dos atores: não existe nada que se compare à reação do público ao longo dos espetáculos (sorrisos, espanto - diante da beleza -, lágrimas, temor, alegria, entrega e rendição, também, por que não?!?) e o reconhecimento traduzido em aplausos ao apagar das luzes e fechar das cortinas.

Em Belo Horizonte o “Peça Bis” é um importante termômetro do teatro mineiro. O projeto, que visa reapresentar as peças e espetáculos que se destacaram no cenário mineiro e nacional, está em sua 10ª edição.

O “Peça Bis” vai até o dia 3 de agosto. Além das peças “A virgem de 40 anos - Agora ou nunca”, “Mania de Explicação”, “Pipoca e Batatinha - Quando um não quer, dois não brigam” que já foram reapresentadas, a lista das atrações selecionadas é completada pela elogiada “Atrás dos olhos das meninas sérias” de texto poderoso e interpretações comoventes, a divertida opereta “O homem que não sabia português” que explora os desencontros amorosos de quatro personagens - e o infantil “Zeropéia”.

Os ingressos podem ser adquiridos nos postos do Sinparc (Av. Augusto de Lima, 655, Centro) e na bilheteria do teatro Alterosa (Avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta). O preço, assim como as peças, surpreende e agrada: acessíveis R$ 10, por isso não perca essa grande oportunidade.

Para maiores informações ligue: (31) 3237-6611

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Destino: Pequim - Parte 2

A busca pelo ouro e, principalmente, pelo reconhecimento

Quem as vê jogar, encantar o mundo e convencê-lo de que podem ir muito além do que um bando de marmanjos cogita, não imagina que a sintonia da seleção feminina apresentada dentro de campo é algo praticamente “acidental”. A palavra “acidental” não foi para por aqui de maneira acidental. Não mesmo. O grupo é formado por meninas e mulheres que, esporadicamente, se encontram para jogarem suas partidas oficiais.

Num país não tão machista, mas que guarda resquícios desse mal nas pequenas coisas, as jogadoras brasileiras sofreram com a discriminação e com a falta de patrocínio. Venceram? Não. Têm vencido com fé, resignação e demonstração de seus potenciais.

Apesar das significantes conquistas da nossa seleção feminina de futebol, nossas guerreiras ainda sonham com o dia em que serão reconhecidas e, quem sabe, poderão jogar nos gramados de seu país em condições melhores ou - elas só pedem - iguais às dos homens.

Um campeonato brasileiro de futebol feminino impulsionaria a modalidade e aí tudo ficaria mais fácil: seja descobrir jovens e promissores talentos ou dar maior unidade à seleção.

Só para constar: no último domingo, há menos de duas semanas da estréia nas Olimpíadas de Pequim, as atuais campeãs pan-americanas e vice-campeãs olímpicas e mundiais golearam por 4 a 0 o time da nossa meia-atacante e estrela, Marta, em jogo amistoso de preparação para os Jogos Olímpicos.

Até hoje, elas não conseguiram nada fácil. E é isso que dá a elas a certeza de que é plenamente possível ostentar a medalha dourada no peito no dia 21 de agosto, dia da final. Por falar em final, assista a estréia da nossa seleção que acontecerá na próxima quarta-feira às 6h. Motivo?!? O Brasil encarará as atuais campeãs mundiais, as alemãs. Pode ser um aperitivo do que iremos assistir no dia da decisão.

Esqueça as últimas, vexatórias, apresentações da nossa seleção masculina de futebol. Agora é a vez dos meninos.

A boa apresentação diante da fraca seleção de Cingapura serviu, talvez, para reanimar nosso coração verde-amarelo acostumado a pulsar forte nas decisões.

Os jogadores brasileiros vão a Pequim com uma de suas maiores responsabilidades: trazer o único título que nos falta, o de campeões olímpicos.

O alvoroço e estardalhaço na recepção da seleção brasileira no aeroporto de Hanón, para o jogo amistoso contra a seleção daquele país amanhã (01), não diz muita coisa.

O desempenho da seleção brasileira ainda é uma incógnita. Temos jovens talentosos, Ronaldinho Gaúcho, a camisa - que, dizem pesar - e o respeito dos adversários. Mas, isso é o suficiente? Lembre-se de que a seleção pode não ser a mesma, mas o técnico é e é ele quem manda.

A seleção faz sua estréia em Pequim na próxima quinta-feira (07) contra os belgas. O grupo C, do qual faz parte o Brasil, é completado por China e Nova Zelândia. Uma chave que, teoricamente, não oferece grandes perigos.

Se faturar a medalha de ouro, Dunga conquistará mais que uma valiosa medalha e boas recomendações em seu currículo. Ele conseguirá se safar da possível demissão rogada à audível coro popular.

Melhor visualização com o navegador Mozilla Firefox